Manobra governista para adiar votação irrita os aposentados

Com muito barulho, um grupo de aposentados protestou na quarta-feira no plenário da Câmara dos Deputados, contra a decisão da base aliada governista de impedir a votação da emenda que garante a todos os beneficiários da Previdência Social o mesmo aumento concedido ao salário mínimo.
Os governistas não querem votar a matéria porque acreditam que, se for aprovada, vai provocar impactos da ordem de R$ 6 bilhões nas contas públicas somente em 2009.
Irritados com a decisão dos governistas, os aposentados encheram as galerias do plenário. Aos gritos de “vota, vota”, cobraram do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), a análise da matéria. Constrangido, Temer atribuiu aos líderes partidários a decisão de adiar a votação do texto.
“Propus que dialogassem, assim é que se faz a democracia. Mas agora, (vocês) devem procurar as lideranças no sentido de obter a votação desse projeto. Peço que tenham respeito por essa sessão”, cobrou Michel Temer.
O senador Paulo Paim (PT-RS) incluiu a equiparação no projeto que estabelece a política de valorização ao salário mínimo, o que complicou os líderes governistas na Câmara. Numa manobra, a base aliada pediu mais tempo para analisar uma medida provisória que trata de centrais elétricas – o que impede a votação do projeto porque a MP tranca a pauta da Casa.
“Se acoplarmos as aposentadorias de um salário mínimo às demais, os governos seguintes não vão conseguir manter a política do presidente Lula. Até 2023 queremos inflação do ano mais o PIB (como correção do mínimo). Agora, isso aí é um canto de sereia. Os aposentados pensam que estão ganhando, ganham no primeiro ano e começam a perder a partir do ano seguinte”, disse o líder do PT, Cândido Vacarezza (SP).
Os líderes governistas reconhecem, nos bastidores, que terão dificuldade em rejeitar a matéria no plenário uma vez que a maioria dos deputados não quer enfrentar desgastes com os aposentados em ano pré-eleitoral. Por esse motivo, retiraram o tema de pauta. Sem a aprovação, a base poupa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do desgaste de vetar a iniciativa no ato da sanção da nova lei.
Desde cedo, os aposentados lotaram corredores da Câmara para pedir aos deputados a votação da emenda. Os idosos reclamaram do governo federal, uma vez que coube à base aliada retirar a matéria de pauta.

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