18 de maio de 2021

Ainda sobre a minha conversação com a professora Víllian da Costa Herculano da Faculdade Salesiana Dom Bosco (FSDB), Psicopedagoga, Mestra em Ensino de Ciências pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e com o filósofo Ângelo Assis da Rocha, Bacharel em Filosofia pela FSDB e Graduando em Teologia pelo Instituto de Teologia Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES), eles me falaram, dessa vez, como o mal se tornou banal em Manaus, como segue o texto de ambos:

“A Banalidade do Mal é um tema de reflexão filosófica proposto por Hannah Arendt, pensadora alemã que se preocupou com os comportamentos humanos indiferentes à condição humana. Comportamentos egocêntricos incapazes de pensar nas próprias atitudes, se exercitam somente em direção de uma “felicidade” que viola o direito mais natural e básico de todos e todas: a vida. Hannah Arendt adverte para um sintoma político-social-histórico de extrema irresponsabilidade anticoletiva, antidemocrática que banaliza a vida, sentimentos e afetos.

O filósofo Albert Camus diz que “não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade”. A descrição dessa trágica indiferença para com a vida retrata o abismo dessa infelicidade algemada nas entranhas de um eu que só pensa em si mesmo e ainda pensa irresponsavelmente em si próprio porque na relação de co-existência mundana, o eu-tu estão um para o outro em plena co-responsabilidade. Pobres mortais girando em torno da banalidade de si mesmo, pobres mortais cultivando um inferno que não desejamos construir para as próximas gerações.

A Educação poderia ser uma alavanca de superação entre a ignorância e o egoísmo? Naturalmente sim. O resultado de um povo sem Esclarecimento (no sentido kantiano) resulta nesse nível de animalidade, o que nos aproxima mais ainda de um estágio de barbárie.

E o capitalismo como fica nessa odisseia trágica? Com a reabertura do comércio, com a finalidade de tirar a economia da depressão financeira, a corrida olímpica com salto triplo de vara avança em todas as direções. Os competidores ou saltadores, com as regras do mercado já prontas em seus manuais, ou seja, na corrida pelo capital, passam por cima de tudo e de todos. A corrida é tão veloz quanto a propagação do vírus, tão letal quanto a banalização do ser humano e sua dignidade. E a população na corda bamba entre a guerra do capitalismo e sede mortal do vírus. Ambos se alimentam e se esforçam em destruir vidas e vidas.

A fórmula da Banalidade do Mal em tempos sombrios, em sua essência, já nos deixa com a imunidade baixa, vulneráveis aos golpes mais perversos. Quando contribuímos voluntariamente com nosso egoísmo e estupidez, a banalidade se aperfeiçoa e nos tornamos reféns de nós mesmos. Como diz Boaventura de Sousa Santos, nos tornamos estátuas de mármore olhando para os próprios pés. No campo da Filosofia, imunizar seria conscientizar a população de sua condição racional para exercitar a reflexão e aprender a se defender do vírus e de si mesmo. O exercício do pensar, tanto para Hannah Arendt quanto para Kant, dificultaria a permanência da barbárie aqui na Terra. 

Não é uma gripezinha. Não é um resfriadinho. Não é frescura. A Terra não é plana.

A COVID-19 é letal. Atitudes sem reflexão e sem discernimento, deságuam na imprudência e na desonestidade com o Outro. Em contextos sombrios, cultivar a ética humanitária é uma necessidade para a sobrevivência. Todos e todas na mesma Casa, na mesma Morada Cósmica, correndo riscos entre as fronteiras da economia e da falta de senso de responsabilidade daqueles que estão apressados em destruir Gaia. 

Urge a necessidade de realmente sermos racionais, homo “sapiens” que exercitam o pensar em direção da sensibilidade humana, de uma ética do cuidado e da responsabilidade. Com esse material genético (reflexão filosófica), seremos capazes de enfrentar uma guerra fria e “invisível” como esta, sem banalizar nossa condição e sem fazer um tsunami da nossa história e das nossas esperanças, fragilizadas pela ignorância, egoísmo, insensatez e insanidade social, econômica, política e ideológica. 

Estamos aqui nos perguntando quando os responsáveis pela tragédia no Amazonas e no país estarão no banco dos réus para serem julgados? A surdez do Tribunal Penal Internacional! A surdez do Conselho de Direitos Humanos da ONU! E nós? Também seremos julgados pela nossa omissão!”

Vamos refletir sobre isto?

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