18 de maio de 2021

Mais dois gigantes do judiciário amazonense se vão com a Covid-19

O sistema de Justiça amazonense está de luto mais uma vez. Vítimas de Covid-19, morreram o desembargador Aristóteles Lima Thury, presidente do TRE-AM (Tribunal Regional Eleitoral), e o ex-procurador-geral de Justiça Francisco Cruz.

Aristóteles Thury, de 71 anos, morreu no domingo (14) em São Paulo, onde estava internado desde janeiro deste ano. E, Cruz, um dia depois, na segunda-feira (15), em um hospital particular de Manaus. Ele tinha 68 anos e já estava aposentado.

Aristóteles Lima Thury era presidente do TRE-AM e deixa legado no Judiciário amazonense
Foto: Divulgação

Segundo informações de familiares, amigos e do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), os dois começaram a manifestar os sintomas do coronavírus no início do ano e não resistiram às complicações da doença que contabiliza, hoje, mais de 9 mil mortes em todo o Estado.

Outros membros do sistema de Justiça do Amazonas também morreram vítimas do novo coronavírus. Além de Francisco Cruz e Aristósteles Thury, a doença causou a morte de Flávio de Souza, irmão da promotora de Justiça Cleucy Maria de Souza, na quinta-feira (11). Antes, no dia 1º de fevereiro, morreu a procuradora Antonina Maria Castro, de 55 anos, que por 11 anos atuou como titular na 16ª Procuradoria de Justiça.

Como outras figuras de destaque de vários segmentos no Amazonas, além da população em geral, a magistratura do Amazonas não tem conseguido ficar incólume à grave crise sanitária por conta da pandemia de coronavírus.

Aristóteles Thury e Francisco Cruz tiveram uma atuação marcante na história do sistema de Justiça do Amazonas, onde ocuparam posições de destaque em sua trajetória de atividades ao longo de vários anos na capital e nos municípios do interior do Estado.

Em maio do ano passado, Thury foi empossado como presidente do TRE-AM para o biênio 2020-2022. Graduado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas) em 1976, ele era magistrado de carreira e também professor de Direito Penal. Fez pós-graduação em Direito Penal e Direito Processual Penal na Ufam.

“Jurista extremamente respeitado por seus conhecimentos jurídicos e formação humanística. A dor da perda de figura tão importante é imensa e a todos atinge, sendo a solidariedade à família e amigos fundamental neste momento”, disse, em nota, o desembargador Domingos Jorge Chalub Pereira, presidente do TJAM.

Francisco Cruz trabalhou por 34 anos no MPE-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas), primeiro como promotor e depois como procurador. Em 2014, foi titular da Seai (Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência) e secretário extraordinário de Relações Institucionais em 2015. Ele deixa esposa e dois filhos.

Em nota, o MPE-AM lamentou a morte de Francisco Cruz. “É com profundo pesar que informamos o falecimento no hospital Santa Júlia do nosso ex-PGJ Francisco Cruz. Nossos mais profundos sentimentos a toda família e amigos. Que Deus o receba em sua morada eterna”.

Nascido em Humaitá e conhecido como ‘Chicão’ no meio, Francisco Cruz iniciou sua trajetória no MP-AM em 1985. Atuou nas comarcas de São Gabriel da Cachoeira, Santa Izabel do Rio Negro, Humaitá e Parintins.
Já em Manaus, foi eleito ao cargo de procurador-geral em outubro de 2010, ficando na função por duas gestões. Em 1º de agosto de 2019, por aposentadoria voluntária, deixou o órgão e um legado de 34 anos de MP-AM, passando a se dedicar à advocacia.

Reverências

Os amigos reverenciaram Aristóteles Thury. “É uma grande perda para o Amazonas e para a Justiça Amazonense. Mais um grande guerreiro que perde a batalha para a Covid-19. A Defensoria do Amazonas está de luto e nesse momento se solidariza com os amigos e familiares pela grande perda”, afirmou Ricardo Paiva, defensor público-geral do Amazonas.

O desembargador Flávio Pascarelli, do TJ-AM, afirmou que “perdemos um belo ser humano e um grande magistrado”. Colega de magistério do desembargador, a professora da Ufam Marklea Ferst lembrou da voz grave e da altivez de Thury. “Encantou inúmeros alunos não apenas pelo seu sólido conhecimento, mas pela paixão com que ensinava a ciência jurídica”.

O defensor público Maurilio Maia, também colega de magistério, destacou o legado de Thury. “Ele traz felizes memórias de um ser humano sempre animado e alto astral. Na magistratura, o desembargador Thury nos deixa um legado de precedentes que ainda serão citados por muitos tempo”, salientou

Foto/Destaque: Divulgação

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