Live Campus Party fala sobre meio ambiente

No dia 24 passado o Senado aprovou um novo marco legal de saneamento básico pro país, o que atrairá investimentos para o setor, gerando mais empregos e melhorando a qualidade de vida das pessoas com saúde e educação. Dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), de 2018, mostram que atualmente metade da população brasileira (100 milhões de pessoas) não têm acesso ao sistema de esgoto, enquanto 16% (quase 35 milhões) não têm acesso à água tratada.

“A Região Norte é a região mais precária quando falamos de saneamento como um todo, o que envolve água, esgoto e drenagem”, completou a professora Jossandra Alves, mestre em Clima e Ambiente e coordenadora do curso de Engenharia Civil da faculdade Martha Falcão.

Jossandra participará hoje, 09, das 19h35 às 20h, da live do Campus Party Digital Edition, primeira edição mundial do evento de inovação e criatividade totalmente digital e gratuita, que ocorrerá simultaneamente em 30 países diferentes, até o dia 11. A professora apresentará o tema ‘Drenagem: o rio começa aqui!’.

Manaus foi uma cidade que já teve belos igarapés cortando a cidade e inúmeros outros nas zonas limítrofes. Até a década de 1950, os chamados banhos, eram utilizados pela população para diversão e lazer nos finais de semana e feriados. Com o crescimento da cidade, principalmente com a chegada das indústrias atraídas pela Zona Franca, em pouco mais de dez anos tudo mudou. A população vinda do interior, acostumada a jogar pela janela das casas, para dentro do rio, tudo o que não lhe servia mais, trouxe o costume para a capital, ao ocupar as margens dos igarapés.  

“É um costume e má educação arraigados. As pessoas que jogam lixo nas ruas e igarapés não pensam que aquele lixo uma hora volta pra elas mesmas. De repente cai uma chuva, você fica no trânsito, parado, porque o ponto que está alagado é reflexo do lixo que você jogou em algum ponto lá atrás. São questões que precisam ser trabalhadas, mas levam tempo para mudar”, lamentou.

Um dia o Tarumã foi assim

Aterrando rios e igarapés

Manaus também perdeu belos igarapés, aterrados por governadores e prefeitos nos últimos 130 anos. A ilha de Monte Cristo, no Centro antigo, até hoje tem esse nome, mas o braço de rio que a separava da cidade foi aterrado ainda durante o governo de Eduardo Ribeiro (1892/1896), que também aterrou o igarapé do Espírito Santo, hoje avenida Eduardo Ribeiro.

“Quando Manaus se tornou a ‘Paris dos Trópicos’ e começou aquele monte de construções, visando que a cidade tivesse a semelhança das cidades européias, não foi levado em conta que aqui o local era outro, diferente da Europa”, lembrou.

“Certos governantes costumam pegar a idéia de um lugar onde algo deu certo e querem transformar e adaptar para outro lugar, mas nem sempre dá certo. Por que Eduardo Ribeiro e outros governantes acharam que seria interessante aterrar igarapés, ou rios? Acredito que tenha tido planejamento, sim, mas não a longo prazo. Não lembraram da imigração e do crescimento da cidade”, disse.

“Manaus, desde seus tempos áureos, vivencia um crescimento urbano intenso. O efeito dessa urbanização impacta o desenvolvimento dos rios que percorrem a cidade, tendo como consequência problemas como inundações e alagamentos”, completou.

Uma cidade única

Se pararmos para pensar, Manaus poderia ser hoje uma cidade única no mundo, referência na beleza e na questão ambiental. Se os igarapés e rios tivessem sido mantidos. Se a mata ciliar tivesse ao menos cem metros de largura em cada margem. Se as casas tivessem sido construídas ordenadamente ao longo dessas margens. Se o sistema de esgoto tivesse sido obrigatório em todas as casas.  

“Manaus seria uma referência mundial, quem sabe, mais bela do que Veneza, porque as casas estariam nas margens dos igarapés, cercadas de árvores e plantas amazônicas. Teríamos mais pontos turísticos e áreas de lazer para a sociedade, mas não adianta chorar sobre o que deixou de ser feito. Devemos, agora, buscar melhorar o que está aí”, falou.

Para Jossandra a mudança deve começar pelos governantes, que devem investir na educação e conscientização ambiental da população, depois fiscalizar, e fiscalizar sempre.

“A sociedade precisa aprender que cuidar do meio-ambiente não é só uma questão de governos, mas as ações devem partir principalmente dela própria. Essa conscientização não vai mudar de um dia para outro, mas se começarmos a trabalhar as crianças agora, além delas aprenderem para toda a vida, também ensinarão os adultos com quem convivem”, afirmou.

Onde assistir

A Campus Party Digital 2020 acontece entre os dias 9 e 11 e traz conferências ao vivo e on demand em um palco principal global, que contará com mais de 50 palestrantes de renome internacional e de diversas nacionalidades. Todo o conteúdo será disponibilizado em seis palcos. Além do Palco Principal e Global, outros cinco temáticos transmitirão palestras de forma ao vivo e on demand, com fins de arrecadar fundos aos Médicos Sem Fronteiras. Os três polos brasileiros terão diversos palcos com temáticas diferentes, além disso, haverá uma Arena Podcast, com palestras voltadas ao formato de áudio, e o palco Include, projeto social da Campus Party que monta laboratórios tecnológicos em periferias de todo o Brasil.

O tema desta edição é Reboot the Planet, em tradução livre, ‘reiniciar o planeta’, que pode ser assistida em: amazonia-digital.campus-party.org/ e brasilia-digital.campus-party.org

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