Médicos exigem carreira de Estado

Para o professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Menabarreto Segadilha França, a fixação do médico no interior do Amazonas será resolvida somente com a criação de um PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários). “Será necessária uma carreira de Estado para que o médico se faça presente no interior, sob critérios justos”, declarou Menabarreto ao Jornal do Commercio ao defender o GTM (Grupo de Trabalho Misto), criado pela Assembleia Legislativa para a realização de estudos e buscar soluções para a questão.
Hoje os médicos não se fixam nos municípios por absoluta falta de garantias, argumenta o professor com especialidade em Saúde Pública e mentor do projeto Internato Rural de Medicina. “Os médicos não vão para o interior porque não têm garantias, porque não há condições de trabalho nem salariais, não há condições de habitação e transporte, não há gratificações”, observa enfatizando a necessidade do PCCS.
“No Amazonas os médicos lutam por um piso nacional de 10 horas, que dá 10 mil reais, e de 40 horas, que resulta em 20 mil reais”, opina, destacando que os médicos do SUS (Sistema Único de Saúde) devem, por direito, ser submetidos a concurso público da mesma forma que os juízes e os promotores, iniciando a carreira profissional no interior. “Os médicos têm que começar pelo interior, até chegarem à capital, como o juiz e o promotor, nada de seleção simplificada”, diz,
De acordo com Menabarreto, a Aleam está ajudando a encontrar solução para o problema ao criar o GTM, constituído por membros das comissões técnicas de saúde da própria Aleam e da Câmara Municipal de Manaus, além de representantes de Universidades e de órgãos sindicais e das secretarias estadual (SUSAM) e municipal (SEMSA) de saúde. “O GTM é uma boa iniciativa, unindo e engajando políticos e profissionais de saúde”, acrescenta.

Vanessa/Alfredo

Apesar de simpático ao GTM do Poder Legislativo Estadual, Menabarreto não economiza críticas a políticos quando o assunto é o debate sobre a falta de médicos no interior e a questão da revalidação de diplomas de médicos estrangeiros. Ele é um crítico radical de um projeto da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) que defende a revalidação mediante critérios a serem determinados pelos ministérios da Saúde e da Educação.
“A Vanessa busca facilitar a revalidação dos diplomas de forma populista e eleitoral. O governo federal já inventou o Bolsa-Família e agora quer inventar o Bolsa-Médico. Vanessa propõe que a UEA (Universidade do Estado do Amazonas) revalide diplomas à meia sola, ou seja, os profissionais médicos teriam seus diplomas revalidados mediante a prestação de serviços no interior. Isso é ledo engano, os caras não ficam no interior de jeito nenhum”, ataca o professor. Ele informa que em Cobija, na Bolívia, onde o ensino de Medicina é de nível bastante inferior ao ministrado no Amazonas, os profissionais concluem o curso e migram para o Brasil na tentativa de revalidar seus diplomas. “Depois que conseguem seus objetivos, eles dizem adeus e vão embora”, protesta.
Além de Vanessa, a bateria de ataques de Menabarreto também alcança o senador Alfredo Nascimento (PR), prefeito de Manaus entre 1996 e 2004, quando criou o Programa Médico da Família. “À época, os médicos eram orientados a elogiar o Alfredo Nascimento, dizendo à população que eles eram eternamente gratos a ele por estarem ali, atendendo a população, tudo isso era feito em troca de votos. Isso não pode mais continuar, isso é filigrana, irresponsabilidade e populismo”, ataca.

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