Logística e sinergia de esforços para não perder o ano letivo

A pandemia de coronavírus que aflige o mundo afetou dentre outras atividades, a educação no Brasil.

Escolas fechadas, alunos em casa, pais tendo que acompanhar os estudos de seus filhos com uma maior frequência e proximidade, são alguns dos efeitos provocados.

Além de afetar a saúde pública e a economia, covid-19 poderá causar graves consequências para a educação, caso não haja uma sinergia de esforços envolvendo Estado, escola, família e principalmente docentes e discentes interessados.

Quanto ao comprometimento da qualidade do ensino-aprendizagem acredito lealmente que este não será afetado severamente, desde que, as instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas, tenham capacitado seu corpo docente para o ensino à distância com o uso das tecnologias disponíveis ou se preferir TE ( Tecnologias Educacionais).

O Ensino à Distância no Mundo

Alguns estudiosos apontam que, as primeiras tratativas com a utilização da Educação à Distância surgiram no século XVIII, quando um curso por correspondência concebido por uma instituição de ensino, localizada em de Boston (EUA). A partir de então, e´ possível estabelecer uma cronologia da evolução da EAD no mundo.

As primeiras experiências surgiram no século XIX, no continente Europeu com o oferecimento de cursos por correspondência na Suécia, Reino Unido e Espanha, além dos Estados Unidos. No início do século XX, países como Austrália, Alemanha, Noruega, Canada´, Franca e África do Sul começam a realizar suas primeiras experiências com esse tipo de ensino.

No Brasil, o desenvolvimento da EAD tem seu início no século XX, em decorrência do iminente processo de industrialização cuja trajetória gerou uma demanda por políticas educacionais que formassem o trabalhador para a ocupação industrial. Dentro desse contexto, a Educação a Distância surge como uma alternativa para atender a’ demanda, principalmente através de meios radiofônicos, o que permitiria a formação dos trabalhadores do meio rural sem a necessidade de deslocamento para os centros urbanos.

A Legalidade do Ensino a Distância

Muitos pais e responsáveis por alunos questionam e entendem que o Ensino provido por Tecnologias e sem a presença física do professor, contribuirá para um ensino de qualidade inferior, embora não haja nenhuma literatura que afirme isso.

O Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017, regulamenta o art.80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, prospecta em seu Art. 1º:  

“ Considera-se educação a distância a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliação compatíveis, entre outros, e desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da educação que estejam em lugares e tempos diversos. 

Ainda sobre a legalidade do Ensino Mediado por Tecnologias, menciona o Decreto em seu Art. 2º:

“A educação básica e a educação superior poderão ser ofertadas na modalidade a distância nos termos deste Decreto, observadas as condições de acessibilidade que devem ser asseguradas nos espaços e meios utilizados”. 

A Logística Operacional e seus Componentes.

É de fácil percepção, que o Decreto supra citado não resolve problemas práticos enfrentados por professores, gestores e alunos, no que concerne à sua aplicação.

– Internet x Anatel.

O fato é que, neste momento em que o mundo inteiro precisa estar conectado e isso não exclui o Brasil, aquilo que seria o combustível para que as tecnologias disponíveis para à educação entrem em ação, ficamos paralisados diante da enorme incompetência da operadoras de internet brasileiras, que são verdadeiras vilãs de mercado, pois vendem um serviço e entregam quase nada ao consumidor. Não obstante, aquela que seria a nossa defensora, encontra-se entubada e em estado de coma profundo contaminada pelo pior vírus da humanidade, a incompetência. 

– Hardwares Tecnológicos.

Grande parte dos alunos e seus responsáveis ainda se furtam de ter algum tipo de dispositivo para se conectar com a escola e seus professores. A pergunta é: o que o governo vai fazer a respeito? O que as escolas podem fazer além de manterem um polo de poio em suas dependências, mas que por hora não podem ser utilizados por questões óbvias?

– Professores, Pais, Alunos e Escolas.

Do outro lado, estão os professores e alunos que tiveram que se adaptar na velocidade da luz. O uso das tecnologias assim como a aplicação destas ferramentas com o fito de alavancar o conhecimento e manter seus alunos intelectualmente sincronizados com o conteúdo escolar, também tem demandado esforços de ambas as partes.

Professores viraram, locutores do saber, utilizando a ferramenta Podcast. Outros, viraram verdadeiros Youtubers, criando dentro da sua própria casa, estúdios de gravação que contam a criatividade em seus cenários de fundo. Há também aqueles que tiveram que vencer a timidez diante das câmeras e se transformaram em verdadeiros atores do conhecimento com transmissão ao vivo.

O aplicativo Whatzapp não ficou para trás, pois também está sendo utilizado em grande escala. Inclusive, para o envio de avaliações para os alunos.

Diante de tudo isso, quero aqui ressaltar a iniciativa de uma professora do ensino fundamental e de uma escola ambas em Manaus-AM.

Vou iniciar pelo colossal esforço e dedicação da professora Lineide S. S, que leciona para o 2º período do ensino fundamental de uma escola situada na Zona Leste da cidade de Manaus.

Ao perceber, minutos antes de sua aula ao vivo transmitida pelo aplicativo Google Meet, que o microfone do seu computador não lhe dava retorno, entrou em desespero. Suspendeu a aula, pediu desculpas aos seus alunos. 

Pediu a sua vizinha um notebook emprestado, ao mesmo tempo em que providenciava a compra de um novo computador, provavelmente com valor igual ou superior ao seu salário de professora.

Em tempos de crise, quem se disporia em ter uma despesa não prevista para estimular o conhecimento às pessoas?

A resposta é simples, somente uma profissional da educação que ama o que faz e que é envolvida por um sentimento de profissionalismo misturado com compaixão faria isso, mais ninguém.

Já o Centro Positiviano de Ensino, apropriou-se de estratégias logísticas diferenciadas para corroborar com o estímulo do ensino aprendizado oferecido aos seus alunos, em tempos de pandemia.

 A escola conta com uma plataforma digital riquíssima, com acervos norteados pela BNCC de diversas formas. Conta ainda com um aplicativo que facilita e viabiliza a comunicação entre pais, alunos, professores e escola. Não menos importante, utiliza também as tecnologias Google For Education.

Aos alunos que por alguns fatores estão mais distantes das tecnologias, a escola possui um atendimento agendado e personalizado para orientações e saneamento de eventuais dúvidas.

As gravações de vídeo aulas e podcasts estão a todo vapor e em breve estarão sendo implementados a Cultura Maker à distância.

Não obstante, a toda está logística em prol da educação, a direção da escola resolveu emprestar as cadeiras escolares para seus alunos, com o sentimento de propiciar um maior conforto na hora de estudar.

A nobre ideia partiu do mantenedor da escola, Sr. Marcos O.   que ao perceber que nos vídeos das aulas os alunos apareciam estudando na cama, na escada e até mesmo na mesa da cozinha, ficou sensibilizado e viabilizou o empréstimo.

Vou encerrar este artigo, com uma grande certeza. A minha convicção de que a pós vírus trará à tona a valorização do profissional da educação. Este profissional que merecia ganhar mais do que um jogador de futebol, terá um outro reconhecimento da sociedade e a certeza de que um país para vencer e crescer não precisa de políticos e sim de educadores.

*Luiz Claudio da Silva é educador corporativo, professor de ensino superior e especialista em capacitação empresarial, profissional de Logística, RH e Gestão da Qualidade e especialista em Transporte Aéreo de Cargas Internacionais.

Fonte: Luiz Cláudio da Silva

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