Mania de “carrão” ganha as ruas e impulsiona investimentos na indústria

A mania de carrões está ganhando as ruas do Brasil, incentivada pela melhora da renda da população, financiamentos longos e estabilidade econômica. As vendas dos chamados utilitários-esportivos (SUV, na sigla em inglês) -modelos que se assemelham a grandes jipes, porém luxuosos, com motor potente e tração nas rodas- crescem acima dos índices do mercado total de veículos num momento em que o maior consumidor desse tipo de produto, os Estados Unidos, assiste a uma baixa de negócios por causa da disparada do preço da gasolina.

Na contramão, o Brasil viu as vendas de SUVs saltarem de 41 mil unidades em 2003 para 76 mil no ano passado, número que este ano será superado. Até agosto, os negócios estavam 33% acima do resultado de igual período de 2006, com 63,3 mil unidades, e devem chegar a 95 mil unidades até dezembro. A nova opção de consumo foi notada pela indústria, que decidiu investir na produção local ou ampliar as importações.

A fábrica da Hyundai em Anápolis (GO), do empresário brasileiro Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, iniciará a fabricação do modelo Tucson no segundo semestre de 2008. Hoje importado da Coréia do Sul e oferecido a partir de R$ 84,5 mil, o veículo já vendeu o dobro em relação ao ano passado inteiro.

“O Tucson caiu no gosto do consumidor porque é um SUV compacto, tem aceleração eletrônica, vários equipamentos e é econômico”, justificou Andrade. Para produzir o veículo, que inicialmente terá 40% de peças nacionais, o empresário está investindo R$ 300 milhões na fábrica de Goiás, que já recebeu R$ 500 milhões para sua inauguração em abril. Atualmente produz a picape HR.

O executivo projeta produção anual de 24 mil modelos Tucson a partir de 2009. Andrade contou que as vendas dos utilitários Santa Fé (989 unidades até agora) e Veracruz (350 unidades), ambos feitos da Coréia do Sul, também estão fortes ao ponto de ele ter dúvidas em relação ao terceiro produto que será feito na fábrica goiana. Ele estava mais propenso a produzir um sedã médio, mas admite que o terceiro veículo da marca Hyundai a ser feito no Brasil poderá ser outro SUV.

A indiana Mahindra, que deve iniciar nos próximos dias a produção em série em Manaus após vários adiamentos, também terá entre os três primeiros veículos da família Scorpio um utilitário-esportivo que será vendido na faixa de R$ 85 mil. A Mitsubishi, vice-líder no segmento, atrás da Ford com o imbatível EcoSport, negocia com a matriz do grupo japonês a produção de mais dois utilitários no país, um em 2008 e outro em 2009.

“Ele é confortável, seguro e, no trânsito, sou mais respeitada, ninguém me fecha”, afirmou a publicitária Luciane Sabbag, 32 anos, que comprou recentemente um Kia Sportage. É seu primeiro SUV, que substituiu um compacto Peugeot 206.

Com 1,77 metro de altura, ela disse sentir-se melhor dentro do modelo adquirido por R$ 80 mil para ser pago em cinco anos. “No carro menor eu me sentia espremida.”
Segundo a Kia, foram vendidos este ano 870 Sportage importados da Coréia do Sul, uma alta de 476,1% em relação ao mesmo período de 2006.

GM tem fila de espera para um mês

Com fila de espera de até um mês, a General Motors ampliou, desde agosto, a importação de 500 para 700 unidades ao mês do Tracker, utilitário que é montado na Argentina com peças vindas do Japão. “É um segmento que praticamente não existia no Brasil, mas vem crescendo nos últimos três anos”, disse Ari Kempenich, gerente de marcas da linha Chevrolet.

“O consumo de gasolina de uma SUV média é equivalente ao de um sedã como o Vectra”, informou Kempenich. Beberrões de combustível são as grandes SUVs, mas modelos dessa categoria ainda não chegaram ao Brasil, justificam os fabricantes. Nos EUA, onde cerca de 25% da frota é constituída por grandes SUVs, há forte campanha de ambientalistas contrários a esses veículos.

Segundo eles, os SUVs poluem até três vezes mais que um carro pequeno, além de ocupar espaço maior nas vias e estacionamentos. Também causa

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