Desde 2018, quando trabalhei na tese de doutorado na UFAM, não visitava Presidente Figueiredo, a “Terra das Cachoeiras”. 

A região me é mui cara pelas boas lembranças das pessoas que conheci durante o projeto PRIMAZ, de Presidente Figueiredo, desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil/CPRM, na década de 1990. 

Faço uma singela homenagem póstuma no presente artigo ao Amigo John Claudio Cabral, que nos deixou, prematuramente, vítima da pandemia da Covid-19. 

Conheci Claudio e sua cordialidade e acolhimento naturais na visita à fazenda que era gerente, onde estão localizadas a fonte Santa Cláudia (que abastece a sede municipal) e a cachoeira homônima.

Ao nos conduzir para conhecer a fonte, Claudio nos relatou que o local era “mágico”, pois, “a natureza conversava com os visitantes”.

E era mesmo.

O acesso restrito, considerando a natureza da obra de captação de água mineral que brota da terra, sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Mineração (antigo Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM), escondia a estrutura cuidadosamente construída sob rigoroso selo sanitário.

A fonte é “sobrenatural” – surge do solo uma vazão de água equivalente a 150 mil litros por hora – e observar de perto os fluxos e movimentos dos sedimentos arenosos assemelha-se a ver “uma dança” de ritmos e passos que nunca se repetem.

Perguntei ao Claudio quando e como a fonte conversava? 

Ele me respondeu, sorrindo: “pergunte a ela”. 

Entendi a física da mágica… a vibração da voz influenciava os movimentos da “dança” dando a impressão que a fonte realmente respondia e conversava conosco.

Conheci, pelas mãos do Amigo, outro espaço sagrado da propriedade – a cachoeira Santa Cláudia. Uma trilha muito bem cuidada levava ao espaço acolhedor com praia, piscina natural e uma queda d’água formada por uma falha geológica, tudo muito bem conservado e não menos mágico. 

Destacava-se no local uma placa com os dizeres: “Água é Vida, sem ela torna-se impossível qualquer tipo de existência. Poluí-la é crime de lesa-humanidade. Presidente da Legião da Boa Vontade José de Paiva Netto”. 

Como voluntário da LBV que sou consultei Claudio, curiosamente, sobre os motivos que levaram a instalação daquela placa. 

Ele me explicou que o proprietário – “o velho Fernando” – havia ido ao Templo da Boa Vontade em Brasília e, encantado com uma fonte sagrada que visitou, quis reproduzir em sua propriedade os mesmos dizeres que leu numa placa fixada no local. 

Claudio comungava com o mesmo pensamento do proprietário: as palavras da placa eram e são muito mais que recordações… são princípios que devem nortear nossos comportamentos e escolhas, sendo deixados como herança.

Revisitar a fazenda, depois de mais de vinte anos, me trouxe lembranças do bom amigo. 

O local tão bem cuidado e preservado, agora sob a gerência de sua filha Greyce, que conheci criança, reproduz a certeza que o tempo passa e as novas gerações vão assumindo seus protagonismo e trabalho.

O barulho dos motosserras nos novos loteamentos lindeiros, que se ouve no percurso da trilha de acesso à cachoeira, dá o tom da ameaça do crescimento urbano de uma cidade rica, que tem sido, há décadas, mal tratada e corrompida.

Que as novas gerações de Presidente Figueiredo sejam resilientes às responsabilidades e deveres de bem cuidar do bem comum, seja público, ou privado. A “Terra das Cachoeiras” agradece.

Minhas orações ao Espirito do Eterno Amigo John Claudio Cabral e à sua amada Família.

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