Manter a saúde mental em tempo de pandemia

Neste momento muitas pessoas estão se sentido abaladas, perdidas, sem saber o que fazer, emocionalmente instáveis e precisando de ajuda para ter e manter sua saúde mental apesar de tantas notícias de perdas, incertezas, enfermidades e tantas outras em torno de nosso cenário político, econômico e do coronavírus.

Este artigo não tem a pretensão de substituir a busca por ajuda profissional, muito menos promover autoajuda em um campo tanto delicado que é a saúde mental, mas ser fonte de informação e reflexão que possa inclusive instigar e estimular o cuidado e atenção que todos merecemos em momentos com este.

Quero inclusive reforçar que tudo bem se você está com medo, que está tudo ok se você não tem sentido tanto ânimo, que se apresentar vulnerável é uma fortaleza que ajudará você a procurar realmente cuidados para não agravar o que já é desafiador. Aceite o fato de que você pode não estar bem, encontre pessoas e profissionais confiáveis que possam realmente ajudar, aproveite para entender suas angústias, dúvidas, dificuldades e avance.

Para começar, de forma simples e em poucas palavras, quando falamos de saúde estamos nos referindo a boa disposição física e psíquica, ou seja, corpo e mente em bem-estar. Quando falamos de saúde mental relacionamos a qualidade cognitiva e emocional.

Dentro da perspectiva da psicologia positiva podemos dizer que inclui a capacidade do indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a força psíquica. O menos complexo possível, quando o indivíduo reconhece suas próprias habilidades, pode lidar de forma produtiva com o stress do dia a dia e contribuir de forma favorável e ecológica com seu entorno, podemos dizer que tem saúde mental.

Perceba que neste momento, a carga de alerta a que estamos submetidos, com relações diminuídas pelo isolamento social, com as dúvidas e incertezas se vamos conseguir, muitas pessoas têm mergulhado em uma espiral de estressores e se sentindo incapazes de sair, levando a surtos de ansiedade e outros.

Como digo, neste instante em que vivemos a baixa visualização de terrenos seguros no amanhã, pode desencadear um alto grau de stress e é por isso que precisamos estar atentos aos sinais emocionais e realizando ações que nos ajudem a manter nossa saúde psíquica. Um passo importante é nos transformarmos por meio de nossos pensamentos, nos transformar em nossa mente para lidar melhor com o diálogo interno e este ser fonte de melhores sensações, nos blindando ao vermos e ouvirmos tantas notícias tristes. Vamos revigorar nossa mente de tudo que é bom, digno, puro, agradável.

Sei que não é uma tarefa fácil e também não é que sejam pensamentos fora da realidade. Temos consciência de que são tempos difíceis, é certo que a dor da perda é física, além de emocional, não precisamos reforçar que não ter emprego e ter dúvidas sobre a fonte de renda no futuro torna o amanhã uma grande interrogação, mas e outros fatos que podem ser percebidos? Foque no que tem e não no que falta, alimente-se das oportunidades e não das perdas, registre pensamentos de esperança e não de descrença.

Se não conseguir fazer isso sozinho, procure pessoas mais otimistas e peça para que elas reforcem o que você precisar ver e que não está enxergando, encontre livros de estímulo e empoderamento, faça cursos online gratuitos de inteligência emocional, assista filmes de vencedores, e claro, procure ajuda profissional se não tem conseguido realizar sozinho as ações para sua saúde mental. O importante é fazer o que precisa ser feito. Você é único, tem uma história linda para contar, tem uma identidade incrível a ser ainda mais revelada e todo este momento pode fazer você ser ainda maior, ainda melhor.

Lembre-se que os sentimentos dão cor à nossa vida. Eles moldam nossa personalidade e dão significado às nossas experiências. Permita-se sentir e ao entender e acolher o que sente pode ajudar a ser mais criativo e se conectar com mais amor às outras pessoas.

Um ponto importante do sentir é o autoconhecimento. Muito das nossas emoções aparece nas sensações. Investigue as sensações que estão em você neste momento. Uma dor no estômago de desconforto, nó na garganta de tristeza, mãos frias e coração acelerado de ansiedade, pernas trêmulas de stress. Quando você para um pouco e se conecta com você, começa a perceber melhor como suas emoções estão se manifestando em seus pensamentos e em seus sentimentos.

Não se concentre no que você não pode controlar, mas dê significado bom ao que você pode aprender com o que sente. Como? Vamos pensar no medo. Você tem medo neste momento? Que bom! Bom mesmo, porque o medo em seu aspecto positivo fará você ter mais cuidado com sua saúde, deixará você alerta para ficar em casa, sair com máscara, lavar as mãos e tantas outras recomendações para sua saúde física. O medo serve para autoproteção. Aceite o medo, entenda o que ele quer fazer de bom para você e continue avançando.

O problema não é o medo. Pense no medo vindo pelo estímulo recebido de perigo e isto é ótimo, manterá você atento, ao invés de fugir ou lutar, que tal cuidar-se para o perigo não o atingir, e transformar este medo em coragem, de quem tem visão da realidade e de forma consciente escolhe ter os pensamentos de auto cuidado e continuar evoluindo.

Nesta direção é bom lembrar que não precisamos reprimir e ignorar o que estamos sentindo, por isso é saudável entender as causas e ver se estão de acordo com o seu momento particular de vida. Por exemplo, porque estou triste? Quando é por razões naturais (perda, dor, doença), preciso me dar um tempo para expressar esta tristeza, elaborá-la até que esteja pronto para seguir adiante depois deste processo. Em um dos artigos deste mês escrevi sobre as fases do luto e espero que possa ajudar você.

Reforço então que, em nenhum momento estamos falando de pensamentos positivos fora da realidade ou emoções negligenciadas, inclusive porque é certo que pensamento por mais otimista que seja, sem ação, não transforma. No fim, o que sabemos é que todos vão sair perdendo algo. Ninguém está isento. A diferença é que alguns passarão mais tempo no sofrimento, e outros, vão sentir a dor e aprender com ela.

*Cintia Lima é Psicóloga, Master Coach e Mentora Organizacional [email protected] – 92 981004470

Fonte: Cíntia Lima

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