Para tentar devolver a inflação ao centro da meta de 4,5%, o BC (Banco Central) teria que continuar com o atual aperto monetário até elevar o juro básico para a faixa de 13% ao ano -nível que não é visto desde o final de 2008 e o começo de 2009. A análise, obtida junto a especialistas consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, é, no entanto, um exercício ficcional. Os agentes de mercado estão convencidos de que a meta perseguida pelo BC estaria mais perto de 5,5% e que a autoridade monetária continuará com sua atuação limitada pela política fiscal expansionista e pela eleição do próximo ano, que tende a reforçar as dificuldades de controle de preços. Não dá para esquecer ainda das questões externas, especialmente do começo da retirada de estímulos monetários por parte do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, a partir de janeiro e possíveis efeitos para o câmbio.
A taxa de juros projetada pelos analistas está bem distante daquela defendida pela presidente Dilma Rousseff no começo da sua gestão, em 2011, quando disse que o seu desejo era terminar o mandato com um juro real (descontado a inflação) entre 2% e 3%, o que seria o equivalente a um juro nominal de cerca de 7,5% Já a taxa estimada pelos economistas, de até 13%, seria algo mais em linha com um juro real entre 6% e 7%.
O descontentamento dos agentes de mercado com a alta da inflação é notório e, para muitos economistas, o governo federal parece não partilhar da mesma percepção. Para eles, o Banco Central parece considerar “confortável” uma taxa na faixa de 5,5%, ficando, portanto, o centro da meta de 4,5% cada vez mais distante de ser cumprido.
A despeito da desaceleração na margem, a taxa acumulada em 12 meses do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) segue próxima a 6% e possivelmente encerrará perto desse nível em 2013. Também é verdade que possivelmente o indicador poderá terminar o ano com uma variação inferior à de 2012, quando a inflação oficial atingiu 5,84%. O resultado pode até agradar a equipe econômica, que ainda defende que a inflação está sob controle, mas os economistas não acreditam nisso e destacam que, se não fosse a política de desoneração em preços administrados, como energia, o IPCA certamente romperia o teto da meta de 6,5% em 2013.
Na visão da professora da PUC-RJ, Mônica Baumgarten de Bolle, as condições econômicas atuais são bastante complicadas e o Banco Central está em uma posição desfavorável. Segundo ela, como a política monetária segue na contramão da fiscal, com aumento dos gastos por parte do governo, o trabalho do BC “realmente” ficou mais difícil. Ela lembra que o Copom (Comitê de Política Monetária) já fez um aumento significativo do juro básico -até agora foram 275 pontos-base de alta, com a Selic indo a 10% ao ano -, mas a pressão inflacionária persiste.
Para Mônica, o Banco Central reconhece o problema inflacionário, mas considera que o poder de ação da instituição tem limite. “Seria preciso um esforço bastante grande. Não se consegue isso só com política monetária. Teria que coordenar o aumento de juros com a política fiscal que fosse compatível com a redução da inflação. É um quadro bem complicado”, disse.
A economista disse não estar convencida de que o governo tenha o mesmo diagnóstico em relação à situação econômica atual. “Se tivesse – tirando da tela que o ano que vem é eleitoral -, seria perfeitamente viável que o governo fosse ajustando as contas públicas e ao mesmo tempo fizesse um esforço um pouco maior com relação aos juros, elevando a taxa para algo entre 12% e 13%, de forma gradual ao longo do tempo, impedindo que se tenha reflexos fortes sobre o mercado de trabalho”, sugeriu.

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