Marcelo Válio analisa a síndrome de Burnout em seu novo livro

Pesquisa realizada pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) entre os dias 20 de março e 20 de abril, em 23 estados, com 1.460 pessoas, mostrou que o isolamento social provocou o aumento em 80% os casos de depressão, ansiedade e estresse, alguns dos sintomas presentes em quem sofre da síndrome de Burnout, e que podem ter piorado entre os empregados que, mesmo durante a pandemia, sofreram (e estão sofrendo) cobrança por parte dos seus empregadores.  

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a síndrome de Burnout não é uma doença ou condição médica, mas um fator, uma síndrome que influencia nossa saúde. Três características a identificam: sentimentos de exaustão, distanciamento mental do trabalho e pior desempenho profissional. Se não tratados, esses sintomas podem ser apenas o começo do problema.

A editora LTr acaba de lançar o livro ‘Síndrome de Burnout e a responsabilidade do empregador’, escrito por Marcelo Válio, referência nacional na área do direito dos vulneráveis (pessoas com deficiência, autistas, síndrome de Down, doenças raras, Burnout, idosos, doentes e empresarial humano).

Marcelo é autor de quatro livros, palestrante e professor, atua em defesa da população vulnerável, com grande embasamento técnico no direito médico, direito do trabalho e direito empresarial humano. Nessa entrevista ao Jornal do Commercio, ele explicou um pouco mais sobre o conteúdo de seu mais recente trabalho.

Jornal do Commercio: A síndrome de Burnout só afeta quem se excede no trabalho? 

Marcelo Válio: A síndrome é uma situação decorrente do trabalho e inerente ao trabalho (CID 10 Z73). O excesso de trabalho é uma das causas que poderá gerar e desencadear a síndrome de Burnout. Ela tem fundo psicológico e é caracterizada pela manifestação do esgotamento físico e mental, causado pelo estresse no ambiente de trabalho e nas relações profissionais. Os agentes estressores vão acometendo as pessoas de forma lenta e gradual, tornando-as incapacitadas para o trabalho, seja temporária ou permanentemente.

JC: Quais são os primeiros sintomas da síndrome e até que ponto podem chegar? 

MV: Os sintomas são diversos, mas para a configuração da síndrome devem ser concomitantes. Os sintomas mais comuns são cansaço excessivo, dor de cabeça, enxaqueca, transpiração constante, fadiga, pressão alta, alteração dos batimentos cardíacos, dor muscular, problemas gastrointestinais, dificuldade em respirar, alergia e coceira crônica na pele, depressão, ansiedade, desânimo acentuado, dificuldade de sentir prazer, dificuldade de raciocinar, irritabilidade, preocupação constante, alterações do sono, sentimento de incapacidade ou inferioridade, falta de motivação e falta de criatividade. Nas situações mais graves é possível até o suicídio ou sua tentativa.

JC: Como o isolamento social fez com que pessoas desenvolvessem essa síndrome?

MV: O isolamento social gerou enorme cobrança e medo nas pessoas. Diante dessa situação, a cobrança, excessos e pressão são as causadoras de sintomas que estão gerando a configuração da síndrome de Burnout. Os empregadores com medo de falirem, infelizmente, estão excedendo seu poder diretivo, praticando atos ilícitos causadores da Burnout.

JC: Que outras doenças podem vir no bojo, junto com a síndrome de Burnout?  

MV: A síndrome se configura através de vários sintomas que, muitas das vezes, são doenças conforme a OMS, como por exemplo, depressão profunda, alergia, cardiopatia, entre outras. Exatamente por serem vários os sintomas, a pessoa deve procurar um especialista para que este consiga diagnosticar com certeza a síndrome.

JC: 33 milhões de brasileiros sofrem desse problema. Como se chegou a esse número? 

MV: Os números resultaram de uma pesquisa científica realizada pela Isma/Brasil (International Stress Management Association), e infelizmente estão passando por uma onda de crescimento entre as pessoas por conta da covid-19. A pressão no home office, as incertezas em relação ao futuro e o medo da demissão fizeram com que os trabalhadores se sobrecarregassem ainda mais e desenvolvessem uma série de doenças, incluindo a síndrome. 

JC: O que fazer para se livrar dessa situação, que é psíquica?

MV: É indispensável o acompanhamento médico em psiquiatra e em psicoterapia hábil. É essencial a busca por um profissional da área, pois só, dificilmente a pessoa conseguirá se livrar do problema.

JC: Quem deve ler seu livro, e por que?

MV: Toda e qualquer pessoa, ou empresa, que visa a legalidade do trabalho e a preservação da vida do ser humano. Deve ler tanto quem se sente com essa síndrome quanto quem conhece alguém que a sente. O objetivo do livro é ajudar essas pessoas.

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