Mão de obra barata é aqui

O novo cenário da covid-19 fez com que muita gente perdesse o emprego. Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua mostram que a taxa de desocupação dos brasileiros subiu de 11% no início do ano para 13,3% em junho.

Se conseguir emprego no Brasil pode estar difícil, o mercado lá fora se mostra uma opção para quem fala inglês. Nos últimos meses, houve mudanças significativas em favor disso. O aumento da disponibilidade de companhias com opções de contrato remoto é uma delas. Ao colocar o funcionário em casa, mantendo o contato apenas por videoconferências e apps de mensagens, empresas também quebram a barreira local e podem contratar fora de suas fronteiras.

De acordo com levantamento da FIA (Fundação Instituto de Administração) de abril deste ano, 46% das companhias brasileiras adotaram o regime de home office. A estatística também se confirma em outros países, com 56% dos trabalhadores norte-americanos também em regime remoto.

“Eu vejo uma mudança interessante com a pandemia. Comparando antes e depois, eu passei a receber muito mais propostas no LinkedIn desde quando isso tudo começou. E tenho repassado muita coisa a colegas também”, revela Felipe Machado, engenheiro de software que atualmente trabalha para a BairesDev, de São Francisco.

Junto ao momento de home office fazendo com que empresas olhem para fora de seus países, o Brasil se posiciona como um país atrativo para contratações. Isso porque a nossa moeda se enfraqueceu nos últimos meses, barateando a mão de obra por aqui.

Só em comparação ao dólar, o real desvalorizou 37% desde o início do ano, permitindo que empresas necessitem de menos para contratar um brasileiro.

Bom momento para quem? 

O home office ainda não é uma opção para todo tipo de trabalho. Para começar, é preciso que se tenha uma estrutura mínima em casa, com computador e uma boa conexão à internet — de acordo com a Pnad Contínua, 25,3% dos brasileiros ainda não contam com rede em casa.

O cenário, contudo, se mostra positivo para quem trabalha com tecnologia e, claro, fala inglês. A Kokku é uma empresa de Recife, com mais de 90 funcionários, trabalhando para gigantes do desenvolvimento de games estrangeiras. A especialidade da companhia é exatamente oferecer suporte em arte, desenvolvimento e programação para jogos. No portfólio, a companhia conta com trabalhos junto à Guerrilla Games para Horizon Zero Dawn, um dos mais importantes títulos do PlayStation 4.

Atualmente, todos os empregados trabalham em regime de home office. Segundo o CEO da companhia, Thiago de Freitas, o enfraquecimento do real, no caso deles, é positivo, mas é preciso ficar de olho: “Como o câmbio flutua muito, a gente sempre fica atento, pois trabalhamos com projetos de longo prazo. Ou seja, não dá para dar descontos baseado no bom momento do dólar. Essa atitude poderia levar a um risco para nós”.

O setor de games é um dos que apresentou crescimento desde o início da pandemia e se mostra fértil para contratação. Um compilado do Journal of Behavioral Addictions, de abril deste ano, aponta que a Verizon, nos Estados Unidos, relatou 75% de aumento na atividade em games na pandemia. Já na Itália, um dos epicentros da disseminação da covid-19, houve crescimento de 70% em jogadores de Fortnite.

Outro setor que também se mostra fértil para quem quer trabalhar fora é o de tecnologia da informação e desenvolvimento. Mateus Gomes é desenvolvedor e presta serviço para uma companhia estrangeira desde 2017, trabalhando atualmente em uma plataforma de e-learning. O setor de ensino à distância também teve destaque ao passo que estudantes não puderam mais ir às universidades e escolas para acompanhar as aulas.

“A gente inclusive contratou durante o período. Hoje, eu trabalho com gente de toda parte, sendo que a maioria são de uruguaios. Não importa muito de onde você é, desde que consiga fazer o trabalho”, brinca Gomes.

Até quando? 

Alberto Lopes é diretor de parcerias da Kokku e um dos responsáveis por contatos com empresas lá fora. A companhia do Recife, embora esteja em regime de home office, não deve se manter assim depois que a pandemia passar.

A questão não está exatamente na escolha da Kokku, mas na demanda dos clientes. Como a empresa trabalha com propriedade intelectual de terceiros, há uma dificuldade em manter a segurança quando o funcionário está em casa. “Nossos clientes têm demonstrado que querem que voltemos para o regime presencial, claro, quando for possível. Mesmo com a gente tendo visto maior produtividade com as pessoas em casa”, aponta Lopes.

Com isso, tanto ele quanto Freitas esperam que as companhias estrangeiras agora possam contratar em home office para um regime presencial no ano que vem.

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