Mário Frota considera Balbina ineficiente e pede sua desativação

A eficiência e a importância da Hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo (a 107 km de Manaus), está sendo questionada pelo vereador Mário Frota (PDT), que a considera como o maior desastre ecológico do mundo, uma vez que responde por menos de 20% do abastecimento de Manaus e, possivelmente, não abasteça nem o Distrito Industrial. Segundo o vereador, trata-se de uma oportunidade para que se abram as suas comportas e, na região hoje alagada, fossem plantadas árvores nobres, como o mogno, para gerar emprego e renda. A sugestão foi dada durante uma audiência pública ocorrida na Assembleia Legislativa, que discutiu as mudanças climáticas, principal tema da importante Conferência das Nações Unidas em Copenhague, de 7 a 18 de dezembro.
Em Copenhague, o Brasil deverá apresentar propostas como a remuneração pela árvore em pé. A audiência foi solicitada pelo senador Jefferson Praia (PDT-AM), que estava acompanhado dos deputados federais Lupércio Ramos (PMDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB), vice- vice-presidente da CMMC (Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas), formada por 12 senadores e 12 deputados federais. Durante a audiência, que reuniu ainda representantes da FAS (Fundação Amazônia Sustentável), Frota sugeriu que a sua ideia fosse levada em conta no relatório da Comissão, para uma possível negociação com os países ricos que já destruíram suas florestas e mangues.
De acordo com Mário Frota, há mais de uma versão para a área onde foi construída a hidrelétrica de Balbina, em 1989. “Uns falam em 2.600 quilômetros quadrados que foram devastados para a construção do lago onde nem a madeira foi retirada. Inundaram e isso é um crime ambiental”, disse o vereador, lembrando que Balbina está entre os dez maiores lagos artificiais do planeta. “E para quê? Para produzir 3% do que produz Tucuruí, numa área bem menor. O lago de Balbina é tão grande porque é uma planície, não tem queda d´água. Fizeram a barragem no rio Uatumã, a água subiu e inundou uma área muito grande, talvez a maior do mundo”, afirmou.

Solução negociada

Para justificar a abertura das comportas de Balbina, portanto a sua desativação, Mário Frota explica como isso pode vir a acontecer. “Minha proposta é que se abram as comportas de Balbina, mas não agora. Tem de haver uma solução negociada. Nós gastamos 1 bilhão de dólares. Então, vamos lá fora, atrás desse dinheiro, para abrirmos as comportas e trazermos novas opções como a construção de termelétricas movidas a gás, que é uma energia mais limpa”, explicou.
De acordo com o vereador, a abertura das comportas representa a criação de um novo cenário natural. “Esta atitude deixaria a floresta se refazer de uma forma mais espetacular, aproveitando a vazante que vai ocorrer, para adensar a região com espécies nobres, uma riqueza para o futuro”, disse Frota.
Mário Frota diz que à época da construção do projeto Balbina apenas ele e o senador Evandro Carreira, do Amazonas, foram contra a construção do lago que deixou debaixo da água toda a madeira. Ele chegou a falar com o próprio presidente da República da época, José Sarney, de quem ouviu que não podia voltar atrás, do contrário nunca mais poderia pisar no Amazonas, tanto era a expectativa favorável.
À época, segundo Frota, a principal tarefa de Balbina era ser uma salvação para a Zona Franca de Manaus, com a produção de energia, mas na verdade provocou-se um desastre ambiental, insistiu.
“A floresta morreu e criou-se aquela paisagem infernal, dantesca. Um inferno. E o que aconteceu? A produção do gás carbônico é enorme, em razão da madeira que está apodrecendo debaixo da água. É muito maior do que a produção de umas dez termelétricas”, afirma Mário Frota. “Os militares não consultavam a sociedade. Eram os tecnocratas militares de um lado da mesa e de outro os empreiteiros, que queriam tocar o negocio, muito importante para eles. E parte da imprensa entrou nessa canoa furada de que Balbina era a solução para Zona Franca de Manaus”.

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