7 de maio de 2021
Claro que uma ponte pode ser semelhante à outra, ainda mais quando ambas apresentam as mesmas características, mas a similaridade entre a que já existe com a maquete da que deve ser constrúida é grotesta.

A ponte que o governo estadual promete construir li­gando Manaus ao município de Iranduba já existe, por ela passam diariamente milhares de carros, só que está localizada sobre o rio Orinoco, na Venezuela. Pelo menos é o que nos faz supor o projeto apresentado pelo governador Eduardo Braga e explorado em outdoors pelo deputado Francisco Souza, que se intitula um dos pais da ponte.
A semelhança do projeto com a ponte venezuelana é tanta que a nossa parece mais uma fotografia daquela, por sinal uma magnífica obra. Para quem pensou já ter visto todos os tipos de malandragens políticas esta é a uma superação: apresentar uma foto de uma ponte já construída como se fosse um projeto inovador para solucionar o problema de transporte dos municípios localizados a leste de Manaus.
Na realidade, a decisão de construir uma ponte sobre o rio Negro foi tomada mais como ato de pirotecnia do que como projeto de infra-estrutura, até porque a demanda dos carros que hoje atravessam o rio, pelas balsas, não exige uma obra de tal envergadura. No entanto, a idéia foi lançada e logo ganhou corpo, ganhou um pai: o governador Eduardo Braga, e também outro pai: o deputado Francisco Souza, que se apresenta como autor intelectual do projeto. Mas faltava o principal, no caso um projeto real sobre o qual possa se assentar o sonho de ligar Manaus ao Cacau Pirera. Então, aproveitou-se a visita do presidente Lula à Venezuela, ano passado, para inaugurar, ao lado do presidente Hugo Chávez, esta nova ponte sobre o rio Orinoco, e transportaram para o Amazonas a foto da obra, apresentando como se fosse o projeto da ponte que deve ser construída aqui.
Claro que uma ponte pode ser semelhante à outra, ainda mais quando ambas apresentam as mesmas características, mas a similaridade entre a que já existe com a maquete da que deve ser construída é grotesca. Neste ponto cabem uns questionamentos: Será que o projeto da ponte sobre o rio Negro será assinado pelo mesmo autor da ponte venezuelana? Quais modificações serão feitas para adaptar a obra ao nosso rio? E quando iniciará mesmo a construção da ponte? Tomara que aqui não se repita a mesma história da BR 319, cuja recuperação foi anunciada como a redenção para o Amazonas, mas até agora nenhum carro circula pela estrada, e não se sabe sequer se as obras continuam, porque as notícias sobre sua conclusão são contraditórias. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, já disse que a estada deve ficar pronta somente lá pelo ano de 2012, quando o governo Lula já estiver acabado e, muito pro­vavelmente, Alfredo já estará ocupando outro cargo na República.
Obras de grande vulto são demoradas, mas todas começam com um projeto. Com relação à ponte sobre o rio Negro falta este projeto, porque a concorrência ainda está aberta e ninguém sabe como será sua estrutura e muito menos sua arquitetura. Estudos devem ser feitos para avaliar estas questões. Mas como construir obras virtuais é mais fácil, a propaganda se antecipou e apresentou um modelo que impressiona. Foi tudo muito rápido, do anuncio da vontade de construir a ponte até a apresentação do projeto se passaram meses e, dias depois, outdoors foram espalhados pela cidade com a fotografia da obra. A rapidez na concepção do projeto só poderia indicar algo de errado que um mês de férias na Venezuela revelou: a ponte que anunciaram para o rio Negro já existia e é o melhor caminho para se chegar à Margarita, destino de mi­lhares amazonenses neste início de ano.
Férias em Margarita se mostraram reveladoras, não apenas pelo truque desvendado da ponte, mas também pela constatação fatalista de que a BR 174 é uma tragédia em termos de engenharia. A estrada é uma buraqueira já conhecida por todos, mas outra vez aqui volta-se ao ministro Alfredo Nascimento, que sequer providenciou obras de tapa-buraco para aliviar o sofrimento de milhares de amazonenses que se dirigiram para a Venezuela, como se faz todo ano. Alfredo, aliais, deveria fazer esta viagem também, de carro, para conhe

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