Com a retomada, ontem, da apuração de denúncias de irregularidades e desvios de conduta cometidos por servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas, a Corregedoria Nacional de Justiça voltará a investigar se o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, pode estar sendo beneficiado por juízes da comarca, suspeitos de retardar o julgamento de vários processos em que ele é acusado de abusar de menores de idade e de comandar uma rede de prostituição infantil. As informações são da Agência Brasil.
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ao qual a corregedoria é subordinada, acompanha, há anos, as denúncias contra Pinheiro e o andamento dos processos em que ele figura como réu. Em outubro de 2012, o plenário do conselho decidiu transferir de Coari uma juíza suspeita de, junto com outros magistrados, favorecer Pinheiro em troca de privilégios pessoais. Pinheiro havia sido eleito para o terceiro mandato de prefeito poucos dias antes do anúncio da decisão do CNJ.
Em 2010, outros três juízes tinham sido aposentados compulsoriamente no mesmo processo administrativo (nº 2009.10.00.000787-9) em que a juíza figurou como ré. Segundo o CNJ, os juízes foram condenados por atuar em benefício da Prefeitura de Coari, que disputava com a capital, Manaus, o repasse da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a exploração de petróleo e gás natural em Coari. A atividade petrolífera fez do município o segundo mais rico do Amazonas.
No mesmo processo administrativo, outro magistrado foi censurado devido a indícios de ter favorecido o prefeito. Três magistrados foram absolvidos das mesmas acusações.
O relator do processo administrativo disciplinar instaurado contra um dos juízes foi o conselheiro do CNJ Gilberto Valente Martins, agora designado para dirigir a correição que começou ontem e vai atingir todas as unidades administrativas e judiciais da Justiça de 1º e 2º graus e cartórios notariais e de registro, sem data para acabar. Martins disse que vai pedir prioridade no levantamento de todos os processos relativos a Adail Pinheiro.
No relatório que apresentou durante o julgamento administrativo de um dos juízes envolvidos, Martins sustentou que havia provas documentais e testemunhais comprovando a proximidade irregular entre uma magistrada e a Prefeitura de Coari.

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