Tenho orgulho em ser Manauara!!! nascido lá na Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas. Como todos da minha geração, vivemos nossa juventude na década de 1970, estudei até 72 no Colégio Estadual, depois fui para UA – Universidade do Amazonas, atual, UFAM e tive a oportunidade de estagiar na Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA bem no início e em outras indústrias que aqui chegava na ZFM. Contudo, bem antes disso, quando na prima adolescência, conhecendo os espaços urbanos da cidade bem limitados em comparação como está atualmente, se limitando no máximo às zonas sul, centro-sul, oeste e centro-oeste e pouca densidade nas regiões norte e leste, tidas, na época, como zona rural.

Tanto assim, que tomávamos banho naquele igarapé ali na sete de Setembro com Major Gabriel, perto do Palácio Rio Negro, águas bem limpinhas, negras como as do Rio Negro, e até pescávamos lá. Que saudades, tempos bons que não voltam mais!!!

No início da década de 70, com a implementação do projeto Zona Franca de Manaus – ZFM e o início da industrialização, a cidade recebeu forte migração, e outras áreas e novos bairros na cidade foram surgindo, sendo que alguns através de ocupações irregulares (chamadas de invasões), tendo seu auge na década seguinte (1980), marcado de forma indelével a estratificação dessas novas zonas, pelo nível de renda dos seus moradores.

Onde se destacam os bairros de São José Operário, Zumbi dos Palmares, Jorge Teixeira (em homenagem a um dos mais competentes prefeitos que essa Manaus já teve) Santa Etelvina e Cidade Nova, formados por migrantes nordestinos, paraenses e de oriundos de outros estados da região norte e dos próprios municípios amazonenses, que vieram atraídos por ofertas de empregos de início das atividades industriais e comerciais da ZFM, mais tarde chegaram os coreanos, chineses, japoneses, americanos, dentre outros.

Nessa década, a capital do Amazonas obteve o maior crescimento populacional da região norte do Brasil. Essa intensa ocupação dessas áreas contribuíram para que sua área urbana perdesse muito de sua cobertura vegetal, agravando-se nos dias atuais.

O crescimento urbano de Manaus concentra-se, sobretudo, na zona norte para onde a cidade ainda possui áreas de crescimento horizontal. O que todos manauaras lamentam foram as perdas de patrimônio cultural arquitetônico que se teve nesses 52 anos de vigência da ZFM, permitidas por prefeitos descompromissados irresponsáveis, com a cidade, como por exemplo: a derrubada do Cine Guarani a descaracterização do Cine Politeama e, outros marcos históricos de Manaus.

Para nós manauaras, a cidade vem se descaracterizando desde então, tanto que se diz o ditado “Manaus já teve”, restando o antigo casario de algumas ruas no centro da cidade e os ditos prédios históricos, como o Teatro Amazonas, o Palácio Rio Negro, o Palácio da Justiça herança dos tempos de fausto vivenciado por Manaus da época da borracha. Naquela época, Manaus era uma pequena cidade, com cerca de 250 a 350 mil habitantes, com um núcleo social onde, praticamente, ‘todos se conheciam’, pois sua densidade demográfica foi resultante da miscigenação das três etnias básicas, o indígena, o negro e o europeu (e outros, como os japoneses, libaneses, e árabes) os quais mais tarde miscigenaram com a leva de nordestinos, que para cá vieram, como “soldados da borracha”, dando origem aos mestiços, mais conhecidos como “caboclos”.

Ah Manaus! Tua já fostes bela, com avenidas e ruas arborizadas, com suas praças resplandescentes, como a Praça da Polícia (em frete ao Colégio Estadual), a Praça da Saudade (em frente ao Rio Negro Clube), a Praça do Paço Municipal (em frente a antiga Prefeitura), a Praça do Congresso (em frente ao Instituto de Educação).

Desde a implementação do projeto ZFM, Manaus vem crescendo desmensuradamente (isto é, sem nenhum planejamento urbano por parte da prefeitura da cidade), tanto que em 30 de maio de 2007, foi criada a Região Metropolitana de Manaus, através da Lei Estadual nº 52, objetivando organizar, o planejamento e à execução das funções públicas e serviços de interesse da população que se espraiava por essa imensa área próxima a capital, atualmente, está composta de 13 municípios.

Hoje, lamentavelmente, Manaus encontra quase totalmente abandonada por seus dirigentes municipais, apesar de significativo crescimento urbano e importância econômica para toda Região Norte, a cidade é um organismo problemático a ser resolvido por sua próxima gestão municipal, um desafio imenso!!! Contudo, Manaus ainda é minha cidade morena, encantadora, de um povo hospitaleiro e acolhedor! VIVA MANAUS, EM SEUS 351 ANOS!!!

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