17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Manifestações mostram clamor social

Governador Eduardo Campos disse que os governo precisam ‘abrir os ouvidos à sociedade’ para dar oportunidade ao diálogo

No dia seguinte aos protestos que eclodiram em diversas cidades do país, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) disse que é preciso que os governos “abram os ouvidos à sociedade” e aceitem dialogar para ouvir a pauta de reivindicações dos manifestantes, a quem chamou de “brasileiros que querem melhorar o Brasil”.
“É fundamental saber dialogar. É fundamental que os governos abram os ouvidos à sociedade, sentem e possam encontrar os caminhos e entendimentos”, afirmou.
Possível adversário de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais do ano que vem, Campos disse acreditar que a presidente esteja disposta a ampliar o diálogo.
O governador afirmou que a “pauta do século 21” mudou, que as pessoas estão em busca de uma “melhoria na qualidade de vida”, mas que nem todos os políticos e movimentos sociais estão “conectados” com os anseios do povo. “Alguns, efetivamente, estão completamente desconectados”, disse.
“É claro que essa não é só uma busca por redução de centavos nas passagens. É uma busca mais complexa, é uma pauta muito mais ampla do que essa”, disse.
Apesar da ponderação, Campos convocou a imprensa na última hora hoje para anunciar redução de dez centavos em todas as tarifas de transporte público no Recife e na região metropolitana. Com o desconto, a passagem mais barata custará R$ 1,40 e a mais cara, R$ 3,35.
O benefício poderia ter sido dado desde o dia 1º de junho, quando o governo federal concedeu isenção das alíquotas de PIS e Cofins para o setor de transporte público.
O governador, no entanto, disse que a redução estava sendo estudada e passará a valer na quinta-feira, data em que está previsto um protesto no Centro do Recife.

Novo discurso

Campos lembrou que já participou de manifestações nas ruas e disse que protestaria se não fosse governador. “Se eu tivesse a idade deles e não tivesse essa função [governador], eu iria [ao manifesto], como fui a outros”, afirmou.
O governador disse que a Polícia Militar não usará a força “em hora nenhuma” durante a manifestação de quinta-feira.
A postura atual diverge da que adotou em janeiro do ano passado. Durante manifestações no centro da cidade, houve forte repressão policial ao movimento estudantil.
Uma garota levou uma gravata e policiais usaram balas de borracha e bombas de efeito moral contra os manifestantes. O governador acompanhou os protestos dos Estados Unidos, onde cumpria agenda administrativa.
Quando retornou ao Brasil, criticou manifestantes por apedrejarem ônibus – -apesar de não ter havido registro de depredação- – e saiu em defesa da ação policial.
Diante da repercussão negativa, convocou os estudantes à sede do governo e pediu desculpas por “por qualquer ação arbitrária cometida pela polícia”.

PT adia ato com Lula em Goiânia

O PT decidiu adiar ato político previsto para quinta-feira em Goiânia que teria a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente Dilma Rousseff também era aguardada no seminário, alusivo aos 10 anos do partido no governo federal.
Embora a direção petista no Estado aponte problemas de agenda de Lula, que prepara viagem à África, manifestantes fariam na capital goiana um protesto pela tarifa zero em frente ao centro de convenções onde ocorreria a atividade.
Organizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Perseu Abramo, o seminário trataria do tema “Desenvolvimento Urbano e Sustentável” e contaria com palestra de Fernando Haddad. As manifestações de ontem carregaram diversas bandeiras além de questionar as tarifas do transporte coletivo – -da ética na política a investimentos em saúde e contra gastos da Copa de 2014.

Dilma diz que ‘Brasil acordou mais forte’

Ao longo de cinco minutos de discurso no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff fez sua primeira manifestação mais contundente sobre as manifestações, elogiando o caráter democrático dos protestos, e criticando episódios isolados de violência. Segundo a presidente, “o Brasil tem orgulho deles [dos manifestantes pacíficos]”.
“O Brasil hoje acordou mais forte. A grandeza das manifestações de ontem comprovam a energia da nossa democracia, a força da voz da rua e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos, o neto, o pai, o avô, juntos com a bandeira do Brasil, cantando o hino nacional, dizendo com orgulho “eu sou brasileiro” e defendendo um país melhor. O Brasil tem orgulho deles”, afirmou a presidente, durante a apresentação do novo marco regulatório da mineração, no Palácio do Planalto.
A presidente elogiou, ainda, a postura das forças policiais nas manifestações de ontem, em mais de uma dezena de capitais brasileiras – entre elas, Brasília, em que manifestantes ocuparam o terraço do Congresso Nacional, ao lado do Palácio do Planalto.
“Devemos louvar o caráter pacífico dos atos de ontem. O caráter pacífico dos atos públicos de ontem evidenciou também o correto tratamento dado pela segurança pública à livre manifestação popular. Conviveram pacíficamente. Infelizmente, porém, é verdade, aconteceram atos minoritários e isolados de violência contra pessoas, contra o patrimônio público e privado, que devemos condenar e coibir com vigor. Sabemos, governo e sociedade, que toda violência é destrutiva, lamentável e só gera mais violência. Não podemos aceitar jamais conviver com ela”, disse.

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