Manifestações aceleram crise no setor

Empresários e consumidores estão retraídos quanto às compras no primeiro semestre do ano. Seja na hora de investir nos negócios ou de adquirir mercadorias, bens ou serviços na atual conjuntura econômica, de incertezas, diante de uma crise. O mês passado já entrou para a história com o forte impacto político causado pelas manifestações populares de junho. Com isso, o mercado de consumo no país, que movimenta por ano mais de R$ 2 trilhões, fecha o primeiro semestre num cenário pouco animador e adia a previsão de recuperação para a segunda metade do ano.

Comércio se retrai

Em Manaus há sinais de que o comércio permanecerá afetado de forma negativa com as manifestações populares. De acordo com o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas) Ismael Bicharra Filho as manifestações populares inicialmente foram apoiadas pelos empresários do comércio varejista de Manaus, no sentido de liberar seus funcionários para participarem de forma pacífica e ordeira, sempre com o foco na segurança da população em geral e do patrimônio, seja privado, público ou histórico. Mas diante da sequência de manifestações que acometeu a população em todo o país, o comércio principalmente no centro da cidade, precisou antecipar o encerramento de suas atividades a cada nova manifestação, como medida preventiva de segurança e sofreu com as consequências negativas do baixo volume nas vendas em um mês atípico, de férias escolares, em que famílias viajam e a cidade naturalmente se esvazia. “O período da tarde é o de maior movimento e de faturamento, até porque é o horário em que as repartições públicas, principalmente os bancos, estão liberando as pessoas às 15 horas e normalmente nesse horário o fluxo de clientes no comércio aumenta sensivelmente”, lembrou.

Movimento desvirtuado

Segundo Ismael Bicharra houve dois dias em que o comércio ficou fechado à tarde no centro da cidade e em todo o trajeto da manifestação, que inclui os shoppings localizados no corredor da av. Djalma Batista. “Todos fecharam as portas imaginando que fosse haver atos de vandalismo, como aconteceu na Compensa”, relatou e ainda afirmou que de uma forma ou de outra a ação foi muito prejudicial e faz um alerta: “O que nos preocupa muito é que o movimento está sendo desvirtuado de sua função, porque está sendo programada para o próximo dia 11 uma paralisação geral, afetando o trafego aéreo, os ônibus, os metrôs e fechar as lojas. Quer dizer que as reivindicações da população que são contra a desigualdade, a falta de ética, da corrupção provocada pelos políticos estão completamente sendo desvirtuadas para causar mesmo um prejuízo ao país”, frisou.

Manifestantes querem prejuízos

Ismael Bicharra é contra qualquer ação que venha a cousar danos à economia do país. “Paralisação geral, não é por esse caminho que se resolve os problemas”, afirmou. Ele está surpreso com o que ouviu em uma emissora de televisão, de que o objetivo dos manifestantes é dar prejuízo ao país. “Isso não pode acontecer. Para quem é brasileiro querer que o país tenha prejuízo? Isso não é admissível”, frisou mais uma vez.
O presidente da ACA, fala sobre a incerteza na economia brasileira e internacional, quando o empresário começa a ter receio de investir no próprio negócio diante dos números projetos pelo Governo. “Hoje nós temos um ministro da Fazenda que dá informação de um número que nós temos que acreditar, com relação à inflação, ao PIB que está programado para 2,53% na comparação com 3,50% de três meses atrás. Então, como é que o empresário pode ter confiança e investir em cima dessas informações?” indagou.
Segundo Bicharra o próprio empresário está recuado nas suas compras e isso faz com que se venda menos. “Está havendo este mal-estar generalizado no pensamento do consumidor e no pensamento do empresário”, disse. No esquenta das vendas, os empresários consideram como os principais fatores o medo de investir diante do cenário que está se formando, agregando a falta de confiança. E do lado do consumidor também vem a falta de confiança e a incerteza de uma eminente crise que pode afetar sensivelmente a econômia do Brasil. “Veja o dólar de uma hora para outra aumentou mais de 10% e o Governo não consegue baixar, os juros já houve aumento, estar se fazendo uma projeção a ser discutida na reunião de amanhã, para elevar a mais 0,5%, antigamente era só 0,25%, a nossa situação atual é muito preocupante”, conclui o presidente da ACA, Ismael Bicharra Filho.

Manifestações sem rumo definido

De acordo com o presidente da CDL-M (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag com o ritmo que segue as manifestações qualquer segmento da economia do país poderá sofrer com as constantes paralisações sem objetivo definido e cada vez mais de forma descentralizada. “Todo mundo resolveu fazer manifestação e começar pelo centro comercial da cidade onde está o maior número de lojas e com isso a preocupação com a integridade dos funcionários, por isso temos que fechar as lojas”, relatou.
Segundo Ralph Assayag foi a partir deste momento que as passeatas constantes começaram a ter problema e que não trouxeram mais benefícios. Exceto a primeira que chegou direto à presidente Dilma Rousseff e fez com que decisões importantes fossem antecipadas e colocadas em prática e alerta para as prováveis demissões no setor. “Mas, num segundo momento começa a atrapalhar o setor do comércio, porque se não tem vendas, começam as demissões. Se a loja fecha não há vendas, os funcionários não recebem e todo aquele trabalho de qualificação, de investimento se perde com as inevitáveis demissões”, analisou.

Direito cerceado
Outro ponto a se considerar pelo representante da CDL-M, é o de que as manifestações constantes iniciando no centro cerceia o direito das pessoas de ir e vir, porque existe um bloqueio humano nas principais vias de acesso às lojas e da mobilidade urbana ocasionando um caos ainda maior do que já se presencia no dia a dia. Ralph Assayag enfatiza que é a favor das manifestações populares, desde que sejam pacíficas e ordeira, ele aproveita para dar sugestão: “Já que as manifestações continuam, então que sejam marcada nos locais de destino a concentração, que os manifestantes passem a manter o foco no seu alvo e não nas vias públicas que são de todos, inclusive dos que não participam da manifestação naquele momento, já que são de cunho específicos. Hoje o foco dos empresários do comércio está na segurança de todos e para todos os que circulam no centro e nos pontos comerciais da cidade”.

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