Marcellus Campêlo diz que falta de oxigênio durou dois dias

Foto: EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO

Em depoimento à CPI da Pandemia do Senado, o ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo disse, ontem, que encaminhou quatro pedidos ao governo federal pedindo ajuda para evitar o colapso de oxigênio no Estado durante a fase mais aguda da pandemia na região.

Segundo ele, os ofícios foram encaminhados ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em 9, 11, 12 e 13 de janeiro. E, nos dias 14 e 15, mais de 30 pessoas morreram por falta do insumo no Estado, principalmente na capital, Manaus.

“A partir de 9 de janeiro, enviamos diariamente ofício ao Ministério da Saúde pedindo apoio em relação a essa questão da logística de oxigênio. Não houve resposta, que eu saiba”, contou Campêlo.

CPI da pandemia realiza oitiva do ex-secretário de Saúde do Amazona – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

As declarações do ex-secretário do Amazonas suscitaram muitas discussões. Ele foi alvejado por senadores da oposição e até pelos governistas que costumam sair em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O depoimento de Marcellus Campêlo foi o primeiro sobre a conduta dos Estados e municípios no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Antes só o governo federal tinha sido objeto das atividades da comissão que investiga as medidas de combate à crise sanitária e a aplicação dos recursos liberados pela União. E ainda busca identificar e responsabilizar os culpados pelas mais de 460 mil mortes de pessoas vitimadas pela Covid-19.

Sobre o Amazonas, a CPI da Pandemia investiga principalmente o colapso na rede pública de saúde do Estado no início deste ano, quando explodiu a segunda onda de contágios, o desabastecimento de oxigênio e a morte de pacientes por falta do item essencial no tratamento aos doentes de coronavírus.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), vice-líder do governo e um ferrenho defensor do presidente Jair Bolsonaro, disse que o governo do Amazonas cometeu “crime de responsabilidade” ao não firmar com antecedência um novo contrato com a empresa With Martins, fornecedora de oxigênio, para evitar a crise de desabastecimento.

Colapso

O senador Marcos Rogério avalia que o colapso da saúde no Amazonas foi agravado pelos escândalos de corrupção registrados desde 2019. Segundo o parlamentar, o setor estava em crise, com hospitais sem infraestrutura e pessoal.

“Houve absoluta falta de previsibilidade. Escolheu expor a população do Amazonas ao risco de morte, e foi isso o que aconteceu. Por irresponsabilidade administrativa”, afirmou o parlamentar.

O ex-secretário Marcellus Campêlo disse, ainda que telefonou a Eduardo Pazuello no dia 7 de janeiro e pediu “apoio logístico” para a transferência de 300 cilindros de oxigênio de Belém para Manaus. A ligação ocorreu após um encontro em que representantes da White Martins sugeriram a compra do insumo “diretamente de outro fornecedor, capaz de aumentar a disponibilidade do produto”.

“Sobre o oxigênio, especificamente, eu fiz uma ligação ao ministro Pazuello no dia 7 de janeiro, explicando a necessidade de apoio logístico para trazer oxigênio a pedido da White Martins. A partir daí, fizemos contato com o Comando Militar da Amazônia, por orientação do ministro, para fazer esse trabalho logístico”, informou.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que há “uma óbvia contradição” entre os depoimentos de Campêlo e Pazuello. Isso porque, segundo o ex-ministro da Saúde, o alerta sobre o risco de colapso de oxigênio só ocorreu no dia 10 de janeiro durante uma visita a Manaus — e não no dia 7.

Parlamentares governistas, no entanto, minimizaram a divergência de datas. Para o líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), “essa contradição não é importante” porque o telefonema de Campêlo a Pazuello “não tratou do risco de desabastecimento de oxigênio”.

“No dia 7 de janeiro, o secretário liga para Pazuello e solicita o transporte aéreo de cilindros de Belém para Manaus. O transporte foi executado pela Força Aérea no dia 8. Não foi tratado de risco de desabastecimento”, reforçou o senador Jorginho Mello (PL-SC) durante o depoimento do ex-secretário de Saúde do Amazonas. A CPI retoma os trabalhos nesta quarta-feira (16).

Foto/Destaque: Edilson Rodrigues / Agência Senado

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