7 de maio de 2021

Locadoras de carros pedem espaço no Aeroporto de Manaus

A Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis) no Amazonas, vai enviar um  ofício demandando a abertura de vagas no estacionamento do Aeroporto de Manaus para pequenas e médias locadoras atenderem seus clientes.  A ideia é tentar uma reunião  com a Administração da Infraero, que opera o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, para abrir discussões sobre a ampliação de soluções de mobilidade para os passageiros.

Com a pandemia, as montadoras enfrentaram dificuldades com a baixa produção de veículos. Já as locadoras com parte de sua frota locada, ficaram impossibilitadas de  comprar novos veículos, tanto para renovação de frota quanto para atendimento de novos contratos, o que levou a operar com baixa disponibilidade de veículos, ou até indisponibilidade total, principalmente em período de final de ano.

O resultado disso, fez com que boa parte da demanda de locação dos aeroportos acabasse sendo atendida por pequenas e médias empresas que ofertam seus serviços através da internet com reservas online. Entregam e recebem os veículos no estacionamento ou áreas de embarque e desembarque dos aeroportos em datas e horários pré-acordadas, ou então realizam o transfer dos clientes do aeroporto até o ponto de atendimento externo da empresa.

No entendimento do diretor regional da Abla no Amazonas, Sidney Reche Galdeano Filho, 

os passageiros que trafegam por aeroportos  querem ampliar as soluções de mobilidade, não podendo ficar restritos às poucas opções de locação de veículos pelas locadoras com condição econômico-financeira de viabilizar a locação de um ponto comercial na área de desembarque.

Ele diz que apesar de atualmente existirem 200 locadoras de veículos no Estado do Amazonas, dos 6 pontos comerciais destinados à atividade que existem no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, somente 3 estão alugados (Localiza, Movida e Unidas).  “Isso é ruim para os passageiros que ficam limitados em escolher e, muitas vezes, sujeitos à indisponibilidade de veículos (como ocorreu durante a pandemia) e até a falta oferta de preço e baixa concorrência”. 

De acordo com o dirigente da entidade, uma das opções para resolver este impasse seria a concessão de um espaço compartilhado no estacionamento do aeroporto para que pequenas e médias locadoras pudessem usar um local fixo e seguro pré-determinado para entregar e receber os veículos de reservas online. Além de dar maior segurança e praticidade para os passageiros, iria gerar maior concorrência de preços e opções de compra para os usuários do aeroporto.

A iniciativa surgiu das locadoras associadas Abla que já tiveram a concessão de pontos comerciais no Aeroporto de Manaus, que custa em média R$ 30 mil. “O feedback foi de que com a evolução e adoção das contratações online, a maioria das reservas já são feitas pelos passageiros direto pelo site da empresa, que chegam no aeroporto somente para receber ou devolver o veículo. Ou seja, o ponto comercial dentro do aeroporto por si só não gera um volume de clientes, o que acaba inviabilizando o negócio para as pequenas e médias locadoras”. 

Segundo ele, neste modelo proposto, a remuneração do espaço poderia ocorrer em consórcio entre as locadoras que dele optarem por utilizar, ou até cobrado um percentual sobre a taxa administrativa sobre as reservas realizadas que seria transferido à administração do aeroporto (como ocorre com passagem aérea onde é cobrado o valor da passagem + taxa aeroportuária).

No caso do Aeroporto de Manaus, por exemplo, a maior parte do estacionamento fica permanentemente ociosa. Seria uma opção ganha-ganha. Mais opções de escolha e ofertas para os passageiros, remuneração de espaço ocioso de estacionamento ao Aeroporto, e geração de renda e desenvolvimento para as pequenas e médias locadoras. 

“É importante que os aeroportos brasileiros acompanhem o movimento mundial de repensar as soluções de mobilidade. Aeroportos americanos já alocaram áreas específicas para atendimento de operações de Carsharing, a exemplo do Aeroporto Internacional de Denver (DEN), onde atuam startups disruptivas como Turo e Getaround”. 

Custos alto para as menores

Foi o proprietário da locadora Lemans, Cacildo Júnior, que levantou a questão da operacionalidade  acerca da possível estrutura de um ponto para as locadoras menores. “A ideia é ter um espaço para que os clientes (passageiros) possam ter um ponto de encontro com as locadoras. E assim a locação e a devolução serão mais eficientes. Valorizando o passageiro usuário do aeroporto Eduardo Gomes”. 

Ele frisa ainda que o custo de ocupação dos stands são caros porque tem poucos espaços. As pequenas, que são menos expressivas, têm dificuldade de arcar com esse valor de R$ 30 mil  todos os meses. E assim os passageiros da maioria das locadoras ficam sem o

conforto de ter um espaço para entrega e o recebimento dos veículos que são reservados nas empresas fora do aeroporto. “As pequenas e médias empresas só conseguem se manter filiadas à Abla. E assim tornando-se grandes. Sem a ausência de um ponto comercial na área de desembarque, o impacto das locadoras menores implica no atendimento precário aos passageiros, além da dificuldade de localização”. 

Resposta 

De acordo com a Infraero, o estacionamento do Aeroporto Internacional de Manaus é concedido, desde 1º/7/2019, à empresa Sinart (Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico Ltda). As negociações privadas entre esta concessionária e demais empresas poderão ocorrer nos limites do contrato vigente e das normas regulamentares desta Companhia, que buscam resguardar a segurança jurídica de todas as atividades exercidas no Aeroporto.

No entanto, a Infraero ressalta que está aberta a conversas com representantes da Ablas para buscar uma solução dentre as áreas disponíveis no Terminal Aeroportuário, sempre focada na melhoria da qualidade para nosso cliente e no fomento à concorrência de atividades com igualdade de condições.

Em números 

No Amazonas, de acordo com o Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos, organizado pela Abla e com informações daRAI (Relação Anual de Informações Sociais), ao final de 2019 havia 195 locadoras operando no Estado. Juntas, essas empresas emplacaram 2.843 automóveis e comerciais leves no ano, resultando numa frota total de 6.599 veículos e 1.594 empregos diretos gerados no Amazonas.

Foto/Destaque: Divulgação

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