Manaus está no topo da acolhida a refugiados

Só em agosto deste ano, Manaus recebeu mais de 4 mil migrantes refugiados, por meio do programa Operação Acolhida do governo federal.  Os números de acolhidos divulgados pelo Ministério da Cidadania, colocam a capital em primeiro lugar no ranking das cidades que mais abrigaram estas famílias em situação de vulnerabilidade.

A estratégia de acolhimento, manteve-se fortemente ativa, apesar da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. No referido mês, 1.300 migrantes e refugiados foram interiorizados. Ao todo, são 41.146 beneficiários que hoje contam com novas oportunidades em 608 municípios brasileiros. São Paulo (2.639) e Curitiba (2.500),  também aparecem entre as cidades que mais receberam os novos moradores.

Para o comandante de base da Operação Acolhida em Manaus, Coronel Ribamar, a interiorização das famílias no Amazonas,  está ocorrendo dentro da normalidade através da ação conjunta entre as Agências e Forças Armadas. “Manaus é um destino muito procurado pelo fato de ser o maior polo gerador de emprego da região Norte e pela proximidade com a Venezuela”.  

O PITRIG (Posto de Interiorização e Triagem) da Operação Acolhida em Manaus, tem recebido uma média de 600 refugiados por mês.  De acordo com o coronel, a iniciativa, considerada um grande vetor de inclusão socioeconômica para estes refugiados, contribui significativamente para retirá-los da situação de grande vulnerabilidade, permitindo que tenham acesso ao mínimo para viver com dignidade.

O programa de realocação voluntária dentro do Brasil, busca oferecer oportunidades de integração local para a população refugiada e migrante em diferentes regiões do país.

Um balanço da pasta mostra que, desde o início de 2020, mais de 13,9 mil estrangeiros foram contemplados. Os investimentos do governo federal neste ano já somam quase R$ 631 milhões.

E desde que a Operação Acolhida começou, em abril de 2018, até o mês passado, 41.146 venezuelanos tiveram a chance de buscar melhores condições de vida em mais de 608 cidades brasileiras.

Mais possibilidades

Para a Mestre em Sociologia pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Izabelly Costa, Manaus é considerada uma das principais capitais da Região Norte, o que atrai muitos refugiados e migrantes em busca de oportunidades, além de ser destino de muitas pessoas que buscam não se distanciar tanto de seu país de origem.

Ao avaliar o cenário de perspectivas para estes refugiados pós-pandemia, ela diz que é necessário que seja pensado pelo poder público soluções permanentes para a questão dos refugiados venezuelanos, como por exemplo acesso a documentação e consequentemente às políticas públicas de assistência social, como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada e auxílio emergencial. “Além disso, é muito importante que haja iniciativas para inserção no mercado de trabalho, tornando a população refugiada uma contribuinte ao desenvolvimento do país”.

E os grande desafios dentro desse contexto são diversos, e vão desde o atendimento às demandas emergenciais de pessoas em situação de vulnerabilidade, como alimentação e abrigo, até atendimento a situações de proteção e violação de direitos.

Sucesso exaltado 

Para o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, os bons números da iniciativa comprovam que a Operação Acolhida é um verdadeiro sucesso. “O governo do presidente Jair Bolsonaro não mede esforços para devolver a dignidade e a esperança que foram tirados dos venezuelanos”.

Na último dia 10, representantes de quatro Ministérios do Governo Federal, além de Casa Civil e Secretaria de Governo, realizaram uma visita técnica aos abrigos em Pacaraima (RR), cidade que faz fronteira com a Venezuela. Dante Viana, secretário-adjunto da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social afirma que, certamente, a operação servirá como modelo para outros países. “Nenhuma outra operação de acolhimento de refugiados no mundo jamais colocou uma estrutura tão complexa quanto a nossa. A Operação Acolhida, hoje, é o parâmetro que os órgãos internacionais vão usar para o resto do mundo”, disse.

Entre os migrantes e refugiados interiorizados, 58% buscam reunificação social, 29% pedem abrigo e 9% desejam reunificação familiar. Para auxiliar na estratégia de interiorização, o governo conta com as nove casas de passagem espalhadas pelo país. Elas são gerenciadas pela sociedade civil e foram criadas para receber e apoiar os venezuelanos por alguns dias, sendo um ponto de apoio intermediário entre o embarque em Boa Vista ou Manaus e o local de destino final das pessoas refugiadas e migrantes.

Por dentro

Entre março e julho deste ano, foram investidos R$ 80 milhões na Operação Acolhida. A ação tem apoio do Exército Brasileiro, do Ministério da Cidadania e das Agências da Organização das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, e para as Migrações, a OIM. A iniciativa tem como objetivo promover a inclusão socioeconômica dos venezuelanos que chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email