Macaúba surge como opção ao biodiesel

Mais uma planta brasileira tem potencial para produção de biodiesel e começa a despertar o interesse dos pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Trata-se da macaúba (Acrocomia aculeata), espécie nativa de florestas tropicais, e que aparece de forma espontânea em diversos estados das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Minas Gerais e Goiás são as unidades federativas de maior concentração da planta.
Os estudos sobre as qualidades da macaúba foram apresentados pela Embrapa durante na 5ª Inovatec (Feira da Inovação Tecnológica), realizada na semana passada, em Belo Horizonte (MG). Muitos visitantes ficam surpresos ao saber que dos coquinhos da macaúba pode-se obter biodiesel de qualidade.
Atualmente, a macaúba é utilizada em Minas Gerais com finalidades alimentares e para produção de óleo e sabão. Mas, os pesquisadores da Embrapa estudam como aproveitar de maneira econômica e sustentável os frutos dessa palmeira para a produção de biodiesel e de ração animal.
A Embrapa Agroenergia e a Embrapa Cerrados estão realizando um levantamento da ocorrência de maciços nativos de macaúba em Goiás e Minas. Os resultados desse estudo podem levar à definição de regiões para instalação de usinas de biodiesel. A investigação é financiada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Uma das razões para o grande interesse que essa palmeira desperta é a elevada produção de óleo, que chega a 5.000 litros por hectare. A extração do óleo é simples, feita por moagem e prensagem dos frutos, explica o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Leonardo Bhering. O resíduo da extração, a “torta de macaúba” pode ser usada como fertilizante orgânico ou como ração para bovinos, caprinos e ovinos.
Em curto prazo, a matéria-prima dos bosques nativos de macaúba será aproveitada para a produção de biodiesel. Para evitar o rápido esgotamento da fonte energética, são estudadas práticas de extrativismo sustentável, com a realização de inventário detalhado na área de abrangência dos maciços, o planejamento da conservação e uso dos recursos genéticos disponíveis, o zoneamento do tipo de atividades permitidas e a definição de normas de uso da área, de acordo com a potencialidade do zoneamento para cada atividade.

Sistemas de produção

Também são realizados estudos para obter sistemas de produção, onde a macaúba será cultivada em plantios racionais. Para isso, enfatiza Bhering estão sendo feitas pesquisas com melhoramento genético, plantio, adubação, espaçamento entre plantas e obtidas as informações necessárias para o estabelecimento de um sistema de produção. Uma vantagem desse tipo de plantação é que podem ser produzidos alimentos (feijão, milho) durante a implantação da cultura e após quatro anos, quando as palmeiras atingirem a altura de 7 a 10 metros e estiverem em produção normal de frutos, pode-se plantar capim para criar gado. É um sistema integrado com bom rendimento, pois o gado se alimenta do capim e dos frutos que eventualmente caem das árvores e o esterco produzido pelos animais fertiliza as palmeiras.

Insumo deve ser usado em combinação com outros

A macaúba não deve ser utilizada como única matéria-prima para a alimentação de uma usina de biodiesel, pois o período de colheita dos frutos é de apenas quatro meses. Para que a usina possa funcionar durante todo o ano, será necessário utilizar outras oleaginosas, a exemplo de soja, girassol, algodão, mamona e também sebo bovino. Cada uma das combinações de matérias-primas exige estudos e pesquisas específicos.
Uma proposta apresentada pela Embrapa é o estabelecimento de APLs (arranjos produtivos locais) que possam atender a necessidade do suprimento contínuo de matérias-primas para a produção de biodiesel e que permitam otimizar o uso das terras e o balanço energético global.

Cooperativas de produtores

Nesse tipo de arranjo produtivo local, será vantajosa a formação de associações ou cooperativas de produtores que instalem unidades de esmagamento das matérias-primas. O óleo vegetal extraído será transportado até a usina de biodiesel e as tortas resultantes da extração serão aproveitadas pelos próprios produtores das oleaginosas, tanto para alimentação animal, quanto para utilização como adubo. Com esse esquema, o raio de produção da matéria-prima poderá ser ampliado, o que não seria econômicamente interessante se a totalidade do insumo fosse transportada ate à usina de biodiesel e a torta transportada de volta até as regiões produtoras.
Leonardo Bhering ressaltou que a implantação de uma usina de biodiesel requer cuidadoso planejamento, com estudos de localização e de logística do abastecimento, da distribuição do biodiesel e dos sub-produtos. “É muito importante que seja garantida a disponibilidade de matérias-primas para que a indústria possa funcionar o ano todo, garantindo a produção plena e custos mais baixos” finalizou o pesquisador.

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