Lojas Marisa vai lançar marketplace

Dez em cada dez especialistas em varejo asseguram que o canal digital não pode mais ser desconsiderado nem mesmo pelos pequenos lojistas.

A Lojas Marisa, uma das mais tradicionais redes de lojas do país, conhecia este caminho desde o fim dos anos 90 e agora decidiu renovar o canal por meio de uma plataforma digital.

Com lançamento programado para outubro, o marketplace da Marisa, controlada pela família Goldfarb, quer vender produtos e serviços capazes de fortalecer a autoestima da mulher.

Lingeries, roupas, artigos para a casa, perfumes, linha pet e até aulas de empreendedorismo e educação financeira estarão à disposição das clientes.

São elas, principalmente, as mulheres trabalhadoras das classes C e D, na faixa dos 33 anos, com dois filhos, e renda mensal de cerca de R$ 2.500.

Com 344 lojas e um faturamento anual perto de R$ 3 bilhões, a Marisa pretende com o marketplace dar uma virada na empresa e colocar em ação um plano de expansão.

Os rumores de que estaria à venda são negados pela diretoria da companhia, que já teria sido sondada por Arezzo, Americanas e Lojas Renner, pelo menos.

Apesar de vender há muito tempo pela internet, o comércio on-line representava apenas 2% do faturamento da empresa até 2017.

Com a pandemia do novo coronavírus, as vendas virtuais pularam para 15% e a projeção da Marisa, com o marketplace, é que este percentual atinja 25% em cinco anos.

A opção clique e retire, isto é, comprar pelo site e buscar o produto na loja, deu um empurrão nas vendas digitais da rede, a partir de 2018.

Assim como a venda por WhatsApp e a entrada em marketplaces de outras empresas.

No último trimestre de 2020, a rede lançou um aplicativo que, em menos de um ano, ultrapassou a casa dos 10 milhões de downloads, e já participa com 60% da venda digital.

“Não temos a ambição de ser o maior marketplace do Brasil e concorrer com Magalu ou Amazon, mas queremos ser a plataforma da mulher”, diz Marcelo Pimentel, CEO da rede.

Com a captação de R$ 550 milhões no mercado de ações em 2019 e o fechamento de lojas não rentáveis (cerca de dez), a rede conseguiu reestruturar as finanças, de acordo com Pimentel.

No primeiro semestre deste ano, diz ele, as vendas da companhia ainda estavam abaixo, em torno de 1,5%, das de igual período de 2019.

Nos últimos dois meses, porém, a Marisa começou a registrar aumento no faturamento, na comparação com o período pré-pandemia.

“Este é um excelente sinal, com destaque para as lojas das regiões Norte e Nordeste, onde identificamos uma volta mais rápida do consumo”, afirma Pimentel.

A venda a prazo, por meio do cartão da Marisa, representa 45% do faturamento da rede. A média do parcelamento da compra é de oito vezes.

Diferentemente do que têm registrado algumas empresas, a Marisa não sentiu aumento na inadimplência neste período de pandemia.

Para Pimentel, a explicação é a seguinte: “para a nossa cliente, trabalhadora, é importante ter o nome limpo para ter acesso ao crédito. Por isso, ela não deixa o nome ficar sujo”, diz.

Por meio do cartão Marisa, a cliente também pode fazer empréstimo pessoal e ter acesso a seguros. Quem administra o financiamento ao cliente é o braço financeiro da rede, o MBank.

Esse braço financeiro, que financia a compra da clientela, diz ele, foi de extrema importância no processo de turnaround da rede.

“A cliente está se adaptando cada vez mais ao crédito digital. As empresas que ficarem paradas neste processo correm o risco de serem engolidas”, afirma.

VAREJO FÍSICO

A expansão da Marisa também se dará nas lojas físicas. Um novo modelo foi testado no shopping Parque Dom Pedro, em Campinas (SP), que será replicado em outras lojas.

Os espaços de checkout e MBank foram unificados, a iluminação, o ambiente da loja, os provadores foram reformulados.

“Este modelo está indo muito bem, com uma performance 30% melhor do que a média da rede”, diz Pimentel.

Ainda neste semestre, quatro lojas de São Paulo serão reformadas, processo que vai prosseguir em 2022 e também com a abertura de novos pontos de venda.

“Acreditamos no modelo híbrido. Somos um negócio de varejo físico, que cada vez mais tem participação no digital.”

Diferentemente da Riachuelo, que produz parte dos produtos que comercializa, a Marisa compra tudo de 250 fornecedores, concentrados em São Paulo e na região Nordeste.

Para evitar que os fornecedores utilizem mão de obra análoga ao trabalho escravo, um problema que já envolveu nomes de grandes redes no país, a Marisa, diz Pimentel, trabalha com empresas homologadas pela ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil).

“Além disso, fazemos mais de mil auditorias nos fornecedores por ano, com visitas às fábricas, para ver se elas estão realmente praticando o que se comprometeram”, diz ele.

A rede tem investido em ações para conhecer cada vez mais a clientela e realizado pesquisas de satisfação para fazer eventuais ajustes.

De zero a 100, a nota média das clientes no tempo gasto em fila era 48 no ano passado. Hoje, 80, de acordo com Pimentel.

No momento em que redes não querem nem ouvir falar em shoppings, por causa dos embates causados com a pandemia, a Marisa quer expandir lojas justamente em centros comerciais.

Hoje, a rede tem metade de suas lojas em ruas. “Mas queremos ir para os shoppings que têm a ver com o nosso público.”

Foto/Destaque: Divulgação

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