LIGE 2011 discute economia verde em Manaus

“Em uma transição para uma economia verde, serão criados novos empregos, mas devido a isso algumas empresas vão fechar também, porque não vão se adaptar ou não irão mais fazer sentido neste modelo de economia”, foi o que afirmou o economista Raul Gouvêa, diretor e idealizador da Conferência Internacional LIGE (Legal & Institutional Green Economy), que debateu a economia verde e sustentabilidade, ontem (29) e hoje (30) na capital amazonense.
Segundo Gouvêa, a temática da conferência foi influenciada pelo evento sobre mudança climática que acontecerá em 2012, no Rio de Janeiro, batizado como Rio+20, em que uma das propostas do evento será a criação de uma economia verde a nível global. “A proposta é discutir alguns aspectos da economia verde, aspectos legais e institucionais. Vamos discutir as patentes verdes, pois elas vão passar de marrons para verdes, tecnologia verde e a questão da biopirataria. O debate é importante, porque precisamos discutir como resguardar o conhecimento tradicional dos indígenas. Os resíduos sólidos e os recursos hídricos também serão discutidos. A economia verde não é só uma questão nacional, mas é global”, disse.
Gouvêa espera que, ao final dos dois dias de debates com os maiores especialistas da área, a LIGE 2011 levante questionamentos na região sobre a promoção da economia verde. “Queremos dizer que a economia verde deve ser uma fonte de atividade econômica adicional para o Brasil. Em alguma época, o mundo vai começar a comprar produtos verdes. E o Brasil vai encontrar barreiras de impostos por aí. Então, o Brasil precisa se adaptar”, esclareceu.

Profissionais de economia verde

Ele ainda destaca que para que essa transição aconteça é necessário que haja uma maior compreensão por parte não somente do corpo político, empresarial e individual, mas também do institucional. “As próprias universidades terão que fornecer mais cursos e programas ligados à economia verde para capacitar os profissionais para trabalharem nesse meio econômico diferenciado, porque esse modelo vai gerar uma demanda de profissionais com capacidades muito específicas”, explica o economista, que ainda exemplifica que a UEA (Universidade do Estado do Amazonas) criou o curso de ecoturismo e biotecnologia. “O pessoal pode começar a pensar também no mestrado em economia verde, até porque a questão energética toda vai começar a mudar, com a própria entrada do gás natural. E as próprias empresas, por exemplo, irão desenvolver cadeias produtivas verdes, compras governamentais verdes”, avalia.
Outra questão levantada por Raul Gouvêa é o potencial hídrico da região amazônica. “Temos hoje várias instituições fazendo pesquisas nessa área, então chegará um ponto em que as pessoas começarão a ter um diálogo para chegar realmente a uma economia local mais intensiva em conhecimento, tecnologia e inovação”, explica.
Palestrante do evento, Denis Benchimol Minev, Conselheiro da FAS (Fundação Amazonas Sustentável), do Museu da Amazônia e da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado

do Amazonas), que abordará “A Busca por uma Economia Sustentável e Próspera na Amazônia”, conta que primeiramente é necessário ampliar o escopo do tema sustentabilidade. E que deve incluir também as questões social, econômica e política”, declara.
Minev explica que será preciso a regularização fundiária, para remover a “névoa da insegurança” na Amazônia. “A Amazônia hoje é uma confusão fundiária e isso precisa ser mudado com urgência, já há iniciativas do governo federal nessa frente, mas isso precisa ser acelerado e entrar como prioridade, outra situação é a regularização ambiental, criando leis que permitam que as pessoas trabalhem e prosperem na região”, frisa.
Para o pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Charles Clement, também participante da Conferência Internacional, acredita que será preciso que as florestas gerem mais benefícios para a população da Amazônia. “Manejo florestal não é suficiente porque as mudanças climáticas vão prejudicar muitas espécies, então será necessário pensar em silvicultura, que é o plantio de árvores, e selecionar espécies que vão poder se adaptar durante essas mudanças”, garante.
Além disso, Clement ainda conta que essas árvores irão produzir produto florestal não madeireiro, como castanha, copaíba, entre outras. “Todos esses produtos que muitas vezes são mencionados como opção de desenvolvimento para a Amazônia, e de fato eles são, irão precisar de muito trabalho para que sejam economicamente viáveis, alguns deles servem até para a agroenergia, que é a produção de combustível para os nossos carros com base em plantas ou frutas, como o dendê”, observa o pesquisador.
Ele acredita que para o povo amazonense e o mundo poderem vislumbrar a utilização desses recursos depende do quanto é investido. “Atualmente a floresta gera poucos benefícios porque nós não investimos. Temos várias instituições de pesquisas e projetos voltados para essa questão, mas comparado com a magnitude esse investimento é pequeno, precisamos mudar isso, é necessário muito mais investimento em pesquisa, desenvolvimento e em capacitação para fazer com que as pessoas da floresta e interior participem ativamente desta atividade”, finaliza.

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