Lojistas ampliam cuidados para se manter na ativa

O espectro de uma segunda onda de covid-19 em Manaus, e a desobediência civil aos protocolos de saúde em estabelecimentos da capital, já renderam endurecimento do governo estadual contra bares e restaurantes, com o fechamento dos primeiros e limitação de jornada para os segundos. As lideranças do comércio local se dividem quanto à possibilidade de que algo semelhante seja feito em relação ao varejo, mas concordam que todos os cuidados necessários devem ser tomados para evitar essa possibilidade.

Na semana passada, dados da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde) já apontavam um aumento de 2% nos casos do novo coronavírus, puxado principalmente por cidadãos das classes A e B e residentes no Adrianópolis (zona Centro-Sul) e Ponta Negra (zona Oeste), os bairros mais nobres da cidade. A avaliação do cenário epidemiológico também mostrou aumento de casos e internações em pacientes das classes mais abastadas.

Nesta quinta (24), o governador Wilson Lima anunciou um novo decreto (42.794/2020) determinando o fechamento de bares, balneários e locais que promovem festas particulares em Manaus. As atividades nos restaurantes e lanchonetes, por sua vez, tiveram horário limitado às 20h, sem música ao vivo. A medida tem validade prevista de 30 dias. Na semana anterior, a Prefeitura de Manaus teve iniciativa semelhante, fechando o acesso ao balneário da Ponta Negra. Uma reunião entre o governador e os representantes do segmento para tratar do assunto estava prevista para esta sexta (25). 

“Nada a ver”

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, diz que não existe nenhuma conversa nesse sentido em relação ao comércio porque, tanto o governo do estadual, quanto a prefeitura, já teriam entendido que o setor “não tem nada a ver” com o aumento de casos locais de covid-19, nem com uma suposta segunda onda. “O varejo está seguindo todos os protocolos de higiene. Se você for nas lojas, vai ver que está todo mundo de máscara e há álcool em gel para todos. Esse problema não está relacionado conosco”, frisou.  

Indagado sobre a resposta da clientela ao espectro de uma segunda onda, o dirigente lembrou que é natural que o consumidor reaja a riscos e se retraia, mas salientou que o movimento no comércio de Manaus continuou aquecido nesta semana e na outra, seguindo no mesmo ritmo registrado a partir de junho – mês de reabertura da lojas de bens e serviços não essenciais na capital amazonense.

“Quem já não estava saindo de casa, continuou assim. Algumas pessoas que estavam indo para a rua sem máscara e desprotegidas recuaram um pouco nestes dias. Mas, acreditamos que, já a partir deste final de semana, voltemos a ter o fluxo que estava ocorrendo antes. Todos com máscara e saindo para fazer suas compras necessárias”, amenizou. 

Ezra Azury informa que a FCDL-AM está fazendo todo o possível para apoiar o segmento de bares e restaurantes neste momento de inflexão. O executivo destaca que, embora a entidade entenda que alguns estabelecimentos estão “realmente passando dos limites”, muita “gente boa” e que sabe respeitar as normas e “quer fazer o trabalho direito” não está conseguindo trabalhar por causa de “meia dúzia” que não têm esse respeito.

“Nesta última quarta-feira [23], a FCDL-AM cedeu seu auditório para uma reunião da Abrasel-AM [Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seção Amazonas] e hoje estava previsto para ocorrer um novo encontro da entidade, desta vez com o governador, Wilson Lima, também. Sempre apoiamos as empresas do setor produtivo que trabalham legalmente”, enfatizou.     

“Situação preocupante”

Mais veemente, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, disse que o retorno da alta nos casos de covid-19 já era uma ameaça para o setor, sendo motivo para uma reunião das entidades representativas do comércio local com representantes do governo estadual. Segundo o dirigente, apesar de não haver sinais de um novo lockdown no setor, os lojistas estão apreensivos e consideram que a situação é preocupante. 

“Há um mês, a diretora presidente da FVS-AM [Rosemary Costa Pinto] já alertava para os riscos de aglomerados de pessoas em flutuantes e demais espaços, nos prevenindo de que isso poderia trazer problemas para os lojistas. Agora, temos esse acontecimento. Na época, ela frisou que as ocorrências não vinham das escolas. Temos muito medo, porque se tiver um repique, vamos ter que fechar as portas e não vai ser fácil. Já distribuímos nota reforçando para o pessoal usar máscara e ter todos os cuidados necessários. Vamos torcer para que isso não aconteça e ter fé em Deus”, asseverou.

Sobre medo do consumidor e sua influência nas compras, o presidente da ACA garante que o varejo “não está sentindo muito, não”. Jorge Lima conta que esteve com um lojista de um magazine local de grande porte e verificou in loco que não houve queda no consumo. No caso dos bares e restaurantes, o dirigente informa que a ACA está dando todo o apoio necessário, mas concorda que o segmento sofrerá queda, mesmo nos estabelecimentos que ainda se mantiverem abertos, em virtude do horário mais restrito. 

Procurado pelo Jornal do Commercio, o presidente da Abrasel-AM, Fábio Cunha, não pode ser localizado até o fechamento desta edição. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde) informou que não participou do encontro, mas adiantou que uma nova análise a respeito do cenário da covid-19 e da eventualidade de uma segunda, será divulgada nesta próxima semana. 

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