Mais famílias devem produzir matéria-prima

O governo federal espera que mais cem mil famílias da agricultura familiar, na safra 2007 e 2008, passam a fornecer matéria-prima para produtores de biodiesel. A informação é do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que participou ontem da segunda reunião do Selo Combustível Social. Esse selo é concedido pelo ministério a empresas que compram de agricultores familiares matérias-primas como soja, mamona, dendê e girassol para a produção de biodiesel.

Segundo o ministério, atualmente 21 empresas possuem o Selo Combustível Social, o que representa a inserção de mais de 90 mil agricultores familiares na cadeia produtiva de matérias-primas como a soja, a mamona, o dendê e o girassol para o processo de fabricação do biodiesel, em aproximadamente 540 mil hectares plantados.
O ministro afirmou que definição da matéria-prima adequada para a produção de biodiesel vai depender das condições de mercado. O biodiesel, por ser um programa inovador, é evidente que a cada momento se abre questionamentos e possibilidades. Uma delas é com que matéria-prima fazer o biodiesel. O importante é que o país tem um conjunto de matérias-primas disponíveis que são capazes de suprir o fornecimento de biodiesel, disse o ministro.

Segundo o ministro, atualmente as condições de mercado têm possibilidade à produção de biodiesel, principalmente a partir da soja. Então vamos ter que conviver com isso sempre. Isso não é nenhum defeito. Isso é uma possibilidade inclusive. É ótimo que a gente tenha um combustível que possa reagir à flutuação de preços, que se tenha reservas. Se não dá para fazer com soja, você tem reserva de mamona, girassol. É uma qualidade do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, que pode ter plasticidade em função das oscilações de preço.
“O grande problema que poderia ter esse programa é não produzir combustível suficiente para pagar suas metas. E está sendo produzindo a partir da agricultura familiar”, garantiu o ministro

Química tem oferta maior

Os preços mais atrativos pagos pela indústria resino-química, que fabrica lubrificantes e perfumaria, por exemplo, têm estimulado agricultores familiares produtores de mamona do Nordeste a não cumprir contratos com as empresas produtoras de biodiesel. A informação é do diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo Anacleto de Campos, que participou ontem da segunda reunião do governo federal com as empresas de biodiesel que detêm o Selo Combustível Social.

Segundo Campos, quando o PNPB (Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel) foi criado, em dezembro de 2004, o preço pago ao produtor estava entre R$ 0,25 e R$ 0,30. Atualmente o valor está em cerca de R$ 1.
A mamona vai ser pouco utilizada na produção de biodiesel nesse período, disse à Agência Brasil. Hoje o que está a acontecendo é que os produtores estão preferindo vender a mamona para indústrias químicas que estão podendo pagar mais do que a indústria de biodiesel que tem contratos fixos com a Petrobras e não reajustar os preços aos produtores. Então está ocorrendo uma migração daqueles que tinham contratos com as indústrias de biodiesel para as indústrias químicas.

Campos lembrou que esses contratos são firmados para o período de uma safra e podem ser renovados a critério dos agricultores e produtores de biodiesel.Segundo ele, esse cenário pode permanecer até que a área plantada de mamona cresça o suficiente para atender tanto a demanda de biocombustível quanto da indústria resino-química. Segundo ele, atualmente há 1 milhão de hectares plantados, que pode aumentar em até cinco vezes.
A principal região produtora é o o semi-árido com 500 municípios com capacidade produtora.

Não há um levantamento específico de quantos produtores estão descumprindo o contrato com as empresas. Além disso, segundo Campos, não há previsão de multa para este caso. Os contratos com os agricultores familiares

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email