Livro de Jordan Lima mostra fatos da Ordem dos Carmelitas na Amazônia

A Ordem dos Carmelitas é uma das mais antigas ordens religiosas do mundo surgida no final do século 11, na região do Monte Carmelo, hoje no Estado de Israel. No século 13 saíram de lá fugidos, rumo a países do Ocidente, devido à invasão dos sarracenos. No século 16 já estão na Espanha e Portugal. É de Portugal que partem para a Amazônia e sua permanência na região, por mais de um século pode ser melhor conhecida através do livro ‘Entre a cruz, a flecha e a espada’, do professor e historiador Jordan Lima Perdigão, que será lançado no próximo dia 3, sábado, na Livraria Nacional.

“O livro é resultado de minha pesquisa para a dissertação de mestrado em história social, que cursei na Ufam. Como cheguei a ser seminarista, resolvi pesquisar a história da Igreja na Amazônia”, disse.

“Convidavam os indígenas a vir morar no entorno do forte, o que fez surgir a futura Manaus” – Foto: Divulgação

“No começo queria fazer um trabalho a respeito da história da Arquidiocese de Manaus, mas um assunto foi puxando o outro, fui me aprofundando cada vez mais no que ia descobrindo e quando vi, havia chegado aos carmelitas, uma ordem religiosa que foi bastante ativa na Amazônia, mas sobre a qual, diferente dos jesuítas, existem poucos documentos. Os jesuítas documentavam tudo o que faziam, já os carmelitas, nem tanto”, contou.

“A obra preenche, em parte, uma lacuna na historiografia sobre a atuação das ordens missionárias durante a colonização da Amazônia, entre os séculos 17 e 18. Último território a ser totalmente dominado pelas forças portuguesas”, escreveu na apresentação do livro, o historiador Almir Diniz de Carvalho Júnior.

A serviço do rei

Jordan defende a tese de que foram os carmelitas os responsáveis pela fundação de Manaus a partir do forte de São José da Barra do Rio Negro. O grupamento militar que construiu o forte até trouxe junto um religioso jesuíta, mas este foi embora e dois carmelitas vieram ocupar seu lugar.

“Estes saíam visitando as aldeias indígenas, manáo, baré, baniwa, passé, convidando-os a vir morar no entorno do forte, o que fez surgir a cidade, futura Manaus”, lembrou.

“Foram os carmelitas que atuaram na ‘condução das almas’ do núcleo populacional criado no entorno do forte da Barra do Rio Negro, e na aldeia de Maryuá que, mais tarde, se tornou a primeira capital da futura capitania, e tomou o nome de Barcelos”, completou Almir.

Os carmelitas que vieram para a Amazônia eram de Portugal. Chegaram aqui em 1694 e a partir de 1734, puderam continuar na região, porém, sem exercer a função de missionários. As ordens foram proibidas de atuar nas aldeias indígenas, autorizados a permanecer apenas como vigários nas paróquias. Em 1759, o marquês de Pombal promoveu a expulsão dos jesuítas do Brasil. Em 1834, todas as ordens religiosas foram extintas do país, incluindo os carmelitas.

De acordo com Jordan, os religiosos que se prestavam a vir para a distante Amazônia, um local totalmente desconhecido e inóspito, tinham dois motivos para fazê-lo: o religioso e o político. Vinham a serviço da coroa portuguesa, remunerados por ela, e recebiam como missão expandir as terras do reino, catequizando seus povos, com isso, combatendo o protestantismo, que estava em expansão na Europa.

Importantes na lusitanização   

“Os jesuítas haviam explicado ao rei que as terras onde deveriam atuar eram muitas, e eles eram poucos, então pediram ‘reforços’ ao rei D. Pedro II (homônimo de D. Pedro II, imperador do Brasil). Os carmelitas, que até então só atuavam em colégios, principalmente no Nordeste, foram mandados para cá. Os jesuítas não quiseram mais ficar no rio Negro, porque lá já atuavam jesuítas espanhóis, então os carmelitas passaram a ocupar o Negro, o Solimões e parte do Madeira”, falou Jordan.  

Durante dois anos Jordan pesquisou em Manaus e depois Belém concluindo que os carmelitas foram importantes não só na fundação de Manaus, mas também de outras cidades na Amazônia, além de serem decisivos para o estabelecimento definitivo dos limites territoriais portugueses (hoje brasileiros), da Amazônia Ocidental.

“Eles foram importantes na lusitanização da Amazônia, anteriormente dominada pela Espanha, ao ajudar na transgressão do Tratado de Tordesilhas”, revelou.

E como Jordan falou, que um assunto puxa outro, agora ele pretende pesquisar em Porto Velho, onde há um templo carmelita e espera encontrar documentos que contem sobre a atuação da ordem no rio Madeira. Os próximos passos serão Portugal e Espanha.

“Uma segunda edição ampliada de ‘Entre a cruz, a flecha e a espada’, com certeza, trará novidades e fatos relevantes até agora desconhecidos. Muito há por ser desvendado e conhecido na investigação sobre a importância dos carmelitas para a história da Amazônia. E até hoje eles atuam na região”, finalizou.

‘Entre a cruz, a flecha e a espada’ é indicado para quem gosta de história, de Amazônia colonial e de religião.

Serviço:

O que: Lançamento do livro ‘Entre a cruz, a flecha e a espada’, de Jordan Perdigão

Onde: Livraria Nacional

Rua 24 de Maio, 415 – Centro

Quando: Dia 3 de julho, sábado, às 10h

Informações: 9 9294-1777

Foto/Destaque: Divulgação

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