Lula quer gás no mercado até 2010

De forma contundente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro ontem, 26, por ocasião da cerimônia de inauguração do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, que quer ver a nova matriz energética com gás natural em pleno funcionamento em setembro de 2010, como está previsto. Lula disse ainda não querer ouvir, a partir do dia 1º de outubro de 2010, que as usinas termoelétricas que compõem o parque de geração energética em Manaus ainda não foram convertidas de óleo diesel para o uso do gás natural.
Em setembro do próximo ano o presidente Lula quer vir a Manaus para ‘apertar o botão’ e ver as máquinas trabalhando com gás natural e não mais com óleo combustível, oriundo da província de Urucu. “Façam os testes necessários”, avisou.
A ameaça de Lula está embasada no fato de que há um contrato firmado entre a Petrobras e a Cigás (Companhia de Gás do Estado do Amazonas), responsável pela distribuição do gás. Enquanto a Amazonas Energia, proprietária das usinas de Mauá e Aparecida, e as produtoras independentes têm até setembro do próximo ano para completar a conversão.
O presidente Lula foi mais duro ainda ao dizer que no próximo ano vence a licença ambiental do gasoduto e que o governador Eduardo Braga não vai permitir que a mesma seja renovada.
Outro projeto no Amazonas que Lula disse não abrir mão de inaugurar é a ponte sobre o rio Negro, prevista para ser entregue no próximo ano, a qual ele quer atravessar correndo. “O Alfredo Nascimento disse que é um bom artilheiro, mas como no ano que vem ele vai estar candidato, eu estarei na frente dele”, brincou Lula, que também assumiu o compromisso de asfaltar a BR-319, trecho Manaus-Porto Velho, ainda no seu governo, que termina no fim de 2010.

Prazos contratuais

Ao ser questionado sobre esse assunto, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, respondeu que existem prazos contratuais, a partir da disponibilidade formal do gás, tem um período de um ano para fazer a conversão. “As térmicas têm obrigação de fazer isso e acreditamos que elas farão”, disse, ressaltando que a Petrobras participa acionariamente e minoritariamente de algumas dessas frentes, esperando que elas (térmicas) de fato façam esse processo de substituição do óleo diesel para o gás.
Gabrielli destacou que é evidente que essa mudanças não podem ser feitas de uma vez, porque pode criar uma ameaça ao sistema elétrico de Manaus, o que é um grande risco. Ele explicou que essa substituição tem que ser programada, com os testes adequados para permitir que a entrada do novo motor em operação não leve a um risco de ficar sem os dois em funcionamento. “Os motores são bicombustíveis, logo utilizarão óleo combustível e gás natural, portanto poderão gerar eletricidade com os dois combustíveis e aí se poderá ter uma situação de risco e ficar sem nenhum dos dois”, informou, ressaltando que a expectativa é que as empresas cumpram com suas obrigações.
A cerimônia de inauguração do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, considerado, um dos maiores empreendimentos para transporte de gás natural do país contou com a presença também da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que vê a obra como um desafio, por se tratar de um projeto que há mais de 20 anos estava engavetado e que saiu do papel. O gasoduto é uma forma de dizer que é possível o desenvolvimento do Amazonas e da Amazônia”, assinalou.

Na opinião do governador Eduardo Braga, existem obras e obras e que algumas são medidas pelo volume de recursos disponibilizados e outras pelo significado econômico e social que a mesma oferece a população. “O gasoduto está neste segundo exemplo por se tratar da primeira grande obra na Amazônia de maior responsabilidade ambiental”, disse, ressaltando que dessa forma o Amazonas marca seu gol de placa como o Estado que menos polui e desmata”, completou.
Na opinião de Braga, uma obra de 600 quilômetros, construído em plena floresta amazônica e que não teve um desgaste do ponto de vista ambiental pode ser traduzido como algo gigantesco. “Isso nos leva a crer que temos responsabilidade e condições de ajudar a reduzir o gás carbônico da atmosfera”, disse.

Reman sai na frente

A primeira unidade a receber o gás natural é a Reman (Refinaria Isaac Sabbá), da Petrobras, com um consumo inicial de 77 mil m³/dia. Em janeiro de 2010, alcançará 253 mil m³/dia. Obra integrante do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o gasoduto tem 661 km de extensão na linha tronco, que liga Urucu a Manaus, e sete ramais para atendimento às cidades de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, com 140 km de extensão.
O gasoduto é um meio para uma mudança significativa na matriz energética do Estado ao permitir a substituição do óleo diesel e do óleo combustível pelo gás natural para geração de energia elétrica, principalmente.
O gasoduto Urucu-Coari-Manaus foi a obra de dutos no país com maior percentual de uso de mão-de-obra local: 70%. Cerca de 8,9 mil trabalhadores atuaram diretamente na construção e outros 26,7 mil empregos indiretos foram gerados a partir da obra. Dos trabalhadores envolvidos no empreendimento, 8,7% eram mulheres (774). De todo o material utilizado na obra, 95% foi produzido no Brasil. Já em relação às máquinas e aos equipamentos, o percentual foi de 85%.
O gasoduto permite dispor ao mercado o gás natural produzido na Bacia do Solimões, a segunda maior reserva do país, estimada em 52,8 bilhões de m³, atrás apenas do Rio de Janeiro (144,8 bilhões de m³). Até então, a produção era reinjetada por falta de infraestrutura de transporte.

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