21 de abril de 2021

Malha aérea do Amazonas mostra leve recuperação

Após meses de um cenário caótico de pandemia dando lugar a uma maior flexibilização com a retomada de vários segmentos, o atual panorama é de impulso, pelo menos é o que demonstra o setor de turismo. Neste primeiro mês de retomada, a malha aérea do  Amazonas atingiu 30% do percentual pré-pandemia. O  incentivo está no resgate da demanda por voos domésticos, considerado o pontapé para o reerguimento do setor. 

“Estamos utilizando os destinos nacionais como alternativa porque estávamos com as fronteiras fechadas e a gente não tinha ligação aérea para nenhum outro país. Muita gente não está confiante para viajar para o exterior. O entrave do dólar também diminui o interesse por voos internacionais”, garante o assessor da Abav-AM (Associação Brasileira de Agência de Viagens do Amazonas), Jaime Mendonça. 

Outros fatores de impulso são as vantagens econômicas e a praticidade de ter acesso aos voos domésticos. Também o reflexo de toda polêmica em relação a entrada de brasileiros em alguns países por conta da pandemia. Mas ele afirma que aos poucos os voos internacionais estão regressando e daqui uns dias os EUA vão voltar a receber os brasileiros. 

Para Jaime, a normalidade no setor vai depender muito do comportamento da economia porque as pessoas precisam ter dinheiro para viajar. “O consumidor tem que ter dinheiro sobrando para a viagem acontecer. É uma questão de prioridade. Após o isolamento muita gente só vai ter dinheiro para se manter com o básico. Vão precisar ter esse equilíbrio para sobreviver, é algo que nos preocupa”. 

Essa tendência por destinos nacionais vai na direção de um levantamento da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo),  ao indicar que os voos domésticos são as primeiras opções de 60% dos viajantes brasileiros em 2020. A região Nordeste lidera o destino (21,8%), Sudeste (21,8%), Sul (9,6%), seguido do Centro-Oeste (5,7%) e Norte(3,4%). 

As operadoras de turismo representam cerca de 90% das viagens de lazer comercializadas no Brasil. Em outro levantamento,  a Braztoa, em parceria com o LETS/UnB, Laboratório de Estudos em Sustentabilidade e Turismo da Universidade de Brasília, revela dados sobre o setor indicando uma leve e gradativa recuperação nos resultados, com 69% das empresas realizando comercializações.

Por exemplo, o aquecimento gradual das vendas trouxe uma perspectiva positiva e, para 48% dos pesquisados, junho foi melhor que maio. Para outros 37%, os meses foram similares e isso pode ser um reflexo do perfil de atuação de cada empresa, já que o anúncio da abertura das fronteiras foi divulgado  29 de julho. 

“Os dados de junho apontam para uma leve melhoria na visão das operadoras. Nota-se uma parcela crescente de empresas que realizaram vendas. Chama atenção uma sensação geral de melhora ou semelhança em relação ao mês anterior. Em tempos tão turbulentos, é valiosa a percepção dos empresários de que não houve piora”, disse Helena Costa, Professora Associada do Departamento de Administração da Universidade de Brasília, Doutora em Desenvolvimento Sustentável, Mestre em Turismo e Líder do Laboratório de Estudos de Turismo e Sustentabilidade da UNB.

As vendas de roteiros para embarques em julho tiveram um crescimento repentino e alcançaram 77% das operadoras, saindo do terceiro lugar no ranking de procuras para o topo da lista. Em abril, as vendas para esse período alcançaram apenas 24% das empresas. Acredita-se que o home office, que permite trabalhar remotamente de qualquer lugar, aliado à suspensão das aulas presenciais e também ao desejo reprimido de viajar e mudar os ares, tenham contribuído para esse inesperado número.

Já comercializações cujos embarques acontecerão entre agosto e dezembro de 2020 alcançaram 60% das operadoras, e as vendas de viagens que serão realizadas em 2021, 62% das empresas.

Em um momento de muitos desafios e necessidades, a entidade tem estimulado a geração de negócios entre seus associados e diferentes players do mercado, com ações de aproximação das redes de relacionamento e distribuição e com uma comunicação constante e transparente com o setor e o consumidor.

Exemplo disso é o Movimento Supera Turismo, que busca a apoiar a retomada do turismo com segurança, divulgando as viagens de forma compartilhada com o maior número de pessoas engajadas, além da série de webinars realizada desde abril, e a atual articulação para a realização de uma série de eventos que conectem os destinos aos operadores, agentes e consumidores, que está prestes a ser anunciada.

De acordo com o presidente da Braztoa, Roberto Haro Nedelciu, desde o início da pandemia provocada pelo Covid-19, a entidade está focada em uma gestão de crise, desenhada de forma conjunta entre Conselho de Administração e executivos. Além disso,  está mobilizada e comprometida em monitorar, informar, atuar e ajudar seus associados, visando a continuidade e a sustentabilidade dos negócios em um novo ambiente de mercado. “A resiliência para entender, reagir e buscar soluções tem sido imprescindível para a associação e seus membros que se tornaram cada vez mais unidos e colaborativos entre si”, reforça, o dirigente. 

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