Manaus vai na contramão do país em endividamento e inadimplência

A despeito da crise aberta pela pandemia do Covid-19, o percentual de famílias de Manaus que se dizem endividadas voltou a cair em abril, após o repique de março. O mesmo pode ser dito da inadimplência e da fatia de consumidores manauenses que admitem que não vão poder honrar com compromissos financeiros. A capital amazonense seguiu na contramão do país, que assinalou altas acentuadas no mesmo período, embora com percentuais comparativamente mais baixos.

A conclusão vem dos números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), disponibilizados pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), nesta quarta (15). O levantamento considerou dívidas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel, prestações de carro e seguros. A coleta dos dados ocorreu entre 20 de março e 5 de abril, já no período das medidas mais drásticas para conter a pandemia no Brasil. 

Na sondagem, 84,8%das famílias manauenses ouvidas em abril (531.454) se dizem endividadas, patamar pouco inferior ao apresentado em março de 2020 (86,5% e 541.459), mas bem acima da marca registrada em abril de 2019 (79,8% e 493.249). Em âmbito nacional, o indicador bateu novo recorde (66,6%), superando março de 2020 (66,2%) e abril de 2019 (62,7%), além de ser o maior percentual desde o início da sondagem.

Já o índice de inadimplência em Manaus voltou a cair, após a alta de março. Pontuou 26,1% (163.494 famílias) contra os 26,6% (166.686) do mês anterior. E os números ainda seguem bem abaixo dos registrados exatos 12 meses atrás (40,8% e 252.074). A proporção de consumidores brasileiros com dívidas ou contas em atraso ficou estável em abril (25,3%), após dois meses consecutivos de aumento mas avançou em relação a abril de 2019 (23,9%).

A fatia correspondente às famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso também voltou a andar para trás em Manaus. Foi de 11,9% (74.902) em abril de 2020, contra 12,1% em março de 2020 (76.066) e 17,2% em abril de 2019 (106.046). No país, o indicador recuou, ao passar de 10,2% para 9,9%, entre março e em abril, embora tenha permanecido superior ao número do ano passado (9,5%).

Entre as famílias manauenses ‘penduradas’, 46,6% se assumem “muito endividadas” – onde predominam os consumidores com renda total de até dez salários mínimos (47,7%). Em seguida, vêm os que se dizem “mais ou menos endividados” (21,8%) e pouco endividados (16,4%) – com fatias maiores para os que ganham mais (20,6% e 16,1%, respectivamente). 

Cartão e comprometimento

Na cidade, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito. Em nível local, 87,1% das famílias estão nessa situação – contra 86,6%, no mês anterior. O percentual é maior entre as famílias com renda maior (98,6%). Carnês (48,4%) comparecem na segunda posição, elevando sua fatia em face do levantamento anterior (42,5%). O público preferencial, neste caso, é dos que recebem até dez mínimos (51,3%). 

Em média, as famílias da capital amazonense consomem 40,3% de sua renda para pagar dívidas – contra os 40,1% do mês anterior. A maioria (53,8%) compromete mais da metade de sua renda mensal com pagamento de dívidas, seguidas por aqueles que gastam de 11% a 50% (28,6%) e pelos que limitam os dispêndios a 10% de seus ganhos para esse fim (8%). No mês anterior, essas fatias foram de 51,9%, 30,8% e 7,3%, respectivamente. 

“A queda de inadimplência reflete esse momento em que uma grande parcela de lojas está fechada, o que dificulta o acesso ao crédito. Além disso, as vendas estão escassas, pois apenas uma pequena parte das empresas de comércio e serviços estão funcionando e isso é de uma carência muito grande para o abastecimento da população. É um momento de gravidade e de preocupações”, frisou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

Crédito reforçado

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNC, a economista responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, considerou que os resultados mensais favoráveis em relação à inadimplência revelam que, apesar das dificuldades com a quarentena, as famílias estão conseguindo quitar os compromissos com empréstimos e financiamentos.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que a renovação da alta do endividamento do brasileiro se baseou na ampliação do crédito. “A crise com a Covid-19 impõe ao governo a adoção de medidas de estímulo ao crédito, na tentativa de manter algum poder de compra dos consumidores. A queda expressiva dos juros e da inflação reduzem o custo do crédito e a pressão sobre a renda, incentivando o endividamento”, explicou.

O dirigente reforça a importância de se viabilizar prazos mais longos para os pagamentos ou alongamentos das dívidas, além da busca por iniciativas mais eficazes para mitigar o risco de crédito. “Assim, os consumidores poderão quitar suas contas em dia sem maiores dificuldades, afastando a piora nos indicadores de inadimplência, nos meses à frente”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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