Limitação de horário prejudica setor de bares

Fechados por três meses em Manaus, as medidas restritivas impostas devido à crise causada pela pandemia, culminaram um efeito devastador no setor de bares e de alimentação fora do lar. A realidade do segmento em todo país, é revelada num estudo divulgado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), indicando que 6,7% dos donos de bares e restaurantes decidiram encerrar o negócio em função da covid-19.

Um em cada quatro estabelecimentos em Manaus fecharam as portas em definitivo.  Apesar do estudo não indicar o percentual no Amazonas, o presidente da Abrasel no Amazonas, Fábio Cunha, confirma os números estimados pela Abrasel Nacional. 

Desde o dia 6 de julho, o setor está funcionando até a meia-noite com a capacidade de público reduzida em 50%. Os estabelecimentos devem seguir os protocolos de segurança sugeridos pelos órgãos de saúde.

“Essa limitação está impedindo que estabelecimentos nem reabram o que restringe muito a atividade do local. Muitos estão aguardando a flexibilização total ou a ampliação do horário de funcionamento”, menciona Fábio. 

De acordo com ele, o retorno ainda muito restrito não paga as despesas que um bar tem, além da imposição de fechar à meia-noite, considerando este o horário de pico para esses locais.

Essa flexibilização no horário, levou o presidente da Abrasel no Amazonas protocolar uma carta conjunta no último dia 10, com a Asseeam (Associação de Entretenimento do Estado do Amazonas), ACA (Associação Comercial do Amazonas), AEV (Associação dos Empresários do Vieiralves), Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), FCDL-AM (Federação das Câmaras de Lojistas do Amazonas), CDL- Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) e CDL Jovem (Câmara dos Dirigentes Lojistas Jovens- Manaus). 

Conforme Cunha, o documento é de grande importância para as associações, que estão acompanhando que os casos da covid-19 estão positivos em relação ao número de óbitos e leitos disponíveis “por isso solicitamos que haja uma flexibilização para que os bares, restaurantes e até mesmo aqueles que trabalham com alimentação fora do lar, possam normalizar o funcionamento de seus empreendimentos, pois até o momento estamos seguindo o protocolo de reabertura da FVS”.

“Estamos tentando essa flexibilidade, principalmente em função dos bares que cumprem a Lei, tem compromisso com os clientes e com a arrecadação e estão tendo uma dificuldade muito grande. Vários empresários encerraram as atividades permanentemente até mesmo por falta de motivação diante deste panorama tão difícil. Infelizmente estamos seguindo essa tendência negativa de fechamento dos bares e a retomada tem sido determinante para esses proprietários decidirem se vão fechar ou não por conta do protocolo que não está flexível”. 

Da mesma forma, o efeito negativo está impactando a alimentação fora do lar, principalmente aqueles que atuam à noite como entretenimento. Se não fosse a suspensão do contrato de trabalho pela MP 936 para 44% dos funcionários. O setor ainda precisou negociar com os colaboradores que tiveram seus salários reduzidos. 

Em maio, o dirigente da entidade estimava que 25% dos restaurantes à época se manteriam fechados em definitivo e o maior desafio seria enfrentar a retomada,  lenta,  com muitas normas e protocolos. “Eu acredito que muitos vão desistir depois de retomarem, porque o capital de giro não existe”. 

O setor amargou prejuízos altíssimos desde o início da pandemia, a cada cinco restaurantes um precisou fechar. O faturamento do setor de alimentação fora do lar no Amazonas caiu 60% no período de pandemia. Na região Norte essa baixa chegou a 75%, os dados foram divulgados por meio a da Pesquisa Nacional de Situação de Crise realizada com 1.558 estabelecimentos do Brasil divulgada pela Abrasel no segundo semestre de maio. 

Alguns números

A pesquisa entrevistou 1.191 empresários de bares, restaurantes, cafeterias, lanchonetes, padarias, pizzarias e sorveterias dos 26 Estados e do Distrito Federal.  Entre as pessoas ouvidas, 39% são MEIs (Microempreendedores Individuais); 58%, micros e pequenos empresários; e 3%, donos de médias ou grandes empresas.

O levantamento apurou que 92% das empresas do setor tiveram queda no faturamento. Apenas 4,5% dos donos de bares e restaurantes afirmaram ter aumentado seus rendimentos no período da pandemia.

Segundo a pesquisa, 18,5% dos donos de bares e restaurantes entrevistados tiveram que demitir funcionários de carteira assinada na pandemia. O levantamento mostra que 50,8% dos empresários ouvidos têm dívidas em atraso; 25,5% têm dívidas, mas estão em dia; e 23,7%, não têm dívidas.

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