Juros de financiamentos bancários escalam em junho

Os juros dos financiamentos bancários escalaram pelo sétimo mês consecutivo, em junho, sendo puxados pelo crédito direcionado às pessoas jurídicas. Dados da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) apontam que o dinheiro ficou mais caro principalmente no desconto de duplicatas e no capital de giro. Para as pessoas físicas, o peso foi mais sentido nas operações de CDC para financiamentos de veículos e cartão de crédito. 

As estatísticas mais recentes do BC (Banco Central), por outro lado, apontam que o novo reajuste foi precedido por uma nova rodada de altas nas taxas de inadimplência nas operações de crédito do SFN (Sistema Financeiro Nacional), no mês anterior, tanto para pessoas físicas, quanto para jurídicas. Em paralelo, o volume de concessões de empréstimos em todo o país voltou a crescer para as empresas e para os consumidores – depois da retração de abril. 

De acordo com a Anefac, o acréscimo no custo de dinheiro pesou bem mais sobre as pessoas jurídicas, que amargaram reforço de 1,60% no custo do dinheiro, reposicionando a taxa do empréstimo de 3,12% para 3,17% mensais –o patamar mais elevado desde novembro de 2019. Para as pessoas físicas, o incremento foi de 0,85%, passando de 5,88% (maio) para 5,93% (junho) ao mês –o maior valor desde dezembro de 2019. As respectivas taxas anuais ficaram em 45,43% e 99,63%.

A linha de crédito com maior aumento mensal para as pessoas físicas foi o CDC para financiamentos de automóveis (+2,67%), que foi de 1,50% para 1,54% ao mês. Foi seguida de longe pelo cartão de crédito (+1,09%), que passou de 11,97% para 12,10% e segue com a maior taxa do ranking. Na sequência vieram os juros do comércio (+0,84%), cheque especial (+0,68%), empréstimo pessoal em bancos (+0,60%) e empréstimo pessoal em financeiras (+0,60%) –que se situam em 4,80%, 7,35%, 3,36% e 6,43% mensais, respectivamente. 

Do lado das pessoas jurídicas, o maior reajuste ocorrido entre maio (1,34%) e junho (1,38%) se deu no financiamento para desconto de duplicatas, que ficou 2,99% mais caro. O crédito para capital de giro ficou em segundo lugar com taxa mensal de 1,23% e incremento de 2,50% ante o mês anterior. Embora tenha registrado o menor acréscimo (+1,17%), a conta garantida também segue como a modalidade mais onerosa ao mês (6,90%), para esse tipo de público.

A Anefac informa ainda que, considerando todas as elevações e reduções da taxa Selic (4,25% ao ano) promovidas pelo BC desde março/2013, a taxa básica de juros caiu 41,38%, em mais de oito anos. No mesmo período, o custo do dinheiro para pessoas ficou 4,25% mais caro e, para as pessoas físicas, esse incremento foi de 13,25%.

Inflação e inadimplência

O BC ainda não divulgou os dados de junho, mas sabe-se que a inadimplência nas operações de crédito com recursos livres do SFN em todo o país teve uma nova rodada de altas. Para as pessoas jurídicas, ela cresceu pelo terceiro mês seguido, passando de 1,69% para 1,72%, mas desabou ante a marca de maio de 2020 (2,38%) –ainda afetada pelos impactos da primeira onda da pandemia. Para as pessoas jurídicas, ela também avançou pela terceira vez seguida no mês –de 4,12% para 4,19% –e igualmente ficou aquém do patamar de 12 meses atrás (5,60%). 

O mesmo BC indica que o saldo brasileiro das operações de crédito do SFN  voltou a crescer em maio, após o recuo anterior. Para as pessoas físicas, maio (R$ 178,574 bilhões) foi 4,31% melhor do que abril de 2021 (R$ 171,196 bilhões) e 43,83% superior ao de março de 2020 (R$ 124,156 bilhões). Para as jurídicas (R$ 168,898 bilhões) ficou praticamente estável (+0,15%) ante o mês anterior (R$ 168,635 milhões), mas caiu 32,53% em relação ao ano passado (R$ 127,439 milhões). 

Em material divulgado pela assessoria de imprensa da Anefac, o vice-presidente de estudos e pesquisas da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, atribuiu as novas elevações das taxas no crédito bancário ao aumento dos juros futuros no mercado financeiro e às expectativas de mais aumentos da Selic frente ao comportamento da inflação. Pressionado pelos reajustes da energia elétrica, o IPCA de junho subiu 0,53% –embora já tenha desacelerado em relação a maio (+0,83%).

Outros fatores citados são a elevação da alíquota de CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) para instituições financeiras e a inadimplência –favorecida pelo fim das carências nos empréstimos, “desemprego elevado”, redução dos benefícios do auxílio emergencial, aumento da inflação e maior seletividade dos bancos para emprestar. Diante do maior risco ao crédito e das incertezas da economia, Oliveira avalia que a tendência dos próximos meses é que as taxas de juros devem prosseguir a trajetória de expansão. 

“Fim do túnel”

O conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), professor universitário e consultor econômicos, Francisco de Assis Mourão Júnior, lembrou que a tendência de curto prazo no Copom (Comitê de Política Monetária) ainda é de aumento da taxa básica de juros Selic, para controlar a inflação, além de estancar a desvalorização do real perante o dólar. O economista também concorda que a elevação do risco é um fator preponderante para altas mais severas no setor bancário, especialmente no caso das pessoas jurídicas.

“Nós ainda estamos em uma situação de pandemia. A economia está dando pequenos sinais de melhora, mas ainda em ritmo bem lento. E a tendência de inadimplência ainda é de subir e esse fator de risco empurra os juros bancários para cima. Infelizmente, essa combinação de aversão ao risco e aumento da Selic prejudica tanto as empresas, quanto os consumidores”, finalizou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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