Massas e biscoitos devem crescer 4% em 2009

A logística é o grande vilão da indústria de massas alimentícias e biscoitos de Manaus, o que resulta na grande quantidade de produtos importados, principalmente biscoitos e bolachas em geral. Mesmo assim, e a despeito dos efeitos da crise econômica global, o segmento projeta fechar 2009 com alta entre 3% a 4% ante a 2008.
O motivo do incremento de vendas apresentado pelo presidente do Simabin (Sindicato das Indústrias de Massas Alimentícias e Biscoitos de Manaus), Americo Augusto Esteves, foi o aumento de consumo dentro dos lares e pela versatilidade e praticidade dos produtos regionais. Outro fator que contribuiu para a boa performance do setor neste ano está no fato de os preços desses produtos terem se mantido praticamente estabilizados.
Vale lembrar, conforme dados da indústria nacional, que o aumento dos custos dos insumos forçaram as empresas de biscoitos e massas alimentícias a realinharem seus preços a partir de abril, quando os produtos passaram a ser vendidos com reajustes entre 10% a 15%. Foi o primeiro e único aumento do ano, pois o setor vinha mantendo os mesmos preços praticados desde agosto do ano passado.
Esteves admite ter havido aumento no preço das embalagens e da mão-de-obra, cuja data-base, em abril, levou as empresas a fazerem o repasse de 100% do IPC (Índice de Preços ao Consumidor).

Cadeia verticalizada

Segundo Americo Augusto Esteves, o mercado local recebe boa parte do que é consumido de outras regiões, principalmente do Nordeste, região onde as grandes industrias têm a cadeia de produção verticalizada, com moinho de trigo, fábricas de gordura e embalagens e com uma logística que permite vender para todo o território nacional. É diferente do que ocorre com as indústrias locais que, segundo o dirigente, dispõem de um único moinho no Estado. “Que também verticalizou seu processo com uma indústria de biscoitos e massas no interior do Pará e com distribuição em Manaus”, informou.
Segundo Esteves, empresas locais como Modelo, Rainha e Lisbomassa conseguem atender praticamente 35% da demanda de mercado, diluído em sua grande maioria por marcas nordestinas e do Sudeste do país.

Segmento fatura mais de R$ 7,41 bi em todo o país

O presidente do Simabin chama a atenção para o aspecto tributário do setor, cujas indústrias locais não têm diferencial de incentivos fiscais em relação ao restante do país. Ou seja, com a guerra fiscal dos Estados todos gozam dos incentivos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e também de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Quando vendem para Manaus contam com a isenção de PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição Financeira para o Financiamento da Seguridade Social) e do ICMS repassando os valores na nota fiscal.
Com isso, Esteves aponta que os produtos regionais perdem a competitividade e seus preços se tornam elevados, o que, atrelado à escala de produção baixa ante os grandes fabricantes do país, deixa a indústrial local em desvantagem. “O incentivo fiscal dado para as fabricantes locais não compensa produzir em grande escala para vender para outras regiões do país”, afirmou.
A Modelo, que tem como carro-chefe a produção de biscoitos, principalmente Cream Cracker e a bolacha redonda (de motor) tem boa penetração no mercado regional. Com distribuição própria, a empresa abastece todo o Estado do Amazonas, principalmente as redes de supermercados, além de atender também o interior dos estados do Pará, do Acre e de Roraima.
A previsão do setor como um todo para 2010 é de crescimento do mercado local. Americo Augusto Esteves disse que as fabricantes estão apostando nos produtos de forte apelo regional para driblar a concorrência externa.

Mercado nacional

Dados do Simabesp (Sindicato de Biscoitos e Massas Alimentícias do Estado de São Paulo) apontam que o mercado de biscoitos movimenta mais de 1,13 milhões de toneladas anualmente e tem um faturamento em torno de R$ 7,41 bilhões, o que coloca o Brasil na posição de segundo maior produtor mundial. Este setor está composto por 600 indústrias, sendo que as 20 maiores representam 70% do mercado. As vendas de biscoito em nosso país representam 10% do consumo mundial. O biscoito já está presente em 98% dos lares brasileiros.
O consumo anual per capita do consumidor brasileiro tem se situado em torno dos 6 quilos nos últimos cinco anos. No que se refere às massas, o Brasil detém o terceiro lugar no ranking dos países produtores, com um total de 1,3 milhões de toneladas produzidas em 2007 e um faturamento de R$ 4,67 bilhões. O consumo per capita anual é de 5,8 quilos.
Biscoitos ou bolachas são definidos pelo Simabesp como produtos obtidos pela mistura de farinha(s), amido(s) e ou fécula(s) com outros ingredientes, submetidos a processos de amassamento e cocção, fermentados ou não.

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