9 de maio de 2021

Manaus já é a sexta potência econômica do Brasil, aponta IBGE

Manaus ganhou duas posições, em 2018, ultrapassando Porto Alegre (RS) e Osasco (SP), e já é a sexta maior economia no ranking municipal do Brasil. A cidade encerrou aquele ano com PIB superior a R$ 78,19 bilhões, com alta de 6,4% sobre 2017, e respondendo por 20,18% do Produto Interno Bruto da região Norte, e 1,12% do nacional. Com isso, a capital amazonense só perde para São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR). 

A escalada de Manaus no ranking nacional veio acompanhada da consolidação do setor de serviços/comércio (43,75% no valor adicionado total) como atividade que mais gerou recursos, em detrimento da indústria (41,79%), que bisou o segundo lugar. Em paralelo, 2018 foi ano de crescimento para 55 dos 62 dos municípios do Estado, incluindo Coari, o segundo maior PIB do Estado – mas Itacoatiara e Manacapuru encolheram. Os dados estão na pesquisa do Produto Interno dos Municípios, divulgada nesta quarta (16), pelo IBGE.

O levantamento mostra que oito municípios responderam por quase um quarto do PIB nacional e 14,7% da população brasileira: São Paulo (10,2%), Rio de Janeiro (5,2%), Brasília (3,6%), Belo Horizonte (1,3%), Curitiba (1,2%) e Manaus (1,1%), além de Porto Alegre e Osasco, com percentuais próximos ao da capital amazonense. Houve desconcentração na comparação com os dados de 2002, quando apenas quatro cidades concentravam o mesmo percentual de riquezas. Em contrapartida, 71 municípios responderam pela metade do PIB de 2018 – e um terço dos residentes no país.

O Amazonas obteve crescimento de 7,4% no PIB (quase R$ 100,11 bilhões), em 2018, ocupando a 16ª colocação no ranking nacional. Os maiores crescimentos se deram no Espírito Santo (+20,8%), Rio de Janeiro (+13%) e Piauí (+11%). A indústria (34,30%) perdeu terreno para serviços/comércio (38,53%), que foi seguida pela administração pública (20,63%) e a agropecuária (6,54%). Em Manaus, os setores responderam por fatias de 43,75%, 41,79%, 14,12% e 0,33%, respectivamente.

Concentração persistente

A sondagem aponta para uma concentração persistente nos PIBs da região. A capital amazonense (20,18%) dominou com folga o PIB dos municípios da região Norte. Belém (PA) veio em um distante segundo lugar, com 8,12% de participação, sendo seguida por Porto Velho (RO), com parcela de 4,30%. No ranking dos 30 maiores PIBs da região, Coari (AM) aparece na 26ª posição e Itacoatiara, na 28ª colocação. O grupo dos maiores do Norte, contudo, ainda é formado principalmente por 15 municípios paraenses.

Os cinco maiores PIBs municipais do Amazonas somavam mais de 80% das riquezas do Estado, situação vivida também em Roraima e Amapá. Somente o PIB de Manaus representa 78,1% do total do Estado. Os cinco municípios com maiores PIBs do Amazonas responderam por 84,5% do total do Estado, fatia ligeiramente menor do que a de 2017 (84,9%) e de 2002 (88,1%) – início da série histórica da pesquisa. A lista incluiu a capital, além de Coari (2,01%), Itacoatiara (1,88%), Manacapuru (1,43%) e Parintins (1,12%). Na outra ponta, estão Japurá (0,06%), Amaturá, (0,08%) e Itamarati (0,10%).

De 2017 para 2018, os maiores crescimentos ficaram em Coari – que passou de 1,42% para 2,01% –, Presidente Figueiredo – de 0,48% para 0,82% – e Tefé – de 0,80% para 0,93%. As maiores quedas se situaram em Manaus – de 78,53% para 78,11% –, Itacoatiara – de 2,12% para 1,88% – e Manacapuru – de 1,64% para 1,43%.

Outra medida de concentração para os municípios vem do Índice de Gini, que foi de 0,85 em 2018, mantendo-se praticamente no mesmo lugar, na série histórica do IBGE. O indicador aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos, variando de zero (igualdade absoluta) a um (onde só uma pessoa detém toda a riqueza). Apenas São Paulo (0,87) e Amazonas (0,86) apresentaram índice de Gini superior ao nacional. Os menores indicadores foram observados em Mato Grosso do Sul (0,68) e Rondônia (0,69).

Ganhos e perdas

Presidente Figueiredo foi o município amazonense com maior crescimento no PIB (84,6%), em 2018, na comparação com o ano anterior, ao saltar de R$ 445,55 milhões (2017) para R$ 822,43 milhões (2018). Todas as atividades econômicas tiveram desempenho, com destaque para a indústria extrativa (+494%) e para a agropecuária (+49%). Coari veio em segundo lugar, sendo puxado pela indústria de combustíveis (+135,2%), além de administração (+6,3%) e serviços (+28,8%) – mas a agropecuária (-1,1%) recuou. Tefé, Eirunepé e Manaquiri vieram nas posições seguintes.

“Considerando o crescimento do PIB de Coari, nota-se que há oscilação de ano para ano, em razão da instabilidade na produção de combustíveis. Na comparação entre 2015 e 2016, Coari esteve entre os municípios com maiores perdas (-49,8%); de 2016 para 2017, o município começou a reverter o cenário, com crescimento de 12,85%, e de 2017 para 2018, avançou 52,4%”, pontuou o IBGE, no texto da pesquisa.

Em contraste, Tapauá (-27%), Maraã (-16,5%), Manacapuru (-6,4%), Itacoatiara (-5%) e Iranduba (-2,6%), Rio Preto da Eva (-0,2%) e Lábrea (-0,1%) concentraram as maiores de PIB, no Amazonas. Tapauá recuou em três das quatro atividades, especialmente em agropecuária (-44,5%), mas cresceu na administração pública. Da mesma forma, a principal queda no PIB de Maraã veio da agropecuária (-58,3%), que também puxou a retração de Manacapuru (21,6%), mas nem tanto a de Itacoatiara (-1,1%). Em Iranduba, a maior perda foi nos serviços (-11,4%).

“O PIB de Manaus avançou e assumiu a sexta posição, puxada pelo setor de serviços. Mas, a indústria continua sendo de suma importância para a forte composição do indicador na capital. Na região Norte, Manaus é um município dominante e quase a totalidade dos municípios teve desempenho positivo no ano. Mas, entre as localidades que tiveram queda, a atividade mais marcante para isso foi a agropecuária”, concluiu o chefe do IBGE no Amazonas, Ilcleson Mendes, em vídeo distribuído pela assessoria local do órgão federal.

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