16 de maio de 2021

Manaus, o oxigênio, a rodovia e a pirotecnia ambiental

rodovia
Divulgação

Quantas vidas teriam sido salvas se a BR-319 estivesse trafegável?! O governo federal fez um esforço extraordinário para trazer oxigênio pela Rodovia. Uma epopeia. Cada motorista e cada pessoa envolvida nessa operação mereceriam uma medalha. São heróis. Entretanto, os “ambientalistas” estão priorizando a um movimento contra a pavimentação da BR -319. Todo o planeta se solidarizou com a catástrofe inominável da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. Uma tragédia que matou pessoas por asfixia. E de quebra, mostrou que Manaus, a capital mundial da ecologia e da economia sustentável, que despeja oxigênio incessantemente para saúde climática do Brasil, tem uma estrada, a BR-319, que para fazer 800 quilômetros em 10 a 12 horas, de tão abandonada por pressões e justificativas “pseudo-ambientais, precisa de 5 dias para trazer oxigênio que salva-vidas. Há, porém, quem defenda que tudo deve continuar assim ou pior do que está.

Remota e ilhada

Somos uma cidade isolada por via terrestre, a despeito de já ter usufruído a ligação rodoviária com o resto do Brasil, de 1975 a 1988. Portanto, está há 23 anos sem manutenção necessária para seu funcionamento minimamente decente. Serviu, apenas, para a mecânica eleitoreira das promessas frustrantes. “Agora vai…”, ouvíamos com veemência e despudor a cada eleição.

Problema não resolvido cria mais problemas

A falta mortal do oxigênio e a irresponsabilidade de “alguns” para com a rodovia traduzem o descaso secular do poder público com nosso Estado, convenientemente combinado com os oportunistas. A estrada é apenas retrato da negligência e descompromisso com nossa cidadania, que pode ser reconhecida como pátria dos cidadãos de segunda classe.

A obviedade contraproducente

Como seguir falando que a BR-319 não deve ser construída? Alguns ambientalistas alegam que no trajeto existem espécies gralhas e macacos em riscos de extinção. Isso é um problema? Sim. Tem solução? Claro!!! Como é possível cuidar dos estoques da biodiversidade sem atribuir uma função econômica ao bem natural? Tribos ao longo do trajeto devem ser priorizadas pelo poder público em termos de atenção e responsabilidade civil. Não brecando seu acesso os benefícios da civilização. Foi possível ajudar a conservar mais de 95% da cobertura vegetal do Amazonas, consolidando uma economia industrial em Manaus. Ou não? Aqui geramos recursos para fiscalizar – com tecnologia e o prontidão – a conservação florestal. Não dá pra fazer sustentabilidade sem gerar riqueza.

Injustiça tributária e logística 

Essa riqueza é confiscada, há muitas décadas pelo poder público ao arrepio da Lei. De cada R$100 bilhões de valores gerados pelo Polo Industrial de Manaus, 3/4 são recolhidos pela compulsão fiscal federal e o que temos recebido de volta? Uma rodovia que, para transportar carretas que leva a Manaus o oxigênio para salvar vidas, precisa de tratores para enfrentar o lamaçal esburacado e a negligência crônica.

Esse confisco, ao longo do tempo, tem feito do Amazonas o 5° maior repassador de recursos para os cofres de Brasília, a despeito de ser considerado, pela mídia do Sudeste e seus mandantes, um paraíso fiscal das empresas. A insinuação padece de fundamentos. Na verdade, somos uma área remota que tem uma contrapartida fiscal de apenas 8% do bolo de incentivos fiscais do país. Nossa logística é muito mais cara e o custo que nos é imposto será ainda maior com a reforma fiscal em andamento.

Racionalidade e compromisso

Padecemos não apenas de infraestrutura, como é o caso da BR-319, e da falta de balizamento das hidrovias, as altas tarifas de energias e de uma comunicação de dados e voz, precária e extorsiva. E quando as coisas apertam, a fome dói e os heróis da linha de frente do combate ao inimigo sanitário carecem de equipamentos de proteção, nós estamos presente. Assalta-nos de um sentimento de dever cumprido, que se mistura ao outro lado que dá repulsa, tal o descaso e contravenção. Se nos faltam os recursos é porque historicamente o confisco explícito ou obscuro, tem direcionado a riqueza para outra direções, isso merece um basta.

Com apenas 2% dos R$25 bi repassados para União e para os cofres estaduais em 2019, teríamos, a cada ano, rodovia ou ferrovia, balizamento da hidrovia do Rio Madeira e uma logística de transporte avançados. Teríamos um satélite destinado ao setor produtivo e à academia para qualificação técnica e educacional de nossa gente. Teríamos usinas solares por todo estado, para viabilizar o aproveitamento sustentável de nossas riquezas… Chega de descaso com o interesse público, chega de proibicionismo e de pirotecnia ambiental! Está na hora de compatibilizar economia e ecologia, com transparência e honestidade. De verdade! 

(*) Wilson Périco é economista, empresário e presidente do Centro da Indústria do Estado Amazonas e coordenador da Convergência Empresarial da Zona Franca de Manaus

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo Lopes. [email protected] Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email