Luís Lemos relata realidade amazônica em seu novo livro

O universo das pessoas comuns, do caboclo, do ribeirinho, do pescador, do líder indígena, das pessoas que vivem e convivem na região amazônica. É um livro que serve como porta de entrada para quem não é daqui, para quem quer conhecer um pouco mais sobre o universo amazônico, sobre Manaus, o encontro das águas. Assim é ‘Jesus e Ajuricaba na terra das Amazonas – histórias do universo amazônico’, que será lançado sábado, 21, na Livraria Nacional (rua 24 de Maio, 415 – Centro), às 10h.    

‘Jesus e Ajuricaba na terra das Amazonas’ foi escrito pelo professor de filosofia Luís Lemos, seu quinto livro, todos tendo a filosofia como mote.

‘Jesus e Ajuricaba na terra das Amazonas’ foi escrito pelo professor de filosofia Luís Lemos

“Sim, uma filosofia regional, do caboclo, ou como costumo dizer uma filosofia do olhar amazônico. São contos, mas que partem da realidade concreta do homem amazônico. Foi uma forma que eu encontrei para tornar o ensino da filosofia, que para muitos é chata, mais fácil de assimilação, contextualizando-a com os elementos da região, realidade que as pessoas que aqui habitam conhecem tão bem. Portanto, o conteúdo pretende ser as origens de uma filosofia da educação ou do olhar amazônico”, explicou Luís.

O livro é composto por 13 contos, cada conto falando sobre um tema específico, de forma que o leitor pode ler qualquer um deles separadamente, sem prejuízo na compreensão do todo. O título ‘Jesus e Ajuricaba na terra das Amazonas’ refere-se a um dos contos escrito quando a Amazônia estava pegando fogo, quando toda a imprensa internacional divulgava fotos da Amazônia incendiando.

“Primeiro, imaginei Ajuricaba conversando com Jesus sobre o tema. Depois foi só passar para o papel, para a tela do computador, o diálogo dos dois”, contou.

Sobre vários temas

Os temas constantes no livro são bem abrangentes: drogas, desemprego, meio ambiente, queimadas. Embora tudo esteja ligado com tudo, os temas são abordados separadamente em cada conto, porém, o fio condutor de todos os 13 é o ambiente amazônico, sua gente, seus costumes, suas tradições, seu modo de ser. Os personagens transitam nesse universo para falar sobre essas situações.

“Como todo homem amazônico gosta de contar ou ouvir uma boa história, não se usa dados, estatísticas, para falar desses temas. Talvez esteja aí o ponto de encontro deles. Usa-se a imaginação, a criatividade, o conto, para torná-los complexos em sabedoria e aprendizagem”, falou.

Luis é professor de alunos do ensino médio e do primeiro período do ensino superior, com faixa etária que vai dos 14 aos 20 anos, e lembrou que escreveu este livro pensando neles.

“Quis mostrar para estes jovens que a filosofia está em todas as situações do cotidiano. Que para filosofar não é preciso saber tudo o que disse Sócrates, Platão, Aristóteles, Maquiavel, Sartre, Heidegger, mas que é preciso conhecer o mundo à sua volta e atribuir-lhe um sentido. Penso que este livro pode ajudar a derrubar a ideia de que filosofia é somente para pessoas inteligentes”, adiantou.

“A filosofia é simples, fácil e compreensível, basta ter disposição e querer compreender a arte do pensamento. Por fim, penso que esse livro ajudará o leitor a ver o lado simples da vida, do conhecimento, pois, de muitos modos, somos curiosos por natureza, e o desejo de conhecer é o ponto principal para se tornar um bom filósofo”, completou.

Para o escritor/filósofo, ou filósofo/escritor, precisamos aprender a valorizar mais aquilo que é nosso, nossos costumes, nossas tradições, nossa medicina. É preciso ouvir mais as vozes dos caboclos, dos ribeirinhos, dos pescadores.

“É preciso ouvi-los para retribuí-los em suas necessidades, principalmente de educação, saúde, trabalho e qualidade de vida”, concluiu.

Trechos do livro

“Jesus Cristo ao receber Ajuricaba no céu sensibilizou-se com sua história e com a história de seu povo. Então, depois de reunir a Corte Celestial, decidiu tirar uns dias de férias na Terra e conhecer pessoalmente à Amazônia. Antes, Jesus quis saber como era a vida por essas bandas. ‘– Quando lá estava, o meu povo era massacrado, feito escravo e até mortos. Creio que essa realidade não mudou muito. Ainda devem existir muitas dificuldades, sobretudo econômicas, políticas, culturais, sociais, sobre aquela região’, disse Ajuricaba”.

“Na Terra, estavam Jesus e Ajuricaba sentados debaixo de uma grande árvore, à beira da praça da Polícia, no Centro de Manaus. Os dois conversavam sobre muitos assuntos, em especial aqueles que levaram à morte de Ajuricaba. No calor da discussão, Jesus reclama das altas temperaturas que assolam a capital do Amazonas. – Na minha época, Manaus não era tão quente assim. Tínhamos árvores frutíferas e tantas outras de paisagem. Esse calor insuportável que Manaus sofre hoje é consequência das constantes queimadas, das invasões”.

“Jesus e Ajuricaba continuaram caminhando. O líder indígena estava feliz por aprender mais sobre o amor. Jesus caminha em silêncio, agora pensativo. Os dois andaram até sumirem no horizonte, deixando por onde passaram uma sensação de paz e alegria”.

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