Manauaras apaixonados apontam as muitas cidades na capital amazonense

O Jornal do Commercio conversou com algumas pessoas, de vários segmentos profissionais, e apaixonados por Manaus, para tentar saber quais seriam, nas suas visões, os locais mais icônicos, emblemáticos e marcantes da cidade. Não é de espantar que praticamente todos tenham lembrado do Teatro Amazonas. Aos 123 anos, completados em 1º de janeiro, o majestoso teatro continua a ser a cara de Manaus, do Amazonas. Tirando o Teatro Amazonas, os entrevistados lembraram de outros lugares.

Um dos fotógrafos mais premiados da Amazônia, Ricardo Oliveira, saiu do Teatro, mas escolheu o entorno do prédio. “É uma das áreas mais elegantes de Manaus, o Largo de São Sebastião, o casario antigo, os bares, restaurantes e cafés e a igreja de São Sebastião”, disse. A igreja franciscana de São Sebastião, por sinal, é o prédio mais antigo existente no local. O início de sua construção foi em 1870, quando a atual praça era apenas um terreno baldio.

Adelson Santos escolheu as palafitas como marca da cidade
 

O cantor, compositor, músico e maestro Adelson Santos escolheu como marca de Manaus, as palafitas na orla da cidade. “Elas remetem ao homem ribeirinho, mas também à imensa favela em que Manaus se transformou”, lamentou. E lembrar que por mais de 30 anos a frente de Manaus, e seus igarapés centrais, foram tomados pela cidade flutuante, 2.145 casebres, segundo levantamento realizado em 1963. Em 1967 todas foram derrubadas, mas o fenômeno continuou nos igarapés e, atualmente, em áreas mais afastadas do centro da cidade.

O maior símbolo de ostentação

Cleomir Santos, fotógrafo, citou a Ponta Negra como referência
 

O fotógrafo de eventos, Cleomir Santos citou a Ponta Negra como referência de Manaus. “É um local de fácil acesso, onde podemos passear com a família e é disputado para a realização de eventos culturais, Carnaval e folclore, além de ser um ponto turístico”, falou. Visitada apenas por barco até a década de 1950, na década seguinte, com a abertura de uma estrada de barro, a praia da Ponta Negra se popularizou e tem sido assim até hoje.

Para o agente de turismo, Alejandro Salinas, a arquitetura que mais o impressiona, depois do Teatro Amazonas, é a do Palácio Rio Negro. “É uma arquitetura incrível, que também impressionava os turistas que eu trazia para visitá-lo, além do jardim, atrás, e da bela vista para o igarapé”, acrescentou. O palácio foi a residência do rico comerciante alemão Waldemar Scholz, com certeza o maior símbolo de ostentação entre os barões da borracha, nos 20 anos áureos do rico segmento. Com a decadência do setor, após 1910, e o início da Grande Guerra (1914/1918), Scholz perdeu tudo, mas já havia vendido o palácio bem antes, em 1911. Em 1917 o governador Pedro de Alcântara Bacellar (1917/1920) comprou o palácio para ser a sede do governo, onde permaneceu até 1995.

Artistas, principalmente músicos, lembraram de imediato do Teatro Amazonas como ícone da cidade, como o contrabaixista Roger Silva, que preferiu não escolher uma segunda opção, afinal, o Teatro é praticamente sua segunda casa. “Desde a adolescência sempre fui roqueiro, tocando contrabaixo elétrico. Quando entrei pela primeira vez no Teatro Amazonas, ainda adolescente, para ver o meu pai cantar no coral durante o I Festival Amazonas de Ópera, em 1997, fiquei encantado com tanta beleza. Agora sou o contrabaixista acústico da Filarmônica e vivo dentro do Teatro. Também amo a parte externa do prédio. É como estar diante de uma obra de arte”, ressaltou. E pensar que, durante a Segunda Guerra Mundial (1939/1945), o Teatro ficou abandonado, servindo como depósito.

A ‘rua das meninas’

O artista plástico Rubens Belém, também admira a beleza arquitetônica, a grandeza e a história que envolve a construção do Teatro Amazonas, mas resolveu citar como espaço marcante uma das partes mais antigas da cidade, e que poucas pessoas conhecem. O entorno do Paço da Liberdade, prédio conhecido pelos mais antigos como prédio da prefeitura e, antes de 1917, como palácio do governo onde moraram, a partir de 1879, os presidentes da província e, após 1889, os governadores. “Aquelas ruelas nos remetem ao século 19, ainda mais quando prestamos atenção nas fachadas dos casarões seculares”, viajou. Na rua Bernardo Ramos, calcetada, estão localizadas algumas das edificações mais antigas de Manaus.

Bem em frente ao Paço da Liberdade fica a praça D. Pedro II onde, na segunda metade do século 19 aconteciam os eventos cívicos e teve início o Carnaval de rua da cidade. É a praça e seu entorno que são marcantes, para a bibliotecária Rosângela Martins. “Quando eu era menina e saia com minha mãe, ela evitada passar pelas ruas próximas à praça. Dizia que era a rua das meninas”, riu. A Itamaracá ganhou a fama de ‘rua das meninas’, mas durante o período áureo da economia da borracha (1890/1910), e principalmente após, os bordéis imperaram nas ruas Epaminondas, Saldanha Marinho, Lobo D’Almada e outras próximas. Até hoje as ‘meninas’ podem ser encontradas na região.

Estes são apenas alguns pontos que se destacaram na visão dos entrevistados mas, com certeza, se outras pessoas forem ouvidas, muitos mais pontos serão lembrados. Manaus esconde mil lugares e histórias.

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