Liberação do trigo argentino para exportação continuará a conta-gotas

O governo da presidente Cristina Kirchner continuará liberando a conta-gotas as exportações de trigo argentino, cujo maior comprador é o mercado brasileiro.
Cristina, assediada pela escalada inflacionária e a garantia de abastecer o mercado interno com preços baixos (e simultaneamente, tentar evitar a drástica queda de sua popularidade) somente liberará no segundo semestre deste ano um total de 1,402 milhão de toneladas de trigo para exportação.
Desta forma, os problemas do Brasil para abastecer-se normalmente de trigo da Argentina – seu principal sócio do Mercosul e o maior tradicional fornecedor desse produto ao mercado brasileiro – prometem continuar ao longo de 2008.
O secretário de Indústria e Comércio da Argentina, Fernando Fraguío, anunciou que o governo autorizará no segundo semestre deste ano a exportação de 500 mil toneladas de trigo.

Sem exclusividade

Este meio milhão de toneladas, no entanto, não tem destino exclusivo ao Brasil, podendo ser adquirido por importadores de outros países. Essas 500 mil toneladas somam-se a outras 902 mil autorizadas na semana passada (total de 1,402 milhão de toneladas).
“Não podemos obrigar que sejam só vendidas para o Brasil”, indicou Ivan Ramalho, secretário-executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) do Brasil.
Sentado ao lado de Fraguío, durante um encontro com a imprensa em Buenos Aires, Ramalho ressaltou que ainda é preciso saber qual será o tamanho da safra de trigo ‘made in Brazil’, já que ela poderia eventualmente compensar parte da ausência do cereal argentino.
No entanto, Ramalho admitiu: “não posso afirmar que não haverá mais problemas com o abastecimento”.

País deve enviar ao Brasil 3,18 milhões de toneladas para igualar ao volume de 2007

Fontes do Mdic afirmaram ao Grupo Estado que entre janeiro e junho deste ano a Argentina exportou ao Brasil 2,5 milhões de toneladas de trigo. Isso equivale a um volume 1,7 milhão de toneladas inferior ao total vendido pelos exportadores argentinos ao mercado brasileiro no mesmo período de 2007. Nos primeiros seis meses do ano passado a Argentina exportou ao Brasil 4,2 milhões de toneladas de trigo.
Ao longo de todo 2007, o Brasil importou da Argentina um total de 5,63 milhões de toneladas.
Para completar um volume similar ao do ano passado, no segundo semestre deste ano a Argentina teria que enviar ao Brasil outros 3,13 milhões de toneladas.
No entanto, o governo Cristina, por enquanto, só prevê a liberação de 500 mil toneladas de trigo no segundo semestre. Além deste meio milhão, cujo anúncio de liberação não tem data definida (o secretário Fraguío só confirmou que a autorização ocorreria “no segundo semestre”), na semana passada o governo já havia anunciado a liberação de 902 mil toneladas. Desta forma, para a segunda metade deste ano, o governo só permitirá – a princípio – a venda ao exterior de um total de 1,402 milhão de toneladas.
No entanto – tal como os representantes brasileiros e argentinos admitiram -, trata-se de uma operação entre privados. Portanto, nada garante que esse trigo seja destinado ao mercado brasileiro, podendo ser adquirida por importadores de outros países.
No ano passado o mercado brasileiro consumiu 10,25 milhões de toneladas de trigo. Desse total, importou de vários países 6,6 milhões de toneladas.
A Argentina, que produziu em 2007 um total 16 milhões de toneladas, foi o principal abastecedor de trigo do mercado brasileiro, ao qual vendeu 5,63 milhões.
As vendas argentinas de trigo ao exterior sofrem fortes restrições desde dezembro do ano passado. Para complicar, o conflito que a presidente Cristina manteve com o setor ruralista entre março e julho praticamente paralisaram as decisões sobre a liberação de exportações.

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