17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Mais de 100 anos depois, Djedah quer fazer o caminho inverso do ‘bisavô’

Evaldo Ferreira: @evaldo.am

Fotos: Evaldo Ferreira

Um dia o português Antonio Carlos Fernandes Braga, da cidade de Aveiros, chegou a Manaus e foi morar em Autazes. Lá, trabalhando como escriturário, conseguiu se estabelecer bem financeiramente, tanto que contratava professores de música, em Manaus, para irem até Autazes ensinar seus filhos a tocar instrumentos. Décadas se passaram, nenhum dos filhos e netos de Antonio fez fama com a música e eis que agora, mais de cem anos depois, um dos seus bisnetos, Djedah Medeiros Braga, com apenas 16 anos de idade, é o ‘queridinho’ de vários cantores e músicos profissionais de Manaus. Em pouco tempo o menino mostrou a que veio ao mundo.

“Quando ele tinha dez anos, eu dei um violãozinho pra ele. Não era de brinquedo. Era um violão próprio pra crianças. Notei que logo ele aprendeu, sozinho, a tirar algumas notas, então comprei um violão normal”, falou José Carlos, pai de Djedah.

“A primeira música que eu toquei foi aquela da Pantera Cor de Rosa (tema do desenho Pantera Cor de Rosa, de Henry Mancini), e achei fácil”, recordou o garoto.

Pesquisando em tutoriais, na internet, Djedah foi aprendendo mais e mais sobre as técnicas de tocar um violão. O resto, o talento nato resolveu.

“Eu cheguei a dar uma guitarra pra ele, mas não era aquilo que ele queria. Sua paixão era mesmo pelo violão”, explicou José Carlos.

“Com o violão eu tenho muito mais a explorar, musicalmente, do que com a guitarra”, explicou Djedah.

Quando o filho completou doze anos, José Carlos o inscreveu no Lapem (Laboratório de Práticas e Ensino Musical), da UEA, que promove cursos para crianças. Lá o menino aprendeu ainda mais sobre o violão, e completou com a compreensão da leitura de partituras, essencial para um músico profissional. Do curso, Djedah que já tinha intimidade com o violão, saiu dominando completamente o instrumento.

Debut no Bar do Armando

E a primeira apresentação do menino, ainda com doze anos, não poderia ser num local mais icônico, o Bar do Armando.

“Eu o levei lá e ele não se fez de rogado. Começou a tocar clássicos da MPB acompanhado pelos músicos que se apresentam no Bar. Ali ele recebeu os primeiros aplausos de um público, na vida”, recordou José.

Pereira, “o talento precoce de Djedah me impressiona. Tenho que aplaudir”

Quando Djedah fala em poder explorar mais musicalmente o violão do que a guitarra ele se refere à grande quantidade de clássicos da MPB, e aos vários violonistas consagrados do Brasil. No vídeo de sua apresentação, no Bar do Armando, Djedah toca ‘O canto de Ossanha’, do carioca Baden Powell, um dos maiores violonistas brasileiro. Assim como Djedah, o grande incentivador de Baden Powell foi seu pai, Lilo de Aquino, que era violonista. Com dez anos, Baden se apresentou pela primeira vez num programa de calouros e seu professor de violão, Jayme Florence, o levou a conhecer sambistas e chorões como Donga, Ismael Silva e Pixinguinha. Falando em Pixinguinha, outro ‘fera’ da MPB e do choro, apesar de ser flautista e saxofonista, é admirado por Djedah que traz para o violão, clássicos como ‘Carinhoso’ e ‘Lamentos’. Noel Rosa é outro que não pode faltar no repertório de quem admira a boa música popular brasileira. Apesar de ser conhecido pelas belas composições, Noel também era bandolinista e violonista, instrumentos que aprendeu a tocar sozinho, como Djedah, que tem o carioca de Vila Isabel na sua lista de preferidos.

Sucesso na Europa

Dos artistas vivos, Djedah gosta de interpretar músicas de Caetano Veloso e Chico Buarque. Deste último, o cantor, compositor e músico Antonio Pereira publicou, recentemente, em suas redes sociais, um vídeo onde Djedah interpreta, e até arrisca cantar, ‘Passaredo’, composta por Chico e Francis Hime.

“O talento precoce de Djedah me impressiona, tal qual os prodigiosos Dudu Brasil e Neil Armstrong Jr. É a nova safra de músicos amazonenses dizendo a que veio. Tenho que aplaudir”, escreveu Pereira.

Agora a grande admiração mesmo do jovem violonista amazonense é por Yamandu Costa. O gaúcho Yamandu não só é considerado como um dos melhores violonistas do Brasil, como também do mundo. Até a adolescência, tocava músicas do folclore gaúcho, da Argentina e do Uruguai, mas depois que conheceu outros grandes violonistas como Radamés Gnattali, Raphael Rabello e Baden Powell, além do pianista, compositor e cantor Tom Jobim, passou a tocar vários estilos. Yamandu, como vários dos nomes citados aqui, faz muito sucesso na Europa e nos Estados Unidos e o sonho de Djedah é seguir por este mesmo caminho.

“Sim, meu sonho é fazer sucesso na Europa, conhecer a terra do meu bisavô, que começou com a música na nossa família”, revelou.

Enquanto isso, Djedah já faz bastante sucesso, em Manaus, chamado para acompanhar os cantores e cantoras barés, que se apresentam nas noites quentes manauaras nos bares e espaços culturais da cidade. Quem quiser conhecer algumas de suas performances, pode digitar seu nome no YouTube, que irão aparecer vários vídeos dele.

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