27 de maio de 2022

Eu sei que manter a motivação e o entusiasmo sob pressão não tem sido fácil no momento atual. Ser um líder motivador então, um tremendo desafio. Afinal, notícias ruins chegam por todos os lados e é natural que nosso estado emocional fique abalado. Neste momento, gosto de lembrar que esta não é a primeira crise que vivemos, e que outras pessoas também passaram por desafios extremos. Ou seja, saiba que isso não é um privilégio unicamente seu.

O exemplo de Shackleton

“Recruta-se homens para jornada perigosa. Salários baixos, frio extremo e longas horas de escuridão completa. Retorno em segurança duvidoso. Em caso de sucesso: honra e reconhecimento”. O ano era 1914 e, com este simples e objetivo anúncio, o inglês Ernest Shackleton procurava candidatos para sua mais nova aventura: atravessar de um extremo a outro a Antártica, em um percurso de 2,9 mil quilômetros.

Não era a primeira vez que Shackleton tentava alcançar o Polo Sul. Ele participara de duas expedições mal-sucedidas anteriores – chegara mais perto na segunda, em 1908, quando foi obrigado a retornar quando se localizava a 146 km do destino final. O inglês partiu para a terceira tentativa a bordo do veleiro Endurance no dia 1º de agosto de 1914, comandando uma equipe de 27 homens.

A aventura, entretanto, falhou em alcançar quase todos os seus objetivos. Os problemas começaram quando o veleiro foi tragado pelo gelo e os homens a bordo se viram obrigados a passar seis meses sobre o mar congelado. Quando começou o degelo, todos partiram em barcos de menor porte rumo às ilhas Elefante, onde Schackleton deixou para trás 22 de seus subordinados para prosseguir com o restante da equipe até as ilhas Geórgia do Sul, em uma travessia de 16 dias e 1,1 mil quilômetros. De lá, partiu em busca de ajuda nas estações baleeiras do lado norte da ilha. Com o sucesso da empreitada, iniciou o resgate dos demais, que só terminaria no verão de 1916. Todos os tripulantes sobreviveram.

Apesar do insucesso na missão, Schackleton, apelidado de “Boss” por seus companheiros, se tornou um modelo de liderança e, em particular, um mestre na arte de liderar em meio à crise. Prova disso é que cinco anos depois do desfecho da aventura, o inglês organizou nova expedição e sete dos tripulantes originais se candidataram novamente. Schackleton, no entanto, não pôde realizá-la, já que faleceu um pouco antes da partida.

A Liderança influencia qualquer ambiente

A principal lição aprendida com Schackleton é de que a liderança faz a diferença em qualquer ambiente. Líderes verdadeiros são capazes de criar uma sinergia na equipe suficiente para distinguir o sucesso do fracasso. Se no caso do Endurance estava em jogo a vida dos tripulantes, no mundo corporativo vale a prosperidade ou o fim da organização.

Não são poucos os exemplos de líderes empresariais com o mesmo perfil de Schackleton, que sabem conduzir suas empresas rumo a mares e horizontes tranquilos, escapando de situações perigosas, falimentares. Na direção contrária, há diversos exemplos de executivos que, colocados em postos estratégicos, cedem em meio à pressão do mundo corporativo e levam suas organizações ao abismo.

Dedique-se mais, reclame menos!

A situação atual do nosso país e principalmente do mercado de trabalho passa por um momento delicado, o que para muitas pessoas é um cenário propício apenas para reclamação e pouca dedicação. Como disse Einstein: “No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”.

Num cenário tão conturbado é preciso se dedicar mais, estudar mais, ser positivo nas redes sociais e ter um bom relacionamento com as pessoas. Fazer a sua parte e não apenas esperar que os outros façam algo para você gerar um resultado desejado! 

Assim como Schackleton, você também consegue atravessar um mar de gelo e ser um líder sob pressão.

Boa semana!

Fiquem com Deus!

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