7 de maio de 2021

Mazelas minam potencial humano na região Norte

Embora conte com apenas 8,6% da população do país, a região Norte responde por 26,1% dos brasileiros que estão na faixa de pobreza. O valor da média global de renda disponível per capita (R$ 938,06) é o menor do país, com 30% da população nortista na faixa da pobreza e 5,8% abaixo dela. A penúria se reflete em condições precárias de moradia, a despeito de a região também dispor da maior proporção nacional de habitantes com casa própria.

Outro paradoxo é que, a despeito de contar com uma das menos populosas regiões do país, o Norte concentra também uma fatia maior de populações que reportaram viver em áreas com violência ou vandalismo: 42,7%. Em média, as demais regiões registram valores menores, apesar de também ficarem próximas à casa dos 40%. O mesmo se dá na taxa de moradias próximas a águas poluídas. A conclusão vem da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2017-2018 – Perfil das despesas no Brasil, divulgada nesta quarta (25), pelo IBGE.

Em termos de média global de renda disponível per capita, a região Norte (R$ 938,06) é a última do ranking brasileiro, atrás do Nordeste (1077,85), do Sul (R$ 1957,12), Centro-oeste (R$ 1975,74) e Sudeste (R$ 2003,22). O maior nível de pobreza vem acompanhado, entretanto, de um menor nível comparativo de desigualdade: enquanto o Sudeste contribui com 64,9% de toda a desigualdade brasileira, o Norte representa 2,8% da mesma.

Pelos padrões médios internacionais, a linha de pobreza é de até U$ 1,90 por dia, sendo que 1,4% da população do Brasil se encontra nesse patamar. Dadas as dimensões do Brasil, o padrão adotado para a linha de pobreza é de US$ 5,50 por dia, elevando o contingente nessas condições para 12,1% dos brasileiros. Na região Norte, 5,8% dos habitantes estão no primeiro grupo e 30%, no segundo.

Em sintonia, o Norte responde por apenas 4,65% dos gastos com moradia do país: R$ 12,31 de um total de R$ 264,66 da despesa média registrada em todo o Brasil. É o menor valor do país, sendo que os dispêndios se concentram especialmente em aluguel estimado (5,28% no total) – a despeito da região concentrar também a maior fatia de moradores com casa própria. Na outra ponta, o Sudeste concentra mais da metade das despesas (57,7%).

Condições de moradia

Tudo isso se reflete nas condições dos domicílios. Apenas 7,9% dos habitantes do Norte moram em casas com telhado de laje de concreto ou madeira apropriada – o Sudeste (48,8%) ficou novamente na outra ponta. “Em todas as regiões, o tipo de telhado predominante é a telha sem laje de concreto ou somente com a laje. Esta característica é mais acentuada no Norte, com 84,6%”, destacou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

A proporção de domicílios localizados próximos a rios, baías, lagos, açudes ou represas poluídos também coloca o Norte (19,8%) acima da média do país (15,8%). Em âmbito nacional 89,4% das pessoas que residem nessas condições estão na área urbana e 10,6%, na área rural. 

O mesmo pode ser dito da parcela de moradias em situação de risco por estarem localizadas em áreas com violência ou vandalismo, enquanto essa taxa é de 38,2% para a média brasileira, a região Norte aparece no primeiro ranking, com 42,7%. O Sul está no último lugar da lista, mas os percentuais da maior parte das regiões se situam na casa dos 40%.  

Apesar disso, a percepção subjetiva dos moradores é melhor. A região Norte é responsável por apenas 3,6% do total de 23,5% da população brasileira que considera que vive com alguma inadequação no domicílio. Em todo o país, a área urbana reúne 15,7% desses moradores e 7,8% estão na área rural. Nordeste e Sudeste lideram o ranking, com taxas respectivas de 10,6% e 5,8%. 

“Meio do caminho”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, observa que o que caracteriza as despesas com moradia são principalmente aluguéis, condomínios e impostos, mas ressalva que a maioria das famílias da região Norte são donas de suas casas e que o número de domicílios em condomínios é proporcionalmente inferior ao de outras regiões. “Por outro lado, o número de municípios que cobram impostos sobre moradia também é menor aqui. Além disso, há cidades que isentam a parcela da população mais pobre de pagar impostos sobre a propriedade da terra e do imóvel edificado”, apontou.

Sobre os materiais empregados nas construções, o pesquisador diz que, embora a inadequação no Norte apresente uma das menores taxas do país, o mesmo não pode ser dito do acabamento, que coloca a região com a maior parcela de domicílios inacabados. E essa ocorrência é mais frequente entre os residentes de média e baixa renda, principalmente nos bairros populares e na zona rural.

“Muitas construções ficam no meio do caminho. Isso é uma realidade, tanto nas casas de alvenaria, quanto nas de madeira. Certamente que isso tem ligação com o poder aquisitivo das pessoas. As pessoas preocupam-se em construir apenas para entrar e morar e geralmente não tem recursos para o acabamento, que representa o maior custo da construção”, assinalou.   

Adjalma Nogueira Jaques reforça que a incidência de moradores reportando viverem em locais com mais violência e vandalismo também é maior nos Estados nortistas, sendo uma condição frequente nas cidades amazônicas. “Na verdade, houve um aumento muito grande de violência nas proximidades das residências das pessoas, deixando as famílias mais preocupadas e vulneráveis. E essa característica não se concentra apenas na camada mais pobre da população, mas também na de médio poder aquisitivo”, concluiu.  

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