Logística afasta linha branca da ZFM

Por conta das dificuldades do segmento de linha branca em produzir no PIM (Polo Industrial de Manaus), o anúncio de que a coreana Samsung pretendia montar geladeiras e máquinas de lavar em Manaus a partir do segundo semestre, já sinalizava um presente de Natal adiantado para o setor da região.
Contudo, as esperanças se perdem por conta da dificuldade logística. O gerente de RH (Recursos Humanos) da Samsung Eletrônica da Amazônia, David Vital, esclarece que a notícia foi apenas um engano.
Segundo o representante, a empresa no Amazonas fabrica condicionadores de ar e é pouco provável que haja projetos para fabricar outros itens do segmento na planta amazonense, pois não há viabilidade econômica. “São produtos de grande volume, não traria um custo benefício vantajoso”, ressaltou.
O gerente destaca que a montagem destas mercadorias será realizada na unidade de Campinas, em São Paulo. De acordo com Vital, mesmo se houvesse um aumento nos incentivos disponibilizados pela ZFM (Zona Franca de Manaus), ainda assim não seria proveitoso para a multinacional.
O presidente do Sinaees/AM (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), Wilson Périco, que também assume a presidência do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) no dia 13 de julho, declara que estes itens necessitam de investimento maior devido a seu porte. Por conta disso, não seria tão lucrativo produzi-los na região, que ainda sofre com os problemas de integração entre o restante do país.
No entanto, o presidente do sindicato argumenta que a questão logística incomoda todos os setores. Desta forma, apesar de a presidente Dilma Rousseff (PT) ter descartado prejuízos ao Estado, ‘tranquilizando’ as indústrias do Amazonas ao afirmar que não haverá nenhuma perda com a MP (Medida Provisória) 534, Périco pondera que as medidas tomadas até agora tem girado em movimento contrário às afirmativas.
Exemplo disso é a possível extensão da política de conteúdo nacional dos tablets para os telefones e, principalmente, para a ‘galinha dos ovos de ouro’ do Polo, os televisores, que podem dar premissa para conceder os mesmos benefícios fiscais dados ao dispositivo. “Ainda não há nada definido, mas se for batido o martelo, haverá a redução de atividade aqui”, enfatizou o presidente.
Assim como a Samsung, que conta com uma unidade paulista, várias empresas implantadas na capital possuem outras filiais ao redor do País. Por isso, segundo o dirigente, com a perda de incentivos estas indústrias devem realocar sua produção para outras regiões. “Não é discussão técnica, mas política. Precisamos de articulação da bancada federal”, observou.

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