Mais empresas fechadas em setembro no Amazonas

O saldo de mortalidade de empresas no Amazonas subiu mais forte do que o de constituições de novas pessoas jurídicas, em setembro. O Estado registrou o fechamento de 268 no mês passado, 23,50% a mais do que em agosto de 2020 (217) e 61,44% acima do quantitativo do mesmo período de 2019 (166). A abertura de novos empreendimentos (706) apresentou número pouco melhor (+1,58%) do que o do mês anterior (695), embora tenha representado uma escalada (+46,17%) ante a marca do ano passado (483). 

Os números do acumulado apontam um quadro pior do que o de 2019. De janeiro a setembro, o Estado teve 2.204 extinções de pessoas jurídicas, um acréscimo de 29,49% em relação a igual intervalo de 2019 (1.702). A quantidade de constituições, por outro lado, totalizou 4.822 novos negócios e gerou incremento de 11,67% sobre o registro dos oito meses iniciais do exercício anterior (4.318). Os dados são do relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro) da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas).

De acordo com o levantamento mensal da autarquia estadual, entre as 268 pessoas jurídicas amazonenses que formalizaram encerramento em setembro, a maioria (158) estava na categoria de empresário individual – número superior aos 140 anteriores. As sociedades empresariais limitadas (89) vieram na segunda posição, seguidas pelas empresas individuais de responsabilidade limitada (e de natureza empresarial), que totalizaram 21 registros – contra 62 e 15, em agosto, respectivamente.

O movimento em torno da abertura de novos negócios locais também priorizou as categorias de empresário individual (283) e sociedades empresariais limitadas (237) em detrimento das empresas individuais de responsabilidade limitada (185), mas incluiu também uma cooperativa. No mês anterior os respectivos números foram 272, 223, 185 e quatro. Vale notar que, com exceção de um empate nas cooperativas, houve acréscimo em todos os casos, na comparação com o mesmo mês de 2019.

Assim como ocorrido nos dados globais, no caso dos MEI (microempreendedores individuais), os números de constituições (3.059) e extinções (387) apresentaram alta ante o mês anterior (2.843 e 384, respectivamente) e um quadro melhor na comparação com setembro do ano passado (2.110 e 388 na ordem). A Jucea não informou os setores econômicos nos quais atuavam as referidas pessoas jurídicas.

“Necessidade de otimismo”

Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, a Jucea salientou que o número de novas constituições de empresas no Estado foi o maior registrado pela autarquia, desde junho, mês de retorno das atividades econômicas, que estavam suspensas devido à pandemia da covid-19. Até então, julho (701) detinha a melhor performance nesse sentido.

No entendimento, da presidente da Jucea, Maria de Jesus Lins, é necessário manter o otimismo em relação ao cenário regional, a despeito da alta da mortalidade de empresas e do fato de os analistas econômicos não esperarem uma recuperação rápida na economia brasileira. A dirigente argumenta que o governo estadual deve continuar a desenvolver medidas para que a percepção positiva dos negócios no Amazonas se mantenha.

“Temos alcançado dados positivos para o Estado, como apontou o Boletim do Mapa de Empresas do 2º Quadrimestre, divulgado no último dia 17 de agosto, pela Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, que coloca o Amazonas em segundo lugar entre os Estados brasileiros que apresentaram os maiores crescimentos percentuais na abertura de negócios, no período de maio a agosto, em comparação ao primeiro quadrimestre de 2020 – com um aumento de 16,6%”, justificou. 

Empreendedorismo incentivado

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o ex-presidente do CRC-AM (Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Amazonas) e atual coordenador da Câmara de Desenvolvimento Operacional pelo CFC (Conselho Federal de Contabilidade), Manoel Carlos de Oliveira Junior, assinalou que o saldo de novas empresas vem sendo influenciado pelos incentivos do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e do Peac (Programa Especial de Acesso ao Crédito) – e até do auxilio emergencial –, assim como pelos juros mais baixos.

De acordo com o contador, muitos segmentos se beneficiaram do melhor acesso ao crédito e ganharam corpo nos meses de refluxo da pandemia, a exemplo de sanitização, limpeza, construção civil e delivery. Outro ponto destacado pelo dirigente é que a redução da burocracia pela Lei de Liberdade Econômica (13.874/2019) e pelo Decreto Municipal 4.648/2019, entre outros dispositivos legais, também impulsionou o empreendedorismo. “Vimos muitas aberturas de microempresas e MEIs nesse período, Só não sei como vai ser quando os benefícios acabarem, porque um dia a conta chega”, encerrou. 

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