Mais de 1.300 artistas já passaram pelo palco do Teatro Oficina nos seus 55 anos de existência. Os números estão registrados no livro independente “Oficina50+, Labirinto da Criação”, assinado pelo ator e designer gráfico Mariano Mattos Martins, lançado no final de 2013. Para reunir tantos nomes em três páginas do livro, Mariano consultou programas de espetáculos e eventos que o grupo realizou até hoje.
“Além do livro, a gente está fazendo um convite para as pessoas entrarem no labirinto da criação do Oficina, como se elas estivessem entrando em uma grande mina de ouro”, garante Martins, que considera a obra uma espécie de almanaque. A pesquisa foi levantada nos dois principais acervos do grupo, um deles guardado em uma casa no Bexiga, o outro aos cuidados da Unicamp, em Campinas.
O organizador de ‘Oficina50+’ também destaca a quantidade de informações que precisou filtrar: “Dentro de um universo de mais de cem mil imagens, que a gente teve acesso, nós selecionamos mais ou menos 1.500”. E ele garante que boa parte do material escolhido é inédito.
Entre os pontos abordados no livro estão o embate do Oficina com a Ditadura Militar, as montagens históricas e os três “nascimentos” do grupo: o primeiro, em 1958, quando o grupo nasceu propriamente; o segundo, em 1961, quando ele se profissionalizou; e o terceiro, em 1994, com a inauguração do espaço do ‘terreiro eletrônico’, criado pela arquiteta Lina Bo Bardi.
Embora se perca no excessivo número de reproduções de matérias de jornais, o livro traz preciosidades, como os mapas astrais riscados pelo astrólogo cubano Hector Othon a partir das datas de aniversário de cada uma das três fases do grupo. Sobre as reproduções de reportagens, Martins diz que a idéia era começar a tornar público os documentos guardados pelos acervos.
Há também textos de programas, cartas escritas pelo diretor Zé Celso à imprensa ou a órgãos do poder público e, ainda, um conjunto de textos criados especialmente para esta publicação, assinados pelos atores Aury Porto e Pascoal da Conceição e a diretora Cibele Forjaz, entre outros nomes.
Com custo de R$ 270 mil financiados a partir de lei de renúncia fiscal, a obra tem tiragem de 2 mil exemplares; 1.500 serão distribuídos para bibliotecas, universidades e outras instituições, e os 500 foram vendidos no lançamento, por R$ 20. Para mais informações: http://www.teatroficina.com.br/

O Amazonas no Teatro Oficina
A atriz amazonense Mayara Dellacarmo esteve recentemente na companhia e conta, em entrevista exclusiva para o Estilo de Vida, a experiência de vivenciar uma das escolas mais importantes e consagradas do Brasil.
“Uma experiência única, fundamental”. Assim ela define a temporada naquele lugar. “Quando cheguei lá, o que eu encontrei foram às portas abertas pra mim. Estavam trabalhando pra remontar a montagem da peça “Macumba Antropófaga 2012” e estreamos na virada cultural de São Paulo em um teatro circo armado no Baú da Felicidade do Silvio Santos”, lembra.
Para ela, a decisão de trabalhar no Oficina foi desafiadora. “Não foi fácil, mas foi necessário. Você encara tudo o que acontece no dia a dia como um teatro, onde cada um de nós tem em si uma personagem. A cada apresentação, era um ato de ‘devoração’ de mim mesma, de tudo e de todos”, descreve Mayara.
Hoje, depois do Oficina, encara a vivência como uma ponte. “Só tenho a agradecer ao meu querido Zé! Sei que as barreiras são enormes, mais não pretendo parar por aí”, garante. Recentemente, atuou em uma série de televisão com direção de Marcus Alvisi (ainda sem data de estréia) para as emissoras Canal Brasil e TV Cultura.
Sobre a cena local, a define como um celeiro de muita gente talentosa que precisa se mostrar mais fora do Estado. “Manaus foi a minha base de tudo que sei e sou. E, se hoje eu vejo uma possibilidade de brilhar lá fora, é graças aos mestres que tive nessa cidade”, Mayara agradece.

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