13 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Decidi desta vez, além de felicitar as mães que tanto merecem nosso reconhecimento, também fazer uma breve reflexão –e instigação –sobre a dura situação em que sobrevivem muitas mães amazonenses.

  Quero assim primeiramente afirmar minha admiração e gratidão às mulheres mães de todas as camadas sociais, da capital e do interior. Todas são merecedoras do reconhecimento e apoio de todos nós, homens e mulheres, que valorizamos sua importância fundamental para as famílias e para a própria sociedade. Pode parecer que não, mas são elas, as mulheres em geral e, de modo específico, as mães, as principais responsáveis não somente por gerar e manter nossas vidas, mas abrigar e refletir o sentido de amor e de cuidado nas famílias de todo o nosso país, e do mundo. O exemplo do amor e sacrifício que recebemos de nossas mães deve nos nortear pela vida, para sermos generosos, autênticos, leais, corajosos, honestos, responsáveis e trabalhadores como elas nos ensinam. Eu, pessoalmente nutro sincera gratidão por minha saudosa mãe, assim como por minhas avós que também já partiram e por minha esposa querida e minha sogra, excelentes mães, exemplos inspiradores para mim. Estendo esse sentimento e significado de gratidão para todas as mães amazonenses, inclusive para minhas duas filhas e nora, tão dedicadas aos meus queridos netos, seus filhos.

Por outro lado, penso ser importante abordar a triste situação de centenas de milhares de mães chefes de família, que sustentam seus lares sem o apoio de um companheiro. No Amazonas, e especialmente em Manaus, a proporção de mães arrimo de família é impressionante, chegando a mais de 50% em alguns bairros da cidade, como no Parque Residencial Manaus. Na realidade, a zona Leste e a zona Norte de Manaus, as que possuem as menores médias de renda familiar da capital, são as que mais concentram mulheres chefes de família do Estado. E se verifica que estas famílias arrimadas solitariamente por uma mulher costumam ser de menor renda do que aquelas que contam com o concurso de um marido ou companheiro, com as exceções de praxe.

A situação socioeconômica dramática das mulheres chefes de família, se agrava à medida em que se associa ao enorme desgaste de ter de trabalhar, quase sempre fora e dentro do lar, a baixa renda que usufruem, o número maior de filhos, a precariedade habitacional, a ambiência de marginalização e violência social, o nível de letramento e escolaridade insuficiente e as patologias de saúde física e mental que afetam membros das famílias, dentre outras mazelas. Verdadeiras heroínas, quase sempre anônimas, estas mães que respondem sozinhas por seus lares e famílias, parecem invisíveis para o extrato de renda superior da sociedade e não são devidamente contempladas por políticas públicas adequadas para a promoção de melhores oportunidades ocupacionais para elas e seus filhos. Um triste exemplo disso é a carência de creches, escolas de tempo integral e áreas verdes com equipamentos esportivos em muitos dos locais onde mais residem mulheres chefes de família no Amazonas. Também na área de saúde muitas vezes lhes é sonegado o direito à prioridade nas ações de atenção primária e secundária de saúde. Ou seja, o Poder Público parece não “enxergar” essa triste realidade de uma enorme carga de sofrimento, derivada das múltiplas responsabilidades destas mães.

Finalizo com uma breve reflexão e indignação sobre a violência doméstica por que passam muitas mães de nossa capital -e também do interior -tanto as que convivem com um facínora dentro de casa quanto aquelas que optaram por viver sem um homem ao seu lado. Das agressões morais humilhantes às agressões físicas covardes, chegando ao grau aviltante do feminicídio, que destrói o lar e prejudica profundamente os filhos. Nesse sentido, gostaria de destacar o magnífico trabalho da Defensoria Pública do Amazonas de apoio psicossocial às vítimas do feminicídio. Este projeto, com a coordenação da competente e dedicada defensora pública Carol Braz, conta com uma equipe de Assistência Social, Psicologia e Direito, prestando um valioso suporte para as vítimas deste crime hediondo, o feminicídio. Trata-se de projeto que obteve o prêmio Innovare, o mais destacado reconhecimento na esfera jurídica nacional. Espero sinceramente que este importante trabalho seja disseminado em todo Estado, na Amazônia e no país inteiro. E se torne uma verdadeira política pública focada no apoio às crianças, adolescentes e jovens que passaram pelo horrível trauma de perder sua mãe assassinada por um homem estúpido e cruel.

Fiz aqui apenas um pequeno recorte sobre a dificílima situação de tantas mães amazonenses. Poderia acrescer inúmeros outros aspectos, como a discriminação no mercado de trabalho, os preconceitos, os assédios, a falta de humanidade no atendimento dos serviços públicos, e a cultura machista que ainda predomina na nossa sociedade, dentre outros problemas que atingem a qualidade de vida dessas mulheres sofridas, mas sempre guerreiras, que são as mães de nossa terra. À todas elas, meu profundo respeito e gratidão, associados ao meu compromisso de ajudar a debater, a propor e a cobrar  políticas públicas de diminuição das desigualdades e de respeito à dignidade de todas mulheres e suas famílias. 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Anúncio

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Siga-nos

Notícias Recentes

JC Play

Podcast

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email