Juros nos Estados Unidos caem para 2,25% ao ano

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) efetuou na terça-feira o sexto corte consecutivo de juros desde que deu início a seus esforços para tentar evitar uma recessão nos EUA. A taxa básica de juros do banco caiu 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano -nível em que se encontrava em dezembro de 2004.
Os cinco cortes efetuados antes do ocorrido ontem, no entanto, pouco fizeram para evitar que a atividade econômica americana desacelerasse de modo alarmante: no quarto trimestre, a economia cresceu apenas 0,6%, contra um avanço de 4,9% um trimestre antes.
O corte de juros do Fed não conseguiu estimular os consumidores a continuar gastando, ou mesmo a ampliarem seus gastos -como se viu nas vendas no varejo nos EUA em fevereiro, que caíram 0,6% em fevereiro, mesmo com os juros do Fed tendo passado de 5,25% para 3%. Em janeiro houve uma ligeira alta de 0,4%, mas o dado do mês seguinte praticamente anulou o indicador positivo.
A economia ainda sofreu outro abalo no mercado de trabalho: depois de eliminar 22 mil empregos em janeiro, a economia perdeu outros 63 mil no mês passado.
No governo, a eficácia das medidas para evitar a recessão já é, mesmo que veladamente, contestada. O chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca, Edward Lazear, reconheceu que o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) americano pode registrar um resultado negativo neste primeiro trimestre. “Nós definitivamente reduzimos nossa previsão para este trimestre”, disse Lazear.
O presidente americano, George W. Bush, sancionou no mês passado um pacote de estímulo econômico ao país que dará cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos. A estimativa inicial do Tesouro americano era de começar a enviar os cheques em 60 dias a partir da aprovação das medidas, ou seja, maio. Mais de 130 milhões de pessoas serão beneficiadas. O pacote prevê uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, terá direito a cheques de US$ 300.
No início deste mês, Bush chegou a pedir aos contribuintes que serão beneficiados com os cheques do pacote que gastem, e não guardem em poupanças, ou invistam e mesmo paguem dívidas.
Assim como os consumidores não se sentem estimulados a gastar mais com as ações do Fed, temendo uma retração da economia, os bancos também tendem a desconfiar da ação do banco central.
No domingo, o banco cortou sua taxa de redesconto para 3,25%.

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