Luta dos moradores da zona Leste e Norte

As zonas Leste e Oeste são, em boa medida, a essência de Manaus, em termos de diversidade de etnias, cores e diferentes modos de vida, entre outras vertentes. Mas é também são regiões onde a população sempre tem que brigar muito e se adequar às mudanças – ou mesmo resistir a elas, quando necessário. Em essência, a luta é por uma vida melhor e isso ganhar um dinheiro extra ou até mesmo fazer do ‘bico’ um negócio principal.

Maiane Sena, 37, moradora do Jorge Teixeira, tem um negócio no ramo da papelaria e cartonagem chamado Papel & Tecido, mas começou empreender vendendo roupas na empresa que trabalhava, até que o negócio deu. Antes disso, teve que fazer uma opção crucial. “Decidi fazer um acordo e pedi minha demissão. Conversei com a dona da empresa e perdi os 40% do FGTS, mas garanti meu seguro desemprego e trabalhei com roupa por quatro anos”, contou.

Moradora do Jorge Teixeira, Maiane Sena, 37, é uma das muitas manauenses que deixou emprego formal e se tornou empreendedora

Hoje, Maiane tem uma empresa de cartonagem, que é a utilização de um papel especial para fazer, caixas, organizadores, kits de escritório, entre outros itens. “Fiz cursos e comecei a trabalhar em casa, porque a cartonagem te dá um leque para fazer inúmeras coisas. Tive muita procura para encadernação e cadernetas de vacinação”, comentou.

Hoje, a empreendedora trabalha com encadernação, cartonagem e papelaria, além de produtos prontos. Maiane diz que, em suas vendas, não deixa de utilizar as redes sociais e whatsapp. “O cliente manda uma mensagem pro meu número e ele já recebe automaticamente o link dos meus catálogos de produtos”, acrescentou.

A veia empreendedora faz Maiane ter a percepção maior do seu negócio. “O contato com meu cliente é o que mais me motiva, porque consigo detectar o que ele necessita, precisa e, através disso consigo aperfeiçoar o meu trabalho”, afiançou.

Comunicação é venda

Andreia Pereira, radialista e moradora do Armando Mendes, usa o seu talento de comunicadora para vender seus produtos no famoso boca-a-boca, ou como chamam, ‘estilo sacoleira’. A facilidade da internet, contudo, ajuda no crescimento do seu negócio. “Uso as redes sociais e whatsapp para divulgar meus produtos para os meus colegas”, contou. 

Andrea diz que uma outra renda é sempre bem-vinda, mesmo que alguém tenha um emprego formal. “Sempre gostei de ganhar um pouco mais. Eu pegava uma parte do que eu ganhava, comprava mercadorias e saía vendendo, para não ter só aquela renda e poder contar com um extra”, justificou.

Uma dica essencial que Andreia Pereira dá para aos empreendedores é sempre buscar reinvestir no negócio. “Não se deve gastar na venda de mercadorias e sempre repor. Sempre se deve também acompanhar as tendências, porque o cliente quer novidades”, explicou.

Resistindo ao tempo

Na zona Norte, a situação não é diferente. Uma característica dos moradores da Cidade Nova é o amor pelo bairro, mantendo uma tradição que passa de pai para filho, principalmente nos negócios. A primeira feira localizada na avenida Noel Nutels, ao lado do terminal de ônibus do bairro – o T3 –, ainda resiste aos grandes supermercados.

Estênio jacó Correia, 47, é um deles. Morador da Cidade Nova desde 1982, ele tem um açougue na feira, que foi herdado do pai. “Meu pai adoeceu e assumi o negócio da família. Eu ia ser outra coisa e tive que assumir, mas não me arrependo”, lembrou. 

Por ser antigo no local, Estênio já tem uma clientela fidelizada e tradicional, embora conte que já tentaram tirar a feira do local, várias vezes. “Com a construção da avenida das Flores, tiraram vários boxes e indenizaram os permissionários. Queriam tirar a feira toda, mas batemos o pé e estamos aqui até hoje. Ficaram esses boxes”, comemorou.

Outro permissionário que conseguiu se manter na feira é Orlando Maia. Seu boxe é uma viagem no tempo e lembra as antigas tabernas e quiosques do passado, que vendiam torneiras, pilão, abridor de garrafa, tomadas. ‘Seu Orlando’, como ele é conhecido, sabe a importância de se manter trabalhando e não para de consertar uma panela de pressão, mesmo enquanto conversa com a reportagem do Jornal do Commercio. O produto, segundo o empreendedor, teria de ser entregue antes do almoço.

Antigo e moderno

O antigo e o moderno fazem as zonas Norte e Leste pulsarem comercialmente, com espaço para todos. Mas, é preciso fazer sua parte. O técnico de refrigeração automotiva, Paulo Laurentino, 49, tem uma oficina no Novo Aleixo e destaca um dos motivos do crescimento da região. “Com a criação da avenida das Torres e a Natan Xavier, aumentou muito o movimento, ao mesmo tempo que cresce a concorrência. Mas, tem para todo mundo”, ponderou.

Com o boné de seu time preferido na cabeça, o Flamengo, encontramos o vendedor informal, Frank Roosevelt, 43, nas ruas da Cidade de Deus. Ele comercializa máscaras contra a covid-19, uma oportunidade que surgiu após ter se curado do vírus. Antes disso, vendia frutas, no bairro onde mora há 12 anos. “Enquanto eu estava me recuperando do pulmão, não podia carregar peso. Então, achei mais fácil vender as máscaras. Mas, depois que passar a pandemia, volto a vender frutas de novo”, garantiu.

Cantor, compositor, professor

Morador da zona Norte, Iran Makineh é músico e se desdobra tanto como cantor, quanto como compositor. Com mais de 30 anos de carreira, ele já fez dupla por 17 anos com o músico Mário Jackson, em shows na noite e festivais.  

Makineh já foi premiado com o 4º lugar, em duas edições do Fecani (Festival da Canção do Município de Itacoatiara). Ele também dá aulas de música – canto e violão – na zona Norte, mais exatamente na Igreja Católica Nossa Senhora do Rosário, e na escola de música RM.

Uma vida pela educação 

O educador Rubens Gomes, ou ‘Rubão’, como também era carinhosamente conhecido, faleceu em maio deste ano. Fundador da Oela (Oficina Escola de Lutheria da Amazônia) – organização da sociedade civil sem fins lucrativos, que desenvolve ações de educação popular cidadã e socioambiental – Gomes mostrou, ao longo de 20 anos, que a educação é a verdadeira ferramenta para a transformação do ser humano. Atuando com crianças, jovens e adultos, a ONG, criou projetos ambientais, educacionais e de capacitação, principalmente no Zumbi e Mauazinho. A Oela devei continuar o legado deixado por seu ‘Rubão’, sempre focada no bem estar social das comunidades da Amazônia.

Reportagem de Sandro Abecassis

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