Lucro das instituições financeiras e spread bancário

Os bancos brasileiros têm ampliado seus resultados nos últimos anos e no exercício de 2007 não foi diferente quando bancos como o Bradesco e Itaú publicaram seus resultados e apresentaram lucros superiores a R$ 8 bilhões cada um. O mesmo acontece com o Banco do Brasil, que teve lucro maior que R$ 5 bilhões naquele período.
As causas para os bons resultados são várias e passam por algumas particularidades que não aparecem nas estatísticas dos órgãos oficiais e fiscalizadores do segmento como o Banco Central, por exemplo.
Como as estatísticas divulgam as taxas de juros pelo valor médio, estes dados dão a impressão de que o usuário paga uma taxa de juros entre 40% e 50% ao ano. No entanto, para ficar com os correntistas pessoa física, as taxas cobradas pelos três maiores estão bem acima dos valores divulgados como média pelo Banco Central do Brasil, fato que concorre diretamente para manter os lucros dos bancos em ascensão.
Mas nem só disso é composto o resultado das instituições financeiras bancárias, o spread que, grosso modo, é o valor embolsado pelos bancos e sua composição é medida entre o custo do dinheiro e o que o banco recebe do tomador final quando o recurso é emprestado têm influência das mais importantes.
Ao contrário do que declara o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem a crise dos sub prime nos Estados Unidos não deveria afetar o Brasil, o estudo recém-publicado pelo Banco Central do Brasil sobre o spread dos bancos brasileiros é uma prova cabal de que o contágio já está ocorrendo.
De acordo com analistas que tiveram acesso ao estudo do Banco Central, o contexto de maior incerteza a permear a economia no exterior levou as institui­ções financeiras a elevar o nível do spread médio de suas operações realizadas no Brasil. Com isso, a variação a maior ficou situada em 3,3 pontos percentuais, passando de um patamar de 33,8% para 37,3% ao ano. Já no caso das operações direcionadas às pessoas físicas, a história é outra e a taxa de juros subiu 4,9 pontos percentuais, passando de 43,9% para 48,8% ao ano.
Uma modalidade de crédito oferecida pelos bancos e muito utilizada pelas pessoas físicas é o cheque especial, este, ao lado do financiamento das compras feitas com cartão de crédito são as duas maiores fontes de dor-de-cabeça para quem ul­trapassa a linha que separa o bom pagador do endividado.
Como as taxas de juros cobradas nessas modalidades são as mais altas do mercado, o usuário finda entrando na lista negra dos inadimplentes.
A inadimplência é uma outra variável a entrar como componente da taxa de juros cobrada pelos bancos e financeiras. Em janeiro, diz o estudo do Banco Central, ela teve um aumento e ficou em 7,1%. As pressões sobre a inadimplência vieram da aquisição de outros bens e do crédito pessoal, elevando, assim, a taxa cobrada do usuário de crédito.
Mesmo assim, os operadores e analistas do mercado de crédito bancário asseguram que estas instituições estão propensas a manter a oferta de crédito tanto para as famílias como para as empresas. A decisão parece óbvia quando se tem em mente que, apesar de um atraso maior nos pagamentos, as instituições financeiras já estão embutindo, hoje, a provável maior ­inadimplência a acontecer no futuro.

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