Liquidações avançam em janeiro no varejo amazonense

O comércio varejista do Amazonas começa o ano com mais uma rodada de liquidações, mas o desempenho positivo nas festas de fim de ano e as apostas das lideranças do setor em um janeiro com vendas mais reforçadas em relação aos números de 12 meses atrás apontam para um período de descontos menos agressivos do que os de 2019, limitados aos segmentos de calçados e vestuário.

O Black Friday e o Natal do ano passado já haviam rendido boas vendas e uma significativa redução de estoques ao setor, que compareceu em massa na adesão às campanhas do período. Segundo informações fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), o número de empresas que ofereceu descontos, facilidades e diferenciais para as datas de maior demanda no varejo totalizou 400 – número bem superior ao de 2018 (280).

Como resultado, as vendas de Natal subiram 5% em relação à mesma data de 2019. De acordo com a CDL-Manaus, em termos de volume, o segmento de vestuário liderou as vendas com folga. Na medida em valores, telefones celulares ficaram em primeiro lugar no ranking de produtos de maior saída na data, graças ao valor comparativamente mais elevado dos produtos. Os números locais do Black Friday não foram divulgados.

Custos e vendas

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, lembra que os meses iniciais do ano costumam ser sofríveis para o setor, em virtude da sazonalidade e aponta que apenas os segmentos de material escolar, bem como o de alimentos e bebidas, deve garantir números positivos na virada do quarto trimestre de 2019 para o primeiro de 2020. O dirigente avalia, contudo, estima que o período será melhor, quando comparado com o mesmo intervalo do ano passado, com crescimento de 3,5% e 4%. 

Frota diz que a entidade não tem um levantamento sobre os percentuais de desconto oferecidos pelo comércio varejista local, mas observa que algumas lojas estão oferecendo até 70% de abatimento e lembra que alguns segmentos do comércio, a exemplo das lojas de calçados, ainda não conseguiram compatibilizar, a contento, os custos e as vendas.

“Nossa expectativa é pela recuperação da economia e pela consolidação do crescimento em todos os segmentos e setores. O comércio está oferecendo descontos, parcelamentos especiais, coisas comuns para o período. Infelizmente, ainda temos muita negativação e a queda dos juros não chega ao consumidor e a nova regra do cheque especial não ajuda”, ponderou.

‘Bota fora’

Já o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, ressalta que as liquidações ocorrem naturalmente neste ano para que os segmentos de vestuário e de calcados possam renovar suas coleções e garantir giro de mercadorias e capital em um período de viagens em alta e vendas locais em baixa.

“O comércio vendeu bem neste fim de ano e opera em ponta de estoque, com descontos de até 50% para esses segmentos, incluindo produtos de Natal, como brinquedos. Tem pessoas que preferem até comprar menos no fim do ano para guardar dinheiro para as liquidações deste período. Mas, acredito que outros produtos, como eletroeletrônicos, não devem oferecer descontos significativos”, comentou.

O presidente da ACA também se diz confiante em relação ao crescimento do setor nos primeiros meses de 2020, em relação ao ano passado, a estima que o aquecimento pode incluir segmentos do varejo ampliado, a exemplo das lojas de material de construção, em virtude da sinalização de retomada no setor de construção civil. A linha branca, no entanto, deve sofrer baixa, conforme o dirigente.

Descontos desgastantes

Em contraste, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, avalia que as liquidações de começo de ano já se incorporaram ao calendário do comércio, sendo mais uma ação cultural para aquecer vendas e atualizar as mercadorias para a mudança de estação, do que apenas uma estratégia para desovar estoques.  

Azury considera que os meses de 2020 trarão um desempenho comparativamente melhor do que o registrado no mesmo período do ano passado, mas prefere não arriscar números que não sejam amparados por pesquisas. Indagado sobre a faixa de descontos oferecida pelos lojistas, o dirigente diz ser impossível informar, mas avalia que não serão tão agressivos. 

“Tudo indica que o ano será melhor para comércio, embora as coisas em Manaus e no Amazonas não mudem tanto, pelo fato de não contarmos tanto com o turismo interno, como ocorre em outras regiões do país. No caso dos descontos, os lojistas estão um pouco desgastados pelo Black Friday e pelo Natal e não devem ter condições de comprometer tanto sua renda desta vez”, encerrou. 

 

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