13 de abril de 2021

Meio ambiente é tema de debate em 2008

Imaginamos que uma boa forma para se escrever este artigo retrospectivo sobre a questão ambiental em 2007 seria recorrer ao texto perspectivo “ O meio ambiente em 2007”, que publicamos no início deste ano, e verificar os acertos, os erros e as surpresas.

Imaginamos que uma boa forma para se escrever este artigo retrospectivo sobre a questão ambiental em 2007 seria recorrer ao texto perspectivo “ O meio ambiente em 2007”, que publicamos no início deste ano, e verificar os acertos, os erros e as surpresas.
De um ponto de vista global, o assunto de maior importância, e que dominou as pautas, foi o efeito estufa. Pois bem. Previmos que Bush iria ter que recuar pelo menos alguns passos, dada a adesão a metas de redução de inúmeros prefeitos, e até governadores, republicanos. Mas concluímos também que, no fundo, “as chances de uma mudança significativa de atitude dos EUA neste ano são muito pequenas”. Acertamos em parte. Bush ensaiou reuniões alternativas e modificou seu discurso logo no início do ano, admitindo pela primeira vez que o aquecimento global era “um problema mundial sério”. Além disso, anunciou metas de redução de 20% no consumo de gasolina no país até 2017 e sugeriu o endurecimento das normas que regulam o consumo de combustível e a emissão de dióxido de carbono de alguns veículos.
Supusemos ainda que o Reino Unido seria um dos atores principais na luta contra o aquecimento global. Aqui erramos. O IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas) tomou boa parte da cena, com seu relatório nada animador. Al Gore projetou-se mais do que nunca, ao ganhar o Oscar e o Nobel. E, já no apagar do ano, tivemos a conferência de Bali, cuja conclusão deu-se após o fechamento deste artigo. Teve ao menos um aspecto positivo, que foi a adesão da Austrália ao Protocolo de Kyoto, importante por sua resistência anterior e por diminuir o bloco dos opositores.
O balanço geral nes­te assunto tem la­dos bons e ruins. Des­taque negativo para dois blocos de países. Um, dos opositores do protocolo, capitanea­dos pelos EUA e pelo Japão, que se recusam a discutir metas claras e definidas. O outro bloco que merece desaprovação é o dos países em desenvolvimento, que também se recusam a contribuir. Têm um bom argumento, de que a maior parcela de responsabilidade deve recair sobre os maiores emissores, os quais já se desenvolveram e deram melhores condições de vida a suas populações. Mas, esquecem-se que há outras formas de contribuírem e que, no fundo, o problema é de todos e cairá com mais força nas costas dos pobres. O Brasil poderia muito bem tomar a liderança das discussões sobre planos sérios de desmatamento zero. Isto seria uma enorme contribuição dos países amazônicos ao planeta e também extremamente positivo para o nosso país como um todo. Porém, prefere ficar choramingando contra as barreiras ao etanol tupiniquim e aos subsídios dados ao etanol de milho, que, se suspensos, poderão nos trazer muito mais problemas. A posição brasileira, contrária a aceitar metas externas de redução dos desmatamentos, não está soando nada bem, co­mo já chamávamos a atenção no início do ano. Pior, tem contribuído, junto com as resistências de outros países, a fazer com que as discussões fiquem eternamente emperradas.
Do lado positivo, temos que nunca se discutiu tanto o assunto. Pode ser pouco, mas lembremos que algumas conquistas sociais começaram justamente assim, com discussão e efervescência e também com muita resistência por parte de setores poderosos da sociedade.
As surpresas, neste assunto de aquecimento global, deram-se por conta de fatos específicos, porém extremamente graves, sobre os quais não se poderiam fazer previsões. Dois são os destaques. Um foi o enorme incêndio na Califórnia, que certamente contou com uma mãozinha das mudanças climáticas. Outra foi a abertura, pela primeira vez, de um canal navegável pelo Oceano Ártico. Daqui para a frente, o leitor pode dar como certo que fatos como estes dois certamente irão tornar-se mais e mais comuns.
No campo nacional, os eventos mais importantes ficaram em torno das futuras obras do PAC e dos biocombustíveis. O presidente Lula tomou a linha de frente de um discurso repetitivo e, em boa parte insustentável, segundo o qual o co

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